Dólar recua 1,74% e volta a R$ 3,85

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Moeda interrompe seis altas consecutivas com alívio da tensão comercial

O dólar interrompeu uma sequência de seis altas consecutivas e recuou hoje (12), terminando em R$ 3,85, acompanhando o melhor humor no mercado internacional em dia de trégua nas preocupações com a guerra comercial após declarações de Donald Trump sobre um acordo com a China.

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A moeda norte-americana recuou 1,74%, a R$ 3,8524 na venda, maior queda percentual diária desde o recuo de 2,35% ocorrido em 8 de outubro, dia seguinte ao primeiro turno das eleições deste ano.

Na mínima, a moeda foi a R$ 3,8367 e, na máxima, a R$ 3,9012. O dólar futuro tinha baixa de cerca de 1,30%.

“O noticiário internacional abriu espaço para muitos investidores estrangeiros diminuírem parte da sua posição comprada [que aposta na alta] em dólar, o que garantiu o forte recuo da moeda no Brasil”, explicou um profissional da mesa de derivativos de uma corretora local.

Nas últimas semanas, os investidores aumentaram suas posições compradas em dólar em sintonia com o avanço das preocupações com a guerra comercial entre Estados Unidos e China, e com a desaceleração econômica mundial, movimento que içou as cotações locais e foi amplificado pela sazonalidade do período, com as emissões de recursos de empresas a suas matrizes no exterior.

Hoje, no entanto, declarações mais suaves de Donald Trump sobre as relações comerciais com a China despressurizaram o mercado e garantiram a forte queda do dólar ante o real.

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Em entrevista à Reuters, Trump afirmou que estão ocorrendo negociações com Pequim por telefone e que ele não elevará as tarifas sobre importações chinesas até que esteja certo sobre um acordo.

O presidente norte-americano também afirmou que vai intervir no caso do Departamento de Justiça contra a executiva da chinesa Huawei Technologies se for do interesse da segurança nacional ou se ajudar a fechar um acordo comercial.

Um tribunal canadense concedeu ontem (11) fiança à vice-presidente financeira da Huawei enquanto ela aguarda audiência de extradição para os EUA.

À tarde, a possibilidade de um acordo entre União Europeia e Itália em relação ao orçamento do país também reforçou a lista de boas notícias, bem como a possibilidade da primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, conseguir se manter no cargo após o pleito do voto de censura à sua liderança.

A Itália concordou em reduzir sua meta de déficit orçamentário a 2,04% do PIB, de 2,40% inicialmente e, depois disso, acredita na aprovação do orçamento pela UE.

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A libra se valorizava com essa expectativa em torno de May, e o dólar caía ante a cesta de moedas e ante divisas de países emergentes, como o peso chileno.

Internamente, agradou ao mercado a informação dada na véspera pelo deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN), futuro secretário da Previdência no governo Jair Bolsonaro, de que buscará a aprovação de uma reforma previdenciária nos seis primeiros meses do novo governo.

Os investidores também monitoraram a sessão extraordinária do Tribunal de Contas da União (TCU) para avaliar o processo de revisão do contrato de cessão onerosa entre governo e Petrobras. O TCU, no entanto, pediu mais documentos, adiando a sua decisão para 2019.

“O TCU já deu parecer favorável à revisão do contrato da cessão onerosa sem aval do Congresso, onde o projeto emperrou, depois que Estados e municípios entraram na roda para levar uma parte dos recursos”, lembrou mais cedo a corretora H.Commcor em relatório.

O BC vendeu nesta sessão 13,83 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 5,532 bilhões do total de US$ 10,373 bilhões que vence em janeiro. Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final da semana que vem, terá feito a rolagem integral.

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