O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto em ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel no sábado, 28, confirmou a mídia estatal iraniana.
Um comunicado no veículo estatal iraniano dizia: “O aiatolá Khamenei, líder supremo da Revolução Islâmica, foi martirizado após um ataque do regime sionista e dos Estados Unidos na manhã de sábado. O gabinete declarou 40 dias de luto público e 7 dias de feriado após o martírio do líder da Revolução.”
A confirmação da morte de Khamenei ocorre após autoridades iranianas negarem os primeiros relatos de Israel de que o líder supremo estava morto.
Em uma mensagem na Truth Social, Trump anunciou que Khamenei “está morto” e se referiu ao líder supremo como “uma das pessoas mais malignas da história”, chamando sua morte de “justiça para o povo do Irã”. Ele disse que os bombardeios no Irã continuarão “pelo tempo que for necessário” para “alcançar a paz no Oriente Médio”.
Trump, respondendo aos relatos de que o líder supremo iraniano Ali Khamenei havia sido morto nos ataques, disse à NBC: “Acreditamos que essa seja uma informação correta.”
Khamenei foi morto durante os ataques aéreos da manhã de sábado no Irã, disse o embaixador de Israel em Washington ao Axios; um porta-voz do ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou à ABC que o líder ainda estava vivo.
Netanyahu disse em uma transmissão que “todos os indícios” mostram que o líder supremo do Irã, Khamenei, “não está mais entre nós”, acrescentando que os ataques ajudarão o povo iraniano a “se libertar da tirania” e pedindo que se “unam por uma missão histórica”.
A parte israelense do ataque foi considerada o “maior sobrevoo militar” da história das Forças de Defesa de Israel, com 200 aviões atingindo mais de 500 alvos em todo o Irã.
O Comando Central dos EUA disse que não houve relatos de mortes ou feridos americanos, acrescentando que os EUA e Israel atingiram “instalações de comando e controle do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, capacidades de defesa aérea iranianas, locais de lançamento de mísseis e drones e bases aéreas militares”.
As ações do governo Trump confundiram o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, que escreveu no X: “Não sei por que o governo dos EUA insiste em iniciar uma negociação com o Irã e depois atacar o Irã no meio das conversas.”
Mais de 200 pessoas foram mortas no Irã, segundo o porta-voz da Crescente Vermelha iraniana, Mojtaba Khaledi, que disse à BBC que 24 das 31 províncias do país foram atingidas, resultando em 747 feridos.
Citando autoridades, a Associated Press informou que cerca de 85 pessoas morreram após um ataque a uma escola primária. A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, disse no X que está em contato com parceiros federais de inteligência e segurança enquanto monitoram possíveis ameaças aos EUA.
“Várias figuras importantes” do regime iraniano foram mortas nos ataques iniciais, disse um oficial militar israelense à BBC.
Um ataque com drone ao Aeroporto Internacional do Kuwait resultou em ferimentos leves em vários trabalhadores, segundo a autoridade de aviação civil do país, que afirmou que a situação “está sob controle”.
Em entrevista à NBC News, Araghchi disse que o Irã está interessado em negociações para desescalada, mas afirmou que uma mudança de regime seria “missão impossível”.
Araghchi disse que “dezenas de crianças inocentes” foram mortas quando um ataque israelense atingiu uma escola primária no sul do Irã, acrescentando que os “crimes contra o povo iraniano não ficarão sem resposta”.
A televisão estatal iraniana disse que o Irã respondeu aos ataques dos EUA e de Israel atacando quatro bases americanas no Oriente Médio, segundo a NBC News; ataques adicionais ocorreram depois, com mísseis disparados nos Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Jordânia.
Trump assumiu a autoria dos ataques, dizendo em um vídeo publicado na Truth Social que o objetivo dos Estados Unidos “é defender o povo americano eliminando ameaças iminentes do regime iraniano”, que ele descreveu como “um grupo cruel de pessoas muito duras e terríveis” cujas “atividades ameaçadoras colocam diretamente em risco os Estados Unidos” e seus aliados.
Contexto
Os ataques ocorrem após meses de escalada no confronto entre Irã e Israel, enquanto autoridades dos EUA alertavam que o programa nuclear iraniano havia avançado além dos limites diplomáticos. Israel e Irã trocaram ataques em junho, culminando com os EUA atingindo instalações nucleares iranianas antes de intermediar um cessar-fogo de meses com apoio do Catar. As tensões voltaram a crescer no final de 2025, quando a economia iraniana entrou em colapso e protestos nacionais foram reprimidos com violência. A rivalidade entre EUA e Irã se intensificou nos últimos anos, especialmente por causa do programa nuclear iraniano.
Reação de republicanos
Thomas Massie, republicano de Kentucky e crítico frequente de Trump, disse que se opõe à guerra: “Isso não é ‘America First’”, em referência ao slogan recorrente de Trump.
Outros republicanos apoiaram Trump, incluindo Lindsey Graham, da Carolina do Sul, que escreveu no X estar “confiante de que essa operação será bem-sucedida e que a libertação do povo iraniano, que sofre há tanto tempo, está próxima”.
O líder da maioria no Senado, John Thune, elogiou Trump por agir contra o Irã, afirmando no X que as “ambições nucleares implacáveis do Irã, seu arsenal crescente de mísseis balísticos e seu apoio contínuo a grupos terroristas na região” representam ameaças aos EUA.
O ex-líder da maioria Mitch McConnell disse que o Irã “não merece simpatia”, afirmando que o regime “se deleita em matar árabes, israelenses e americanos”.
O deputado Rick Crawford, do Arkansas, chefe do Comitê de Inteligência da Câmara, disse que a segurança dos americanos está em jogo por causa das armas nucleares do Irã: “O presidente Trump deu ao Irã muitas oportunidades para seguir o caminho diplomático.”
Reação de democratas
Alguns dos democratas mais influentes condenaram os ataques, incluindo o senador Mark Kelly, do Arizona, ex-capitão da Marinha, que disse que Trump iniciou os ataques sem plano: “Quando lancei minha primeira missão de combate na Operação Tempestade no Deserto, há 35 anos, eu entendia a missão e o objetivo final. O Congresso também. O povo americano também. Esse é o nível mínimo de liderança que este país merece. E Donald Trump falhou novamente nisso.”
A deputada Alexandria Ocasio-Cortez afirmou que levar os EUA a uma guerra pode ser catastrófico: “A violência gera violência. Aprendemos essa lição no Iraque. Aprendemos essa lição no Afeganistão. E estamos prestes a aprendê-la novamente no Irã. Bombas nunca criaram democracias duradouras na região e isso não será diferente.”
O líder da minoria Chuck Schumer disse que o governo precisa informar o Congresso, afirmando que “o Irã nunca deve obter uma arma nuclear”, mas que os americanos não querem outra guerra longa e cara.
John Fetterman apoiou Trump, dizendo que ele “fez o que é certo e necessário para produzir paz real na região”. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, concordou que o Irã precisa de mudança de regime, mas disse que a ação coloca vidas em risco “sem justificativa para o povo americano”.
O governador de Illinois, JB Pritzker, criticou duramente: “Sem justificativa, sem autorização do Congresso e sem objetivo claro. Mas nada disso importa para Donald Trump — e aparentemente também não importam a segurança e a vida dos militares americanos.”
A Opep+ pode aumentar a oferta de petróleo
A Opep+, aliança de países produtores, se reúne neste domingo, 1º, e pode considerar aumentar a produção para 411 mil barris por dia diante do risco de interrupção no fornecimento, segundo a Reuters. O plano original era de 137 mil barris.
Voos cancelados no Oriente Médio
Pelo menos oito países fecharam seus espaços aéreos no sábado, segundo a Al Jazeera.
A Qatar Airways suspendeu temporariamente todos os voos, e a Emirates cancelou voos de e para Dubai.
Até 10h (EST), quase 350 voos foram cancelados em Dubai e cerca de 150 em Abu Dhabi e Bahrein.
Como aliados e rivais dos EUA reagiram
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer disse que há aviões “no céu hoje” no Oriente Médio para proteger o país e aliados, afirmando em discurso: “É vital evitar uma nova escalada e retornar a um processo diplomático”, segundo a BBC.
O Canadá não participa dos ataques, mas o primeiro-ministro Mark Carney disse apoiar os esforços dos EUA: “A posição do Canadá permanece clara: a República Islâmica do Irã é a principal fonte de instabilidade e terror no Oriente Médio, tem um dos piores históricos de direitos humanos do mundo e nunca deve obter ou desenvolver armas nucleares.”
Ursula von der Leyen, chefe da Comissão Europeia, disse que os ataques são “extremamente preocupantes” e convocou reunião de segurança. A Rússia classificou o ataque como “previamente planejado” e “não provocado”, afirmando que viola o direito internacional.
O que Trump disse em seu discurso
Em seu discurso na madrugada de sábado, Trump disse que os EUA e o Irã estão em conflito há quase meio século, chamando o país de “o maior patrocinador estatal do terrorismo do mundo”.
Ele afirmou que o programa nuclear iraniano havia sido “obliterado”, mas que o país continuava desenvolvendo mísseis: “Vamos garantir que o Irã não obtenha uma arma nuclear. É uma mensagem muito simples. Eles nunca terão uma arma nuclear.”
Ele também pediu ao povo iraniano: “Assumam o controle do seu destino. Quando terminarmos, assumam o governo. Ele será de vocês. Esta será provavelmente a única chance de vocês por gerações.”
*Matéria originalmente publicada em Forbes.com