Embraer espera converter cartas de intenção de Farnborough

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Além disso, Embraer está “avançando bastante” na elaboração dos contratos para venda do controle de sua divisão de jatos comerciais para a Boeing

A Embraer espera converter em pedidos firmes grande parte das cartas de intenção de compra de aviões da empresa assinadas durante a feira britânica de aviação de Farnborough, afirmou hoje (31) o vice-presidente financeiro da empresa, Nelson Salgado.

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Segundo o executivo, essa conversão em pedidos firmes deverá elevar a carteira de pedidos até o final deste ano. A Embraer assinou na feira britânica, há duas semanas, cartas de intenção envolvendo até 300 aviões, dos quais 100 unidades do modelo E-175 para a norte-americana Republic Airways, que ainda acertou direitos de compra de mais 100.

Salgado afirmou ainda que a Embraer está “avançando bastante” na elaboração dos contratos definitivos para venda do controle de sua divisão de jatos comerciais para a norte-americana Boeing. A empresa assinou memorando de entendimento com a Boeing no início deste mês.

A conclusão do negócio depende ainda de aprovação de autoridades que incluem o governo brasileiro e acionistas das empresas. Na véspera, a Embraer informou que é alvo de uma ação popular que pede suspensão das negociações com a Boeing. O processo foi proposto pelos deputados petistas Paulo Pimenta (RS), Carlos Zarattini (SP), Nelson Pellegrino (BA) e Vicente Cândido (SP).

As ações da Embraer subiam cerca de 3% às 10h48, revertendo perdas do começo da sessão, enquanto o Ibovespa tinha valorização de 0,82%.

Salgado afirmou que a Embraer não considera que um incidente ocorrido em maio durante testes em um dos protótipos do cargueiro KC390 possa afetar as perspectivas para o acordo com a Boeing.

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A empresa divulgou hoje que a entrega do primeiro cargueiro para a Força Aérea Brasileira (FAB) passou deste ano para 2019 em função do incidente, que também obrigou a empresa a reconhecer um estorno de cerca de US$ 100 milhões em receita que derrubou o faturamento da unidade no segundo trimestre.

“Não vemos o incidente como algo que possa significar algo negativo para a Embraer, faz parte da vida neste tipo de negócio”, disse Salgado durante teleconferência com jornalistas. Ele explicou que episódio com o protótipo, em que o avião saiu da pista de testes sofrendo danos em trens de pouso e na fuselagem, fez a empresa usar o primeiro modelo que seria entregue à FAB para concluir os testes do avião e que, por isso, a primeira aeronave a ser despachada para a FAB será a quarta montada pela companhia.

“O protótipo dois continua voando normalmente. Ele fez seis demonstrações de voo em Farnborough. [O incidente] foi uma questão operacional relacionada ao planejamento do ensaio e isso está demonstrado pela utilização do avião”, disse Salgado.

Sobre descontentamentos manifestados por alguns acionistas minoritários sobre o acordo com a Boeing, o executivo afirmou que a transação, em que a companhia norte-americana terá 80% da divisão de aviação comercial da Embraer, “vai trazer ganhos operacionais e vai beneficiar todos os acionistas”.

“Não há cenário de oferta pública de aquisição ou alteração de controle da Embraer na nossa interpretação”, acrescentou.

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