Com a audiência do comércio eletrônico espalhada entre diferentes plataformas, o Magalu decidiu avançar dentro e fora do próprio aplicativo. Nesta quarta-feira, 2, o grupo fechou um acordo para vender 27 mil produtos de estoque próprio no Mercado Livre e lançou o Magalu Delivery no app do Magazine Luiza, com pedidos de refeições, mercado, farmácia e conveniência.
Os anúncios desta quarta-feira, 2, chegam após um trimestre de queda nas vendas digitais. Entre abril e junho, o e-commerce do Magalu recuou 11,9% na comparação anual. Após a divulgação dos comunicados, as ações da varejista subiram muito. Perto das 14h, as ações MGLU3 subiam mais de 22%.
Com o acordo, cerca de 27 mil produtos do Magazine Luiza, do KaBuM! e da Época Cosméticos passam a ser oferecidos no Mercado Livre. O catálogo inclui móveis, eletroeletrônicos, games, produtos de informática, cosméticos e perfumaria.
Todos os pedidos serão entregues pelo Magalog, operador logístico do grupo. “A audiência do e-commerce brasileiro está cada vez mais pulverizada, com várias plataformas disputando a atenção dos clientes”, afirma Frederico Trajano, CEO do Magalu. Segundo ele, a parceria permitirá acelerar as vendas online ao somar o alcance dos canais próprios ao de outras plataformas.
O acordo não é exclusivo. Segundo o comunicado, há possibilidade de ampliação da parceria para a área logística. Uma das frentes em estudo é o uso das lojas do Magalu como pontos de retirada e devolução de mercadorias vendidas por parceiros do Mercado Livre.
O Magalog também poderá realizar entregas de produtos com mais de 30 quilos, como geladeiras, fogões e móveis. Essas operações ainda não estão confirmadas.
O Mercado Livre encerrou o segundo trimestre com 89 milhões de compradores ativos na América Latina, alta de 26% em um ano. No Brasil, a quantidade de produtos vendidos cresceu 56%, segundo a divulgação de resultados da companhia.
A resposta para a queda no online
A parceria coloca em prática um plano apresentado pelo Magalu aos investidores em agosto. No segundo trimestre, as vendas totais do grupo caíram 5,1%, para R$ 14,5 bilhões.
O e-commerce movimentou R$ 9,3 bilhões, queda de 11,9%. As vendas online do estoque próprio, conhecidas como 1P, recuaram 11,5%, para R$ 5,8 bilhões. O marketplace do grupo caiu 12,6%, para R$ 3,6 bilhões.
As lojas físicas tiveram desempenho melhor, com alta de 10,3%, para R$ 5,2 bilhões.
O Magalu registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões, ante lucro de R$ 1,8 milhão no mesmo período de 2025. No critério contábil, a perda foi de R$ 72,5 milhões, de acordo com o balanço do segundo trimestre.
Na teleconferência dos resultados, Trajano disse que o ambiente online estava mais competitivo e menos racional. A companhia decidiu concentrar os esforços nos canais em que consegue crescer com margem positiva, ainda que perca participação no comércio eletrônico.
“No curtíssimo prazo, a forma que encontramos para retomar o crescimento do online é através de parcerias com plataformas terceiras”, afirmou o CEO na conferência de resultados.
Trajano reconheceu que uma venda feita em outra plataforma é menos rentável do que uma compra orgânica nos canais próprios. Ainda assim, afirmou que o retorno pode ser maior do que o obtido com clientes atraídos por anúncios no Google ou na Meta.
O cliente conquistado em outro marketplace também permanece ligado à plataforma parceira. Por isso, segundo o executivo, cada venda precisa ser rentável desde o início.
Do AliExpress ao Mercado Livre
O Magalu começou a levar seu estoque para outros marketplaces antes do acordo com o Mercado Livre. Em junho de 2024, a varejista anunciou uma parceria com o AliExpress.
O Magalu passou a vender produtos de estoque próprio na plataforma brasileira do grupo chinês. Em troca, itens da linha Choice, do AliExpress, foram incluídos nos canais digitais da varejista. A parceria foi divulgada por meio de um comunicado ao mercado.
Em junho deste ano, o Magalu também começou a vender na Amazon. O primeiro mês completo da operação foi julho. Trajano disse que o resultado inicial ficou acima das expectativas, mas não apresentou valores.
A empresa mantém ainda acordos com Americanas, Itaú Shopping e Livelo. O plano do grupo para 2026 prevê ampliar as vendas de estoque próprio em plataformas parceiras, desde que as operações sejam rentáveis.
Comida dentro do aplicativo
O Magalu não está entrando agora no setor de delivery. O grupo atua nesse mercado desde 2020, quando comprou o aiqfome, aplicativo criado em Maringá, no Paraná.
A novidade é a integração dessa operação ao aplicativo do Magazine Luiza. O Magalu Delivery permite fazer pedidos de refeições, produtos de mercado, medicamentos e itens de conveniência, com entregas em até 60 minutos.
O serviço está sendo liberado aos poucos em mais de 400 cidades de Minas Gerais, Paraná e São Paulo. O aplicativo do aiqfome continuará funcionando como um canal separado.
Para os estabelecimentos cadastrados, o Magalu Delivery abre uma nova vitrine. Os cardápios e catálogos também poderão ser exibidos aos usuários do aplicativo do Magazine Luiza nas cidades atendidas.
A empresa pretende aumentar a frequência de compras em seu app. Móveis, eletrodomésticos e eletrônicos são adquiridos em intervalos maiores. Refeições, medicamentos e produtos de mercado entram mais vezes na rotina do consumidor.
Segundo o Magalu, seu aplicativo tem mais de 50 milhões de usuários ativos por mês.
“O novo serviço une a inteligência logística e o histórico de consumo dos usuários do aiqfome à escalabilidade e à base de milhões de clientes do Magalu”, afirma Igor Remigio, CEO do aiqfome.
Alcance de 1.170 cidades
O aiqfome desenvolveu um sistema que reúne aplicativos regionais de delivery. Por meio dele, os estabelecimentos podem administrar cardápios, preços, disponibilidade e pedidos em um único ambiente.
Além do aiqfome, o grupo reúne Plus Delivery, Quero Delivery, Uai Rango, pede.ai, Aiboo, Qfome, Pedidos10 e Amo Ofertas.
As nove plataformas alcançam 1.170 cidades e somam 55 mil estabelecimentos ativos, segundo a companhia. Esse é o alcance da rede de aplicativos, não a cobertura atual do Magalu Delivery, disponível inicialmente em mais de 400 municípios.
O Magalu não informou o investimento feito no projeto, as taxas cobradas dos estabelecimentos nem estimativas de vendas e receitas.
Magalog cresce
Além de entregar os produtos vendidos no Mercado Livre, o Magalog quer conquistar mais clientes fora do grupo.
No segundo trimestre, o número de pedidos entregues para clientes externos cresceu 15%. O aumento do volume ocupa a malha logística e reduz o custo por entrega, segundo a companhia.
O Magalog também foi homologado como parceiro logístico da Amazon. O Magalu informou que a operação poderá acrescentar centenas de milhares de pacotes por mês. Os resultados financeiros do contrato ainda não foram divulgados.