Expoente do modernismo brasileiro, John Graz ganha exposição na Pina Estação

Mostra reúne aproximadamente 155 itens criados pelo artista plástico e designer; iniciativa faz parte do esquenta do centenário da Semana de Arte Moderna .

Rebecca Silva
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Artista suíço radicado no Brasil, John Graz foi um dos grandes nomes do modernismo brasileiro e seu trabalho é marcado pela presença indígena nas obras

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Como iniciativa de revisitar a Semana de Arte Moderna de 1922, a Pina Estação inaugura amanhã (31) a mostra “John Graz: idílio tropical e moderno”, com obras do artista suíço radicado no Brasil, um dos representantes do modernismo brasileiro.

Nome menos conhecido entre as figurinhas carimbadas da escola que contou com Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Anita Malfatti nas artes plásticas, Mário e Oswald de Andrade e Manuel Bandeira na literatura, John Graz desembarcou no Brasil em 1920, após estudar desenho, arquitetura e design na Europa.

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A convite de Oswald de Andrade, expôs na impactante Semana de 22 com sete obras produzidas na Espanha. Somente a partir da segunda metade da década de 1920 que, após intensa troca artística com Regina Gomide, sua esposa, e Antonio Gomide, seu cunhado, deu início ao trabalho pelo qual ficou conhecido, explorando a temática brasileira e trazendo às telas paisagens da natureza do país, assim como cenas indígenas.

Com aproximadamente 155 itens, a exposição é dividida em núcleos temáticos relacionados aos principais temas presentes nas obras de Graz. “Optamos por começar a mostra a partir do encontro do olhar dele para representar o Brasil como um lugar tropical, idílico, um verdadeiro paraíso. Mesmo em cenas de trabalhadores brasileiros ou de festividades, como o carnaval e festas gaúchas, sempre há um tom idealizado de um lugar pleno, rico e profuso”, explica a curadora Fernanda Pitta.

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Fernanda aponta que os esforços de reflexão sobre o marco historiográfico da Semana de 22 são importantes para entender que, apesar de marcante, ela fez parte de um contexto maior de experiências modernas que aconteceram no país. Um século depois, é possível realizar uma análise com foco em problemáticas que, na época, não seriam cogitadas. “É interessante apontar e observar os limites, desnaturalizar as narrativas. Vale a pena pensar no que não esteve na Semana, mas já existia, como a produção artística indígena. No contexto atual, cabe a nós repensar o que foi apropriado, o que ficou entendido como característica do moderno brasileiro e acabou invisibilizando autores”, questiona.

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John Graz em seu ateliê em Genebra, Suíça, 1918

Além da atuação nas artes plásticas, Graz também trabalhou como designer e a exposição traz itens de mobiliário, estudos de arquitetura, decoração e fotos dos ambientes que o artista projetou na década de 1930. Ao lado de Victor Brecheret e Vicente do Rego Monteiro, foi responsável por trazer o estilo Art Déco ao país, inspirados pela Bauhaus. Apesar do importante conjunto de peças de mobília que fazem parte do acervo do MAC/USP, Fernanda afirma que não há notícia de preservação das residências que contaram com o toque de Graz em São Paulo. “Ele é um artista que merece mais pesquisa, tem um campo grande a explorar, principalmente em relação a atuação no design”, pontua a curadora.

A mostra ocupa o segundo andar da Pina Estação, em São Paulo, até janeiro de 2022. No primeiro andar, o público ainda poderá conferir o trabalho de José Damasceno, artista brasileiro contemporâneo, até 30 de agosto. Apesar da entrada ser gratuita, é preciso agendar a presença no site da Pina, pois há limite de capacidade de público, um dos protocolos exigidos por causa da pandemia. “As pessoas estão se sentindo seguras para visitar os museus novamente. Estamos felizes de poder estar abertos para oferecer essas atividades ao público neste momento”, finaliza Fernanda.

  • Sem título, 1930
    (Guache e grafite sobre papel; acervo do Instituto John Graz)

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  • Sem título (Índios na rede), sem data
    (Guache sobre papel; residência particular da família John Graz)

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  • Sem título [Untitled], 1969 (Guache e grafite sobre papel; acervo do Instituto John Graz)

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  • Carnaval em Olinda, 1976
    (Grafite sobre papel; acervo do Instituto John Graz)

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  • Sem título, 1980
    (Guache e grafite sobre o papel; acervo do Instituto John Graz)

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  • Cadeira, década de 1960 (reedição da década de 2010)
    (compensado laminado e madeira maciça; acervo do Instituto John Graz)

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Sem título, 1930
(Guache e grafite sobre papel; acervo do Instituto John Graz)

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