As campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) escolheram São Paulo para os últimos atos antes do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4). As agendas estão previstas para sábado (3), véspera da votação.
Maior colégio eleitoral do país, São Paulo tem 34,1 milhões de eleitores e representa uma parcela relevante do eleitorado do Sudeste. Na reta final da disputa, as duas campanhas concentram esforços no estado, mas em regiões diferentes. Lula estará na capital, enquanto Flávio participará de uma carreata no interior.
O presidente fará uma caminhada pela região da Avenida Paulista ao lado de Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo. Também são esperadas as candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). O encerramento da campanha na capital paulista segue uma tradição para o PT. Em 2022, Lula também realizou seu último ato antes do primeiro turno na Paulista.
A escolha de São Paulo também ocorre em um estado onde Lula foi derrotado no segundo turno de 2022. Na ocasião, o petista teve 44,8% dos votos válidos, contra 55,2% de Jair Bolsonaro (PL), uma diferença de 2,7 milhões de votos.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, fará uma carreata pelo interior paulista. O trajeto terá início em Santa Bárbara d’Oeste e terminará em Americana, na região de Campinas. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputa a reeleição, participará do ato.
O interior de São Paulo tem histórico de maior apoio a candidatos de direita e centro-direita. Desde a redemocratização, em 1989, o estado elegeu principalmente governadores alinhados a esse campo político.
A proximidade entre Lula e Flávio nas pesquisas levou as campanhas a direcionar os últimos esforços para grupos do eleitorado considerados importantes para ampliar a votação.
Lula busca preservar sua vantagem entre mulheres e católicos e avançar no Sudeste e no Nordeste. Flávio, por outro lado, procura aumentar seu desempenho entre evangélicos e mulheres. Integrantes de sua campanha também avaliam haver espaço para ampliar a diferença em relação a Lula no Sudeste e reduzir a distância no Nordeste.
A pesquisa Quaest divulgada em 28 de setembro mostrou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34% de Flávio. Em uma simulação de segundo turno entre os dois, ambos registraram 42%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 24 e 27 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Os candidatos ainda podem realizar atos no sábado, mas a legislação eleitoral estabelece que comícios e reuniões públicas podem ocorrer até as 22h da véspera da eleição.
Caminhada na Avenida Paulista
A realização da caminhada de Lula e Haddad na Avenida Paulista entrou em disputa nos últimos dias. A Prefeitura de São Paulo informou que não autorizou o evento inicialmente marcado para sábado, a partir das 10h, alegando determinação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) para manter a via desimpedida nos dias 3, 4, 24 e 25 de outubro.
A decisão da prefeitura se baseia na necessidade de garantir a circulação de servidores, equipamentos, mesários, equipes de apoio e eleitores durante o período eleitoral. O PT, porém, mantém a programação do ato. Segundo o partido, a caminhada seguirá pela região da Paulista e pela Rua Augusta até a Praça Roosevelt.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) faz campanha para Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro.
Religião e mulheres entram na reta final
A última semana da campanha também foi marcada pela disputa em torno de temas religiosos e pela busca de apoio entre as mulheres.
Publicações nas redes sociais atribuíram a Flávio Bolsonaro e a outros políticos de direita uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O conteúdo ganhou repercussão e foi explorado por aliados e apoiadores de Lula. O episódio também levou a uma nova circulação de uma transmissão ao vivo feita por Flávio em agosto, na qual ele afirmou que, se eleito, decretaria que o Brasil é do Senhor Jesus.
Flávio é evangélico e apresenta maior intenção de voto entre os eleitores dessa religião, enquanto Lula se declara católico e tem maior apoio entre os católicos. A diferença passou a aparecer também nas estratégias dos dois candidatos.
Depois da repercussão envolvendo Nossa Senhora Aparecida, Flávio participou de um podcast católico e, durante uma agenda de campanha, levantou uma imagem da santa. A estratégia ocorre em um contexto no qual o protestantismo não cultua santos como acontece no catolicismo. Lula também passou a utilizar imagens de Nossa Senhora Aparecida em agendas pelo país, buscando se aproximar do eleitorado católico.
Outro episódio que ganhou repercussão na reta final envolveu uma declaração de Lula sobre exames preventivos para o câncer de próstata. Durante um comício em Belém, no Pará, o presidente afirmou que homens seriam resistentes ao exame de próstata e fez uma comparação com os exames ginecológicos realizados por mulheres.
Flávio Bolsonaro reagiu nas redes sociais e classificou a declaração como machista e preconceituosa. O PT, por sua vez, afirmou que Lula havia se referido aos exames ginecológicos preventivos que fazem parte da rotina de cuidados com a saúde da mulher.
A disputa por esses segmentos do eleitorado ocorre nos últimos dias antes da votação, quando as campanhas concentram as agendas em regiões e grupos considerados relevantes para a composição dos votos no primeiro turno.