O governo dos Estados Unidos assumirá uma participação de 10% na Intel. A negociação vem em linha com a mudança de direção da empresa, após o presidente americano, Donald Trump, pedir a renúncia do presidente-executivo da Intel, Lip-Bu Tan, por causa de laços “altamente conflituosos” com empresas chinesas.
O apoio dos EUA pode dar à Intel mais espaço para recuperar seus negócios de produção de chips sob encomenda, segundo analistas, mas a empresa ainda enfrenta problemas diante de um portfólio fraco de produtos e desafios para atrair clientes para suas novas fábricas.
Trump, que se reuniu com Tan em 11 de agosto, vem adotando uma abordagem sem precedentes em relação à segurança nacional. O presidente dos EUA pressionou por acordos governamentais multibilionários no setor de chips e terras raras, como um envolvendo a fabricante de processadores de inteligência artificial Nvidia e outro com mineradora de terras raras MP Materials, para garantir minerais essenciais.
Tan assumiu o comando da Intel em março. A companhia teve prejuízo de US$ 18,8 bilhões (R$ 101,9 bilhões) em 2024, o primeiro resultado negativo da companhia desde 1986. O último ano fiscal da empresa com fluxo de caixa livre ajustado positivo foi 2021.
Processo de compra
As ações da Intel serão compradas pelo governo americano com os US$ 5,7 bilhões (R$ 30,8 bilhões) em concessões não pagas da Lei Chips da era Biden e US$ 3,2 bilhões (R$ 17,3 bilhões) concedidos à Intel para o programa Secure Enclave, também concedido pelo antecessor de Trump, o presidente democrata Joe Biden.”Na medida máxima permitida pela lei aplicável”, as obrigações da Intel sob o Chips Act serão consideradas cumpridas, exceto o programa Secure Enclave, de acordo com o documento.
A Intel anunciou nesta segunda-feira (25) que a participação de 10% do governo dos Estados Unidos na fabricante de chips pode representar riscos para seus negócios, desde poder prejudicar vendas internacionais até limitar a capacidade da empresa de garantir futuros subsídios governamentais.
A empresa apresentou os novos “fatores de risco” depois que o governo decidiu converter os subsídios governamentais em uma participação acionária na Intel, a mais recente intervenção extraordinária do governo dos EUA em uma empresa do país.
É incerto se esse acordo pode resultar em outras entidades governamentais tentando converter seus subsídios existentes em investimentos em ações ou se elas podem não estar dispostas a apoiar futuros subsídios, disse a empresa.
A transação deve ser concluída em 26 de agosto. Os negócios da Intel fora dos EUA também podem ser afetados pelo fato de o governo dos EUA ser um acionista importante, pois isso poderia sujeitar a empresa a regulamentações ou restrições adicionais, como leis de subsídios estrangeiros em outros países, segundo o documento.
As vendas fora dos EUA representaram 76% de sua receita para o ano fiscal encerrado em 28 de dezembro de 2024, enquanto a receita da China contribuiu com 29% da receita total.
A empresa também disse que as ações a serem emitidas para o governo dos EUA com um desconto em relação ao preço de mercado atual são diluidoras para os acionistas existentes. O governo está comprando ações da Intel com um desconto de US$ 4,00 (R$ 21,68) em relação ao preço de fechamento das ações da Intel de US$ 24,80 (R$ 134,42) na sexta-feira.
A participação do governo também reduz a influência de voto de outros acionistas, enquanto seus poderes adicionais substanciais sobre leis e regulamentações que afetam a Intel podem limitar a capacidade da Intel de buscar transações que beneficiem os acionistas, disse o documento.