Na contagem regressiva para a estreia do novo regulamento da Fórmula 1 em 2026, a Ferrari escolheu um símbolo claro para essa virada de página: o SF-26, 72º carro de F1 produzido pela equipe de Maranello e o primeiro projetado inteiramente para as novas regras que mudam chassi, aerodinâmica e unidade de potência ao mesmo tempo. O modelo estreia no Mundial no dia 8 de março, no GP da Austrália.
Mais leve e com linhas mais limpas, o SF-26 abandona o conceito de efeito solo e parte de uma arquitetura nova, pensada para reduzir peso e ganhar eficiência. A equipe fala em um conceito robusto e flexível, desenhado para ser desenvolvido ao longo da temporada à medida que os dados de pista chegarem.
A ruptura mais profunda está no conjunto híbrido. Sob o nome 067/6, a nova unidade de potência segue o formato V6 turbo, mas com uma filosofia diferente da era 2014–2025. O MGU-H desaparece, o papel do sistema elétrico aumenta e o MGU-K passa a entregar até 350 kW, aproximando o carro de uma divisão de potência próxima de 50/50 entre motor a combustão e parte elétrica.
O pacote inclui turbo único com rotação máxima de 150.000 rpm e uso de combustível 99% sustentável. Segundo Enrico Gualtieri, diretor técnico de power unit, o regulamento não representa uma simples evolução, mas uma mudança de filosofia que exigiu repensar a arquitetura desde o início, com foco em eficiência, integração e gestão de energia, em trabalho conjunto com o time de chassi.
Cor, identidade e nova era técnica
No desenho externo, a Ferrari usa a pintura como fio de continuidade entre passado e futuro. O SF-26 retoma o vermelho brilhante em acabamento gloss, após sete temporadas de pintura fosca. O tom Rosso Scuderia 2026 é descrito como mais intenso e inspirado na pintura especial usada em Monza em 2025, mantendo ligação com o vermelho do início dos anos 2000.
O branco, tradicionalmente usado de forma pontual, ganha mais espaço ao redor do cockpit e na cobertura do motor, criando contraste visual e reforçando a identidade da equipe. A combinação de vermelho e branco é apresentada como um equilíbrio entre raízes e visão adiante.
Macacões e equipamentos dos pilotos seguem a mesma lógica: o vermelho permanece predominante, enquanto o branco aparece nos ombros e na gola, conectando o novo pacote visual a capítulos anteriores da equipe.
Pilotos no centro da gestão de energia
Para Charles Leclerc, as regras de 2026 exigem um nível de preparação maior também dos pilotos, com novos sistemas a entender e otimizar. Ele destaca que a gestão de energia e o comportamento da unidade de potência estarão entre os pontos mais relevantes, em um desafio que começa baseado no instinto e evolui à medida que os dados se acumulam.
Lewis Hamilton classifica o pacote de 2026 como uma das maiores mudanças regulatórias de sua carreira. O foco, diz ele, estará no desenvolvimento conjunto com os engenheiros, na compreensão dos novos sistemas e na capacidade de ajudar a definir a direção de evolução do carro, em um contexto em que o piloto passa a ter papel central na gestão energética.
A ficha técnica do SF-26
Por trás da mudança de linguagem visual, a ficha técnica do SF-26 reforça a dimensão da transição. O chassi é construído em compósito de fibra de carbono em estrutura tipo “honeycomb”, com proteção de halo e assento também em carbono. O carro pesa 770 kg já com fluidos e piloto e usa rodas de 18 polegadas nos dois eixos.
Na parte híbrida, o sistema ERS combina o MGU-K de 350 kW ao novo pacote de baterias, sob as limitações de energia e tensão previstas em regulamento. A integração entre esses elementos e o chassi será medida a partir dos primeiros testes, começando em Barcelona e seguindo para duas sessões no Bahrein, em um calendário em que a Ferrari aposta na coleta metódica de dados para construir, ao longo de 2026, a próxima etapa da sua história na principal categoria do automobilismo.
Com os primeiros testes já iniciados e sessões adicionais no Bahrein, a Ferrari desloca agora o esforço do projeto de prancheta para a validação em pista. Em um contexto técnico novo para todas as equipes, o SF-26 inaugura a etapa mais elétrica da Fórmula 1, com a equipe de Maranello usando o primeiro carro dessa era para testar, na prática, até onde pode ir a integração entre chassi, aerodinâmica ativa e um sistema híbrido com participação elétrica ampliada.