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Como Moradores Salvaram Cinemas Centenários da Demolição nos Estados Unidos

Palácios cinematográficos como o Coronado, Emery e Tivoli sobrevivem graças ao esforço comunitário e campanhas milionárias de preservação

5 min

Para os cinéfilos americanos, 1927 seria um ano marcante não apenas pela estreia de “O Cantor de Jazz”, de Al Jolson, o primeiro filme a apresentar som. O período também ficaria na memória por inaugurar uma série de palácios cinematográficos destinados a se tornar ícones. Entre eles estavam o gigantesco Roxy Theatre, com 5.920 lugares, em Nova York; o luxuoso Chicago Theatre, na “Cidade dos Ventos”; e o Grauman’s Chinese Theatre, em Los Angeles.

Perdido em meio ao alvoroço provocado pelas inaugurações desses cinemas estava um palácio cinematográfico não menos importante para sua cidade natal: o Coronado, no centro de Rockford, em Illinois.

O Coronado receberia posteriormente em seu palco nomes da realeza do show business, de Frank Sinatra e Louis Armstrong a Judy Garland e George Gershwin. Mas o que também ajudaria a transformar o teatro em um patrimônio cívico querido pela população seria seu interior ornamentado, inspirado em castelos espanhóis, mansões italianas e serpentes chinesas.

Um século depois, o Coronado está entre os últimos exemplares sobreviventes de sua espécie. O palácio deve sua longevidade ao grupo de moradores de Rockford de personalidade forte que se uniu há quase três décadas para garantir que o edifício fosse salvo da demolição.

O grupo se mobilizou em torno de um teatro que havia passado anos em decadência, liderando uma campanha público-privada que arrecadou US$ 18,5 milhões (cerca de R$ 94,35 milhões) para sua restauração. Um quarto de século após sua reabertura, em 2001, muitos desses defensores da preservação continuam apoiando o Coronado. A eles se juntou uma nova geração de defensores da comunidade, líderes cívicos e voluntários dedicados a conduzir o teatro para sua próxima era.

O Coronado não está sozinho. Diversos outros cinemas centenários continuam em funcionamento nos Estados Unidos, cada um com sua própria história rica e singular para contar.

Uma fuga planejada

Salvar o Coronado não foi uma tarefa simples. A Friends of The Coronado, organização dedicada à preservação do teatro, primeiro precisou garantir a proteção do edifício e, depois, convencer os proprietários do cinema, então fechado e negligenciado, de que era possível, de fato, trazê-lo de volta à vida. Os esforços de captação de recursos foram ajustados para assegurar que houvesse dinheiro suficiente para tornar o palácio restaurado seguro, acessível e fiel às suas características históricas. “O Coronado Theatre é um lugar único”, afirma Mary Ann Smith, presidente emérita da Friends of The Coronado.

“Com o passar dos anos e à medida que a cidade crescia e mudava, o teatro não mudou. Ele foi projetado para ser uma fuga do mundo real da Main Street. Bastava atravessar a soleira da porta para encontrar magia. Agora, com uma programação diversificada e comodidades modernas, os moradores vêm ao Coronado para se divertir e celebrar… Para alguns de nós, é uma viagem ao passado. Para as gerações mais jovens, é um lugar de encantamento e admiração, além de uma breve pausa diante da ansiedade de vidas aceleradas e complexas.”

Outros exemplos

Ainda mais antigo que o Coronado é o Emery Theatre, em Cincinnati, que foi inaugurado em 1911 e recentemente passou por uma ampla reabilitação, tornando-se a sede permanente do Children’s Theatre of Cincinnati.

Com métodos criativos de preservação, como a recriação de elementos históricos de gesso por meio de técnicas de escaneamento digital, o projeto recebeu o Preservation Champion Award de 2026 da Cincinnati Preservation, ao demonstrar como teatros históricos podem ser adaptados com sucesso para atender às necessidades das próximas gerações.

Outro cinema com mais de 100 anos é o Tivoli Theatre, em Chattanooga, no Tennessee, inaugurado em 1921 e que passa por uma reforma desde 2022. Mais de US$ 27 milhões (cerca de R$ 137,7 milhões) em subsídios e contribuições privadas foram destinados ao investimento total de US$ 75 milhões (cerca de R$ 382,5 milhões) na renovação. Com a reabertura oficial prevista para 20 de outubro, a ocasião será marcada por um show de Billy Strings.

“O Tivoli conecta gerações de moradores de Chattanooga por meio de uma apreciação compartilhada pelas artes cênicas, e sua restauração também vai gerar demanda recorrente na região central da cidade, como mostram nossos estudos de impacto econômico e de mercado”, afirma Nick Wilkinson, CEO do Tivoli Theatre. “Para Chattanooga, o projeto é uma declaração de que uma cidade sulista de médio porte pode combinar preços acessíveis e beleza natural com ambição cultural de padrão mundial.”

Matéria publicada originalmente em Forbes.com

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