CEO da Tesla, Elon Musk, disse no dia 28 de janeiro que a empresa vai descontinuar a produção do sedã Model S e do SUV Model X, reduzindo a linha a três veículos.
A Tesla reportou receita de US$ 24,9 bilhões no quarto trimestre, cerca de 3,1% abaixo dos US$ 25,7 bilhões do mesmo período do ano anterior e ligeiramente acima dos aproximadamente US$ 24,7 bilhões previstos por analistas. A receita do ano foi de US$ 94,8 bilhões, ante US$ 97,7 bilhões em 2024. O lucro líquido trimestral caiu 61%, para US$ 840 milhões, bem abaixo dos US$ 2,1 bilhões de um ano antes.
“Chegou a hora de basicamente encerrar os programas do Model S e do Model X com uma dispensa honrosa”, disse Musk na teleconferência de resultados do quarto trimestre. As linhas de produção do S/X serão convertidas “em uma fábrica do Optimus [robô]”, acrescentou. Ambos os veículos — especialmente o Model S, lançado em 2012 — ajudaram a impulsionar a ascensão da Tesla à liderança global no mercado de veículos elétricos.
Mas o S e o X já passaram do auge. “O Model S e o Model X eram de ponta quando foram introduzidos, em grande parte porque não havia concorrência”, afirmou Sam Fiorani, analista da AutoForecast Solutions, acrescentando que a concorrência de outras montadoras de EV — como a Lucid e a General Motors, respectivamente — lotou esse espaço.
Vendas do Model S e do Model X despencaram em 2025
As vendas de ambos os modelos descontinuados caíram acentuadamente. As vendas do Model S recuaram 52,6% no acumulado do ano no quarto trimestre, de 12.426 unidades em 2024 para 5.889 em 2025, segundo a Cox Automotive. O Model X teve queda de 34,2% no acumulado do ano, de 19.855 unidades em 2024 para 13.066 em 2025.
Restam o Model 3, o Model Y e a Cybertruck. Vale notar que esta última está longe de “decolar”: as vendas da Cybertruck caíram 48% no acumulado do ano no quarto trimestre em comparação ao ano passado, segundo a Cox.
O que vem a seguir?
A Tesla tem dois veículos a caminho: o Cybercab/Robotaxi de dois lugares e o Roadster de segunda geração. Nenhum deles, porém, substitui o Model S e o Model X. E a popularidade não é garantida.
“Esperamos iniciar a produção em abril”, disse Musk sobre o Cybercab na quarta-feira. “Mas esperamos, com o tempo, fabricar muito mais Cybercabs do que todos os nossos outros veículos combinados”, acrescentou, em seu tom tipicamente otimista.
Esse veículo apenas para passageiros terá dois amplos assentos planos no estilo poltrona e uma grande tela central de 20,5 polegadas. Outros recursos possíveis incluem carregamento indutivo (sem fio), direção autônoma Hardware 5/AI 5, autonomia de quase quilômetros e preço-alvo em torno de US$ 30.000.
E o Roadster de segunda geração? “Esperamos estrear em abril. Vai ser algo de outro mundo”, disse Musk. O esportivo de alto desempenho ficará acima da linha atual e deve ter um preço igualmente “de outro mundo”. Mas esse veículo — mencionado pela primeira vez em 2017 — vem sofrendo atrasos, e persistem dúvidas se uma versão de produção verá a luz do dia.
E então, robôs
O objetivo final de Musk são os robôs — o que significa não apenas os humanoides Optimus, mas também veículos autônomos, que são, essencialmente, robôs sobre rodas. “A Tesla espera se desvincular dos veículos de consumo e migrar para o que acredita serem produtos mais lucrativos, como robôs humanoides e veículos autônomos. Atualizar os envelhecidos Model S e Model X desviaria dinheiro e energia demais para produtos de que ela não precisa mais em sua linha”, disse Fiorani, da AutoForecast Solutions.