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China e Índia Impulsionam Alta de 117% na Importação de Tratores no Brasil

Entrada de máquinas asiáticas cresce enquanto vendas internas de tratores recuam 14,1% até agosto

2 min

As importações de tratores agrícolas da China avançaram 117% de janeiro a setembro de 2026 no Brasil, alcançando cerca de 5,2 mil unidades, segundo levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No mesmo período, a Índia empatou em volume com os chineses e, juntos, os dois países responderam por 93% dos tratores importados. O movimento ocorre em meio ao encolhimento de 14,1% nas vendas do mercado interno até agosto, que totalizaram 27 mil unidades no varejo.

O avanço dos equipamentos estrangeiros ganhou força nas licitações públicas promovidas pelo governo. Dados do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) indicam que dois em cada três tratores comprados pelo setor público em 2025 vieram do exterior. Das 10,6 mil máquinas agrícolas e rodoviárias licitadas no ano anterior, com movimentação de R$ 3,7 bilhões, as marcas chinesas ficaram com 33,5% das unidades e 26% do valor global, somando R$ 960,0 milhões.

Poder público e custo operacional

O setor industrial manifestou preocupação quanto aos critérios adotados nos certames estatais. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, enfatiza que a análise de compras públicas precisa ir além da aquisição imediata.

“Uma máquina não termina sua relação com o comprador no momento da entrega. É um ativo que precisa operar por muitos anos, e isso depende de peças, assistência técnica, manutenção e capacidade de atendimento. Nas licitações, é importante considerar o custo total de propriedade, e não apenas o menor preço de aquisição”, afirma Igor Calvet.

A retração no consumo doméstico decorre da menor rentabilidade no campo. O aumento da inadimplência no crédito rural de pessoas físicas, que alcançou 9,7% em agosto segundo o Banco Central, e a Selic mantida em 13,75% ao ano desestimulam renovações de frotas. Na contramão, a construção civil sustenta a procura por máquinas rodoviárias. Para os fabricantes locais, as pressões sobre custos operacionais de componentes plásticos, com elevação de 4% a 7% por tributações e tarifas antidumping, reduzem as margens diante dos concorrentes externos.

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