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Vietnã Supera China Como Principal Fonte de Importações de Aço do Brasil

De 266 mil toneladas de produtos siderúrgicos planos adquiridos, 176 mil vieram do Vietnã

3 min

O Vietnã superou a China em setembro como principal origem de importações de aços planos pelo Brasil, após medidas antidumping tomadas nos últimos meses contra Pequim restringirem o fluxo de material chinês que chegava aos portos brasileiros, segundo dados apresentados nesta quinta-feira (22) por distribuidores do produto.

Das 266 mil toneladas de aços planos importadas pelo Brasil em setembro, 176 mil vieram do Vietnã, segundo dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda).

Enquanto isso, o Brasil importou da China cerca de 25 mil toneladas no mês passado, ante 135,5 mil trazidas do país em setembro de 2025, quando o Vietnã nem aparecia na lista das 15 principais origens de importações brasileiras de aço plano compilada pela entidade.

“Está havendo uma série de negócios com o Vietnã em que os importadores se juntam para trazer material para o Brasil”, disse o presidente do Inda, Carlos Loureiro, a jornalistas. “Isso já está começando a azeitar. Os números mostram que o Vietnã está muito firme no Brasil”, acrescentou.

No acumulado do ano, a China ainda é a principal origem das importações de aços planos pelo Brasil, com participação de 40,5% e um volume de 933,46 mil toneladas, quase o volume anual de um alto-forno de uma usina siderúrgica nacional. Mas o Vietnã aparece em seguida, com fatia de 20,4% que corresponde a 470,2 mil toneladas, segundo os dados do Inda.

“Se entrar com ação antidumping contra o Vietnã, a medida é para um ano, um ano e meio para vir algum resultado”, disse Loureiro, citando que o crescimento do Vietnã nas importações brasileiras ocorre mesmo com o produto vendido pelo país ser em média US$50 mais caro que o chinês.

Em setembro, os distribuidores de aços planos, que costumam ser responsáveis por cerca de um terço das vendas das usinas siderúrgicas nacionais, tiveram queda de 7,2% na comercialização sobre um ano antes, para 336 mil toneladas. No acumulado do ano, o setor amarga recuo de 2,1% nas vendas ante os primeiros nove meses de 2025, para 2,92 milhões de toneladas, segundo os dados do Inda.

“A gente sente bastante retração de mercado (interno) em função da importação de produtos com aço, que é o grande desafio do Brasil”, disse Loureiro, referindo-se a importações de produtos como carros, máquinas, eletrodomésticos.

Os distribuidores terminaram o mês passado com estoques de 1,18 milhão de toneladas, 8,8% acima do verificado um ano antes. O maior volume é de laminados a quente, 741 mil toneladas, segundo os dados do Inda.

Para outubro, a expectativa da entidade é de estabilidade nas vendas ante setembro.

O cenário, segundo Loureiro, mantém dificuldades para as usinas siderúrgicas nacionais elevarem seus preços até o final do ano, um período que ainda traz sazonalidade mais fraca.

O executivo afirmou que o principal desafio de quem sair vitorioso da votação presidencial neste final de semana será adotar medidas que permitam “trabalhar mais rápido a queda da taxa de juros”.

“O que segura investimento são os juros. Essa taxa de 13,75% (da Selic) é impeditiva para qualquer investimento”, afirmou o presidente do Inda, defendendo mudança de governo para permitir uma queda mais rápida da taxa de juros.

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