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Forbes Money

Pré-mercado: Dia Promete Copom Otimista e FED Cauteloso

Notícias e indicadores que podem influenciar os preços dos ativos nesta quarta-feira, 17 de junho

4 min

Bom dia. Estamos na quarta-feira, 17 de junho.

Cenários

O mercado financeiro brasileiro acompanha hoje duas decisões centrais para os investimentos do país. O Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia o novo nível da taxa Selic, horas depois de seu equivalente americano, o Federal Open Market Committee (Fomc) divulgar sua decisão sobre os juros nos EUA. Os dois comitês seguem caminhos opostos. O brasileiro caminha para um corte de juros. O americano se prepara para manter a taxa estável, com sinais de cautela redobrada para o segundo semestre.

A expectativa para o Copom mudou de forma abrupta nos últimos dias. Há três dias, a probabilidade de manutenção da Selic em 14,50% ao ano estava em 67,8%. Essa probabilidade caiu para 20,5%. No mesmo período, a chance de corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa a 14,25% ao ano, subiu de 31,4% para 79,0%. A inversão decorre da expectativa de que a trégua entre Irã e Estados Unidos prossiga e mantenha baixo o preço do petróleo.

O barril operava perto de US$ 73 antes do início do conflito, em 28 de fevereiro. Com a guerra, o preço subiu de forma acelerada e chegou a superar US$ 140, o maior valor desde 2008. Nesta quarta-feira, os contratos de julho do petróleo do tipo Brent, referência para o mercado internacional e para a Petrobras, operam a US$ 79,15 o barril, o menor nível desde 4 de março e abaixo do importante “nível psicológico” de US$ 80 por barril. A queda reflete o acordo preliminar de cessar-fogo anunciado por Washington e Teerã na semana passada, que prevê isenção de cobrança no estreito de Ormuz por 60 dias e abre caminho para novas negociações que podem encerrar a guerra de forma definitiva.

Mesmo com o petróleo mais baixo, as projeções de inflação seguem subindo nas sucessivas edições do Relatório Focus. O IPCA esperado para 2026 já passa de 5%, acima do teto da meta de 4,5%. Ainda assim, os investidores esperam um corte de juros. A leitura predominante entre os analistas é a de que o choque energético perde força com a trégua, abrindo espaço para o Banco Central (BC) retomar o corte interrompido pela piora recente da inflação.

No caso do Fomc, o cenário é o oposto. A expectativa de manutenção dos juros americanos na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano é quase unânime. Ao longo do último mês, essa probabilidade oscilou entre 97,3% e 99,6%. Não há, neste momento, espaço para corte de juros nos Estados Unidos.

Nas últimas semanas, os investidores passaram a atribuir uma probabilidade maior ao início de um ciclo de alta de juros no segundo semestre pelo Federal Reserde (FED), o banco central americano. O motivo é a inflação americana, que segue persistente e acima da meta de 2%. O índice de preços ao consumidor subiu para 4,2% em maio, depois de 3,8% em abril, o maior nível desde abril de 2023. Energia foi o principal fator de pressão, com reflexo direto do choque do petróleo provocado pela guerra entre Irã e Estados Unidos.

Além da energia, dois fatores adicionais pressionam os preços. O primeiro é a tarifa imposta pelo governo Trump a parceiros comerciais, parte da qual já é repassada ao consumidor final. O segundo é a redução da força de trabalho disponível, resultado do endurecimento das políticas contra imigrantes em situação irregular.

Setores como construção civil, agricultura e serviços dependem fortemente de mão de obra imigrante, e a queda na oferta de trabalhadores pressiona salários e preços. Não há, no curtíssimo prazo, perspectiva de mudança nessas duas frentes, tarifas e imigração, o que reforça entre os investidores a leitura de uma política monetária americana mais dura adiante.

Perspectivas

A grande expectativa do mercado para esta quarta-feira está na entrevista coletiva de Kevin Warsh. É a primeira coletiva do novo presidente do FED depois de uma reunião do Fomc. Investidores querem saber se Warsh vai sinalizar a favor ou contra essa leitura de juros mais altos no segundo semestre. A resposta deve definir o tom dos mercados globais até a próxima reunião do comitê americano.

Indicadores

BRASIL

IBC-Br (Abr)

Esperado: + 0,60%

Anterior: – 0,70%

Taxa de juros Selic

Esperado: 14,25%

Anterior: 14,50%

ESTADOS UNIDOS

Vendas no varejo (Mai)

Esperado: 0,5%

Anterior: 0,5%

Núcleo das vendas no varejo (Mai)

Esperado: 0,6%

Anterior: 0,7%

Discurso de Donald Trump

Decisão dos Fed Funds

Esperado: 3,50% – 3,75%

Anterior: 3,50% – 3,75%

Coletiva de Kevin Warsh

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