O Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) que dissolveu seu governo de fato em Gaza e sinalizou que está pronto para passar o poder a um grupo de tecnocratas palestinos, ao mesmo tempo em que pressiona Israel a cumprir outras partes de um plano de paz apoiado pelos Estados Unidos que está paralisado.
A promessa do grupodeencerrar o órgão que supervisiona os ministérios — que está em funcionamento há maisdeuma década — era uma parte fundamental doplanopara umaGazapós-guerra traçado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, após o iníciodeum frágil cessar-fogo com Israel em outubro.
OHamasafirmou que os próprios ministérios e os funcionáriosporele nomeados permaneceriam em seus cargos e que continuaria supervisionando a segurança e o policiamento nas áreasdeGazaque permaneceram sob seu controle após a trégua mediada pelos EUA.
O ConselhodePaznomeadoporTrump, criado para monitorar oplano, afirmou ter tomado nota da medida doHamas. Mas acrescentou que “em última instância, nossa avaliação será orientadaporações, nãoporpromessas, para atender às necessidades críticas da populaçãodeGaza”.
Não houve comentário imediatoporpartedeIsrael, país que oHamasacusoudeviolar repetidamente o cessar-fogo edenão cumprir outras partes doplano, que prevê a retirada das forças israelensesdeGazaà medida que oHamasdepõe as armas.
O pequeno enclave costeiro permanece em ruínas maisdedois anos e meio após o início do último conflito emGaza,desencadeado pelos ataques doHamasa Israel em 7deoutubrode2023.
OHamasse recusou adeporas armas até que Israel suspenda os ataques emGaza, o mais recente dos quais matou cinco pessoas na segunda-feira, segundo profissionaisdesaúdeno enclave. Israel afirma que seus ataques emGazadesdeo cessar-fogo têm como objetivo neutralizar ameaças militantes.
Em uma coletivadeimprensa na CidadedeGazana segunda-feira, Ismail Al-Thawabta, diretor do escritóriodemídia dogovernodoHamas, disse que o chefe do órgãodefiscalização “ComitêdeEmergência doGoverno” havia renunciado e que o próprio órgão havia sido dissolvido.
Isso é “umademonstração da seriedadedessas medidas, na implementação dos acordos firmados, e para facilitar o processodetransição administrativa” para o Comitê Nacional para a AdministraçãodeGaza, apoiado pelos EUA, disse Thawabta.
Deacordo com oplanoapoiadoporTrump, oHamasdeve transferir a supervisão dogovernopara um Comitê Nacional para a AdministraçãodeGaza, um grupodetecnocratas palestinos apoiado pelos EUA.
O chefedesse Comitê Nacional, Ali Shaath, disse que seu comitêde15 membros estava pronto para assumir sua responsabilidadeemGazaassim que “os recursos necessários e as condições propícias para seu trabalho estivessem disponíveis”.
“Os requisitos fundamentais para o sucesso da comissão são a existênciadeuma única autoridadee uma única lei sob um quadrodereferência claro, e um único Exército sujeito a essa autoridade”, escreveu Shaath em uma postagem em sua página do Facebook.