1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Jorge Paulo Lemann Aos 87 Anos e Patrimônio de R$ 103,5 Bilhões É o Terceiro Homem Mais Rico do Brasil
Forbes Money

Jorge Paulo Lemann Aos 87 Anos e Patrimônio de R$ 103,5 Bilhões É o Terceiro Homem Mais Rico do Brasil

Terceiro colocado na Lista Forbes Bilionários Brasileiros 2026, o cofundador da 3G Capital viu o patrimônio crescer 17,61% em um ano, impulsionado pela recuperação das ações ligadas à AB InBev

5 min

O carioca que quase virou tenista profissional é hoje o terceiro brasileiro mais rico. Jorge Paulo Lemann, cofundador da empresa de private equity 3G Capital, ocupa a terceira colocação na Lista Forbes Bilionários Brasileiros 2026 com patrimônio de R$ 103,5 bilhões, um acréscimo de 17,61% na comparação com o ano anterior. Ele fica atrás apenas de Eduardo Saverin, com R$ 162,9 bilhões, e de Vicky Safra e família, com R$ 130,6 bilhões.

A recuperação é expressiva porque veio depois de um ano ruim. Na edição de 2025, Lemann havia registrado queda de 4,2%, com fortuna estimada em R$ 88 bilhões. A lista considera as ações listadas em bolsa com base na cotação de fechamento de 30 de junho de 2026.

Lemann nasceu no Rio de Janeiro em 26 de agosto de 1939. Seu pai era suíço e chegou ao Brasil no começo do século XX, montando em Resende uma fábrica de laticínios, a Lemann & Company, a Leco. O filho estudou economia em Harvard e, antes de virar banqueiro, foi atleta de alto rendimento. Foi campeão brasileiro juvenil aos 17 anos, sagrou-se campeão brasileiro cinco vezes e disputou a Copa Davis por Brasil e pela Suíça.

A carreira nos negócios chegou em 1971, quando Lemman comprou uma corretora de pequeno porte no Rio de Janeiro. A corretora se tornou um banco, o Garantia, descrito por nós como uma versão brasileira do Goldman Sachs. O Garantia foi vendido ao Credit Suisse em 1998, após um ano ruim, um dos poucos de sua história.

Foi ali que se formou uma das parcerias mais importante do Brasil: Lemann, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira, na década de 1970. A compra do controle majoritário das Lojas Americanas pelo trio ocorreu em 1982. A rede de varejo funcionou como o primeiro grande laboratório do trio para desenvolver uma cultura de metas agressivas e corte radical de despesas, metodologia que anos mais tarde moldaria a criação da Ambev.

A Ambev

Em 1989, o Garantia comprou a Brahma e dez anos depois a fusão da Companhia Antarctica com a Cervejaria criou a Ambev.

Em 2004, a Ambev se fundiu com a belga Interbrew, que deu origem ao conglomerado Anheuser-Busch InBev, hoje uma das maiores produtoras de cerveja do mundo. Lemann é acionista controlador da AB InBev além de deter participações em conglomerados internacionais como a Restaurant Brands International, dona de Burger King e Tim Hortons.

É essa base que explica boa parte do salto patrimonial de 2026 do império da cerveja, as ações da Ambev tiveram um ano atípico na B3, os papéis da empresa saltaram 15,3% em 5 de maio, após o balanço do primeiro trimestre, na segunda maior alta de sua série histórica, alcançando o maior fechamento desde abril de 2018. As ações avançavam mais de 23% no acumulado do ano.

A 3G Capital e os negócios americanos

A 3G Capital foi fundada em 2004 por Lemann, Sicupira e Telles, e foi por meio dela que o trio se associou a Warren Buffett e à Berkshire Hathaway, em 2013, para comprar a Heinz (a operação que desembocou na megafusão de 2015, avaliada em US$ 46 bilhões, que uniu Kraft e Heinz).

O desfecho foi menos glorioso que o roteiro por que a 3G vendeu sua participação de 16,1% na Kraft Heinz, após nove anos de investimento, encerrando a posição em 2023.

Em 2025, a própria Kraft Heinz anunciou sua divisão em duas empresas, desfazendo em parte a fusão original, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2026 e Buffett se declarou frustrado com a separação.

O capítulo mais recente da 3G Capital foi o anuncio da compra da fabricante de calçados Skechers por US$ 9,4 bilhões, pagando US$ 63 por ação em dinheiro, prêmio de 28% sobre o fechamento anterior. Essa operação foi concluída em 12 de setembro de 2025, quando as ações deixaram de ser negociadas na Bolsa de Nova York.

A crise com a Americanas

Nenhum episódio marcou tanto a reputação do trio quanto a crise na varejista: o novo CEO, na época, descobriu um rombo contábil de R$ 20 bilhões no balanço divulgado em janeiro de 2023, referente a exercícios anteriores, com dívidas de aproximadamente R$ 40 bilhões.

Segundo a CVM, a companhia pediu recuperação judicial para reestruturar dívidas de R$ 25 bilhões, recebeu R$ 12 bilhões dos acionistas de referência, converteu outros R$ 12 bilhões de dívida em ações e emitiu debêntures para cobrir o restante.

Lemann, Sicupira e Telles afirmaram publicamente, em janeiro de 2023, que jamais tiveram conhecimento e nunca admitiriam manobras ou dissimulações contábeis na companhia.

A Americanas pediu a saída da recuperação judicial em 25 de março de 2026, sob o argumento de que cumpriu as obrigações do plano enquanto credores apresentaram manifestações contrárias ao encerramento, alegando pagamentos incompletos e atrasos.

Vida longe dos negócios e legado

Fora dos balanços, Lemann construiu uma agenda de educação quando criou em 1991 a Fundação Estudar, que financia estudos de jovens em instituições de prestígio. Em 2002, veio a Fundação Lemann, voltada à qualidade da educação pública brasileira.

O bilionário vive desde 1999 fora do país, quando depois de uma tentativa de sequestro de seus filhos, mudou-se com a família para a Suíça, onde reside até hoje.

Aos 87 anos, Lemann segue sendo o nome mais associado ao modelo de gestão que exportou o Brasil corporativo para o mundo. Ele é um dos 37 bilionários naturais do Rio de Janeiro na lista de 2026, estado que soma R$ 600,8 bilhões em patrimônio, e integra um grupo de 255 brasileiros que acumulam cerca de R$ 1,86 trilhão.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.