Nos últimos anos a obra de Daniel Senise vem revelando elementos da arquitetura, alguns deles dos mais importantes museus internacionais, em “Vivo Confortavelmente no Museu”, atualmente em nossa galeria carioca, voltam à cena a mancha, o desgaste, a imprecisão e os sinais da passagem do tempo. São suas “capturas”, como o próprio artista chama a técnica que utiliza para retirar a impressão das paredes e dos pisos que se tornaram uma marca da obra deste nome primordial da nossa arte contemporânea.
Observamos também que as arquiteturas, molduras e enquadramentos de obras anteriores agora se diluem em figurações fantasmáticas ou vestígios delas. Não é que esses elementos estivessem ausentes nas séries anteriores sobre os museus e as galerias, mas ali o que se impunha era a tridimensionalidade, o ilusionismo e seus muitos tons de branco. No entanto, no novo conjunto percebemos que os brancos deram lugar a tons plúmbeos, escuros, amarronzados, azulados e outras tonalidades advindas de materiais como o óxido de ferro, a tinta acrílica e o carvão.
O atual conjunto de trabalhos do artista nos leva a refletir sobre aquilo que dá estrutura a toda a história da pintura: o suporte.
Veja o que pensa Daniel Senise sobre sua exposição carioca:
Vivo confortavelmente no museu
“O título da exposição, ‘Vivo confortavelmente no museu’, vem de uma frase do personagem principal do livro ‘A invenção de Morel’ de Bioys Casares, tem a ver com uma atração que sinto pelo espaço onde está a arte em toda sua complexidade”.

Arte ocidental
“Só fui conhecer os grandes museus do ocidente aos 25 anos. Foi aquele momento que cristalizou a minha relação com a arte ou o que eu imaginava como arte, pois em criança conheci essas imagens apenas através de livros e enciclopédias que haviam na casa de meus pais. O principal deles era a coleção ‘O tesouro da juventude’, da adolescência de minha mãe”.
Fundamentos
“Meu trabalho atual é uma continuação do que faço desde o início. Se me perguntar quais são os fundamentos, respondo que nunca consegui colocá-los em palavras de maneira satisfatória. Mas criei ao longo do tempo um conjunto representativo – ações, usos de materiais e imagens – que aborda esse território pictórico original”.

A infância, a família e São Paulo
“Acredito que em toda obra de arte a marca da infância está presente em algum nível. Também de modo não objetivo, a mudança do meu ateliê para São Paulo, minha família, o meu momento, estão sempre presentes debaixo da superfície”.
Daniel Senise: Vivo Confortavelmente no Museu
Até 11 de outubro, 2025
Galeria Nara Roesler, Rio de Janeiro

Com colaboração de Cynthia Garcia, historiadora de arte, premiada pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) [email protected]
Nara Roesler fundou a Galeria Nara Roesler em 1989. Com a sociedade de seus filhos Alexandre e Daniel, a galeria em São Paulo, uma das mais expressivas do mercado, ampliou a atuação inaugurando filial no Rio de Janeiro, em 2014, e no ano seguinte em Nova York.
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