O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, após ultrapassar os 209 mil pontos no melhor momento, em pregão de correção na bolsa paulista.
O cenário eleitoral continuou dominando o foco dos investidores, com nova pesquisa reforçando a disputa apertada na corrida eleitoral. Mas a temporada de balanços também ocupou as atenções com uma recepção negativa aos números de terceiro trimestre da WEG.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,86%, a 206.495,23 pontos, após marcar 209.244,71 na máxima do dia, registrada nos primeiros negócios. No pior momento, chegou a 205.988.
O volume financeiro no pregão somou R$38,6 bilhões.
A piora do Ibovespa seguiu a divulgação de pesquisa Quaest, pelo jornal O Globo, com queda na vantagem numérica do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o segundo turno da eleição presidencial.
O levantamento mostrou Flávio com 45% das intenções de votos e Lula com 44%, ainda em empate técnico. Na pesquisa anterior, há uma semana, Flávio aparecia com 46% e Lula registrava 44%.
Após a euforia inicial do primeiro turno, com Flávio à frente de Lula, o Ibovespa tem oscilado sem uma direção única, com investidores ajustando as posições antes do resultado das urnas no próximo domingo.
“O Ibovespa, definitivamente e sem dúvida, está reagindo ao noticiário político”, afirmou o head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, Lucas Xavier. “Quanto mais provável o cenário de reeleição, mais cauteloso fica o mercado.”
Na visão de Xavier, até o fim desta semana, o mercado deve mostrar um movimento “mais lateral”.
“Acredito que não haverá grandes movimentos de alocação em um cenário tão próximo da eleição. Imagino que o mercado como um todo aguarde os resultados para fazer as movimentações necessárias em seus portfólios”, afirmou.
Dados atualizados da B3 também mostraram uma saída líquida de capital externo no último dia 19, levando o saldo positivo acumulado no mês para R$19,98 bilhões, de R$20,99 bilhões até o dia 16.
O começo da safra de balanços do Brasil pouco animou, com WEG figurando entre as maiores perdas no dia, após um resultado ligeiramente abaixo das expectativas. Na quinta-feira, o destaque fica para os números do Bradesco sobre o terceiro trimestre, que serão divulgados após o fechamento do mercado.
Estrategistas da XP afirmaram que suas estimativas apontam para uma temporada fraca, com desempenho mais positivo concentrado em poucos setores, notadamente óleo e gás e saúde, enquanto mineração e siderurgia e varejo foram apontados como destaques negativos.
A correção negativa do Ibovespa contrastou com o viés em Wall Street, onde o S&P 500 fechou em alta de 0,58%, com os resultados trimestrais da SpaceX e da Super Micro Computer alimentando o interesse por ações ligadas à inteligência artificial.
Destaques
- WEG ON tombou 7,34% após balanço do terceiro trimestre mostrar lucro líquido de R$1,67 bilhão e Ebitda de R$2,35 bilhões, ligeiramente abaixo de previsões de analistas. Analistas do UBS BB chamaram a atenção principalmente para a queda em margens da companhia.
- HAPVIDA ON desabou 8,48%, mais do que devolvendo a alta da véspera, quando fechou em alta de 7,55%. No mês, o papel ainda acumula um ganho de 31%.
- BTG PACTUAL UNIT caiu 1,41%, em dia sem tendência única para o setor, após desempenho robusto na véspera. BRADESCO PN, que divulga balanço no final da quinta-feira, cedeu 0,15% e BANCO DO BRASIL ON recuou 0,41%, enquanto ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,2% e SANTANDER BRASIL UNIT valorizou-se 0,9%.
- PETROBRAS PN cedeu 0,79%, em sessão sem direção definida dos preços do petróleo no exterior. No fechamento, o barril sob o contrato Brent registrou variação positiva de 0,03%, a US$108,82.
- VALE ON caiu 2,15%, em dia também negativo para o setor no exterior, tendo como pano de fundo variações modestas dos futuros do minério de ferro na China. Analistas do UBS BB reiteraram a recomendação neutra para as ações da mineradora brasileira e reduziram o preço-alvo dos papéis para R$73, ante R$77.
- TOTVS ON avançou 2,78%, caminhando para o quarto pregão seguido de alta, ajudada nessa sessão pelo movimento positivo do setor de tecnologia no exterior.
Dólar tem leve variação positiva após pesquisa mostrar distância menor entre Flávio e Lula
Após recuar nas três sessões anteriores, o dólar fechou a quarta-feira com leve variação positiva ante o real, após uma nova pesquisa da Quaest mostrar o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto, mas com uma diferença menor nas intenções de voto.
O dólar à vista encerrou com alta de 0,18%, a R$5,0272. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,41%.
Às 17h15, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 0,04% na B3, aos R$5,0335.
A moeda norte-americana exibiu perdas ante o real nas sessões anteriores em meio à percepção no mercado de que Flávio segue à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto para o segundo turno, ainda que várias pesquisas indiquem empate técnico entre os dois.
Por trás do movimento está a leitura de que com Flávio no Planalto crescem as chances de um maior controle das contas públicas — mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.
Nesta quarta-feira a nova pesquisa da Quaest confirmou que Flávio segue numericamente à frente — mas com uma margem menor, de apenas 1 ponto-percentual. De acordo com o levantamento, Flávio soma 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. Brancos, nulos e pessoas que não vão votar somam 9% e os indecisos são 2%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
No levantamento anterior, da semana passada, a vantagem de Flávio era de 2 pontos percentuais.
Após a divulgação dos números o dólar se manteve próximo da estabilidade, mas no início da tarde passou a exibir leves altas, em meio às dúvidas sobre o resultado da disputa presidencial.
Após marcar a cotação mínima de R$5,0125 (-0,11%) às 9h19, antes da divulgação da Quaest, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,0426 (+0,49%) às 14h35, já após a pesquisa e em um momento em que a moeda norte-americana também havia ganhado força no exterior.
No fim da tarde, o dólar ainda exibia altas ante pares do real como o peso mexicano, o peso chileno e o peso colombiano.
Às 17h06, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — caía 0,11%, a 101,680.
No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central do Brasil vendeu 75.000 contratos de swap cambial para rolagem de 3 de novembro.