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Red Bull Apresenta Carro de 2026 com Motor Ford Que Max Verstappen Vai Pilotar

Além da equipe principal Red Bull Racing, os novos motores Ford V6 turbo híbridos também vão equipar os modelos da Racing Bulls

6 min

A antiga Michigan Central Station, em Detroit, nos Estados Unidos, voltou a ser palco de viradas de página na história da Ford. Restaurada pela própria montadora e transformada em símbolo de renovação da cidade, a estação recebeu o evento em que foi apresentado o carro que será pilotado pelo tetracampeão Max Verstappen e por seu novo companheiro de equipe, o francês Isack Hadjar, na fria noite de quinta-feira, 15. É ali, em “casa”, que a Ford marca o início prático da parceria firmada em 2023 com a Red Bull para voltar à Fórmula 1 a partir de 2026.

Além da equipe principal Red Bull Racing, os novos motores Ford V6 turbo híbridos também vão equipar os modelos da Racing Bulls, time satélite da marca de energéticos, que teve sua pintura revelada na mesma noite. O acordo entre Ford e Red Bull tem duração de quatro anos, válido até 2030. A abertura da temporada 2026 da F1 está marcada para março, no Grande Prêmio da Austrália, em Melbourne.

“Negócio de família inacabado”

Para Will Ford, general manager da Ford Racing e tataraneto de Henry Ford, o retorno à Fórmula 1 tem peso pessoal e histórico. Ele resgata a cena de 1901, quando o bisavô subiu a um carro chamado Sweepstakes e venceu uma corrida num hipódromo de terra em Grosse Pointe, vitória que garantiu o investimento que permitiu a criação da Ford Motor Company.

“Na Ford, nós não fomos apenas inspirados pelo automobilismo. Nós nascemos dele”, resume. Depois de 22 anos fora da categoria, Will define a volta como um acerto de contas: “Estamos retornando ao nosso lugar, à nossa identidade”.

A corrida invisível do motor Ford-Red Bull

Se Will Ford coloca o retorno no contexto da história da empresa, Christian Hertrich, engenheiro-chefe de powertrain da Ford Racing, traduz o desafio em termos de engenharia pura. Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, ele resume o maior obstáculo de desenvolver a nova unidade de potência que equipará a Red Bull a partir de 2026 em uma palavra: velocidade.

“É difícil entender a expectativa até você estar dentro disso. Você tem uma ideia e pensa: ‘sim, eu consigo fazer isso’. Mas aí, quando você entrega algo, fica super satisfeito e pensa: ‘ok, da próxima vez, faça isso em metade do tempo’”, conta.

A parceria técnica com a Red Bull Powertrains, que começou de forma efetiva em 2020, foi desenhada para responder a um calendário apertado, a um teto de gastos rígido e a um regulamento completamente novo de motores para 2026. “A velocidade, honestamente, é o maior desafio e a próxima coisa é a perfeição”, diz Hertrich. Em um ambiente em que milésimos definem corridas, a noção de “tolerância” nas peças praticamente deixa de existir.

Segundo ele, foram cerca de dois anos e meio até que o time adotasse a mentalidade de descartar sem hesitar tudo o que não atinge o padrão desejado. “Sim, isso não é bom o suficiente. Vamos descartar isso.”

DivulgaçãoCarro da Red Bull Racing.

Ao mesmo tempo, a Ford e a Red Bull operam sob o radar constante da FIA por causa do teto orçamentário. Cada hora de engenharia e cada componente entram na conta. “O teto de gastos é um desafio que todos nós precisamos administrar. Então, na Ford, queremos estar totalmente acima de qualquer suspeita”, explica.

Hertrich descreve um sistema quase obsessivo de controle: profissionais da Ford alocados ao projeto são formalmente contratados por meio de ordem de compra da Red Bull, e o tempo de todos é contabilizado em planilhas para posterior cobrança. “Se você está em uma reunião com a gente e oferecendo alguma expertise, isso entra na minha planilha de horas. E então eu vou ter que cobrar da Red Bull o seu tempo. Assim não há nenhuma dúvida por parte da FIA se estamos fazendo algo suspeito.” No fornecimento de peças, a lógica é a mesma: a Ford atua como um fornecedor técnico contratado, com pedidos e faturas.

Para encurtar o caminho até 2026, a resposta da equipe passa por manufatura avançada e modelos digitais de alta performance. Hertrich cita a redução drástica do tempo de fabricação de peças de teste: em vez de esperar 16 dias por um componente protótipo, o uso de tecnologias de impressão 3D já dominadas pela Ford permite fabricar a mesma peça em cinco dias.

No campo virtual, a Ford e a Red Bull desenvolveram modelos de controle que rodam “mil vezes mais rápido que o tempo real” em parceria com engenheiros instalados em Milton Keynes, na Inglaterra. Esses modelos alimentam simuladores que permitem aos pilotos sentir o comportamento do powertrain antes mesmo de o hardware físico existir. Essa inteligência digital se aprofunda na gestão de energia da bateria e dos sistemas de recuperação, como o MGU-K, com ferramentas que funcionam, na prática, como um estrategista em tempo real, definindo quando descarregar ou poupar energia ao longo da volta.

Embora todo o foco esteja na Fórmula 1, Hertrich ressalta que a tecnologia não ficará restrita ao grid de 2026. Os mesmos blocos de construção usados para otimizar o uso de energia e o gerenciamento térmico da unidade híbrida poderão, no futuro, equipar veículos de produção. As estratégias de bateria e de estado de carga refinadas hoje na F1, diz, são a base que “permitirá que uma picape elétrica da Ford reboque por mais distância e carregue mais rápido”.

Por trás de tudo isso está a combinação de dois DNAs vencedores: os 125 anos de história da Ford e as duas décadas de domínio esportivo da Red Bull. A estrutura é descrita por Hertrich como totalmente integrada, com times em Michigan e em Milton Keynes trabalhando de maneira orgânica. “A equipe de lá e a equipe daqui realmente trabalham muito bem juntas. Todo mundo é aberto. Não tem ninguém de mente fechada. Todo mundo traz expertises e experiências diferentes e simplesmente funciona”, afirma.

Até março de 2026, cada avanço em impressão 3D, simulação ou eletrônica de potência será medido não apenas em décimos de segundo, mas em vantagem competitiva acumulada sobre rivais com décadas de experiência contínua na Fórmula 1. Para a Ford, o projeto com a Red Bull é mais do que um retorno à categoria: é um atalho tecnológico que comprime ciclos de desenvolvimento de anos em poucas semanas. E, para Will Ford, quando as luzes se apagarem no grid da Austrália, será também a chance de colocar o Blue Oval “de volta onde ele pertence”.

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