Pesquisa brasileira sobre hidroxicloroquina contra coronavírus pode ter resultado em 2 semanas, diz médico

Yves Herman/Reuters

Médico que lidera pesquisa sobre o medicamento contra a malária ressaltou que é necessária cautela sobre a hidroxicloroquina

Resultados iniciais de um estudo clínico brasileiro sobre um tratamento para o novo coronavírus baseado em uma combinação de medicamento contra a malária e antibiótico podem ocorrer dentro de duas semanas, disse ontem (25) o médico líder do estudo.

Ele ressaltou, porém, que é necessária cautela sobre o medicamento que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou de potencial “divisor de águas” contra a pandemia.

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A análise da hidroxicloroquina, que está sendo liderada pelo Hospital Albert Einstein, em São Paulo, em conjunto com outros hospitais brasileiros, começou na segunda-feira (23) e está testando a eficácia do medicamento em combinação com o antibiótico azitromicina em pacientes com a Covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus.

Trump e o presidente Jair Bolsonaro têm promovido a hidroxicloroquina e a relacionada cloroquina como possíveis tratamentos para infecções por coronavírus, enquanto tentam amenizar as preocupações com o vírus e proteger suas economias das consequências da pandemia.

Não existem vacinas ou tratamentos aprovados para a doença, então, mesmo os pacientes mais graves, recebem em grande parte apenas cuidados de suporte, como assistência respiratória.

Os médicos são encorajados por relatos informais de que a combinação dos dois medicamentos é eficaz. A hidroxicloroquina é uma droga antimalária e anti-inflamatória usada para tratar doenças autoimunes. Outros estudos estão analisando a hidroxicloroquina por si só, enquanto a Organização Mundial da Saúde está coordenando um estudo global sobre a cloroquina.

“Por enquanto é só ‘wishful thinking’, tanto dele quanto do Trump”, disse Luiz Vicente Rizzo, médico do Hospital Albert Einstein, em entrevista, se referindo a Bolsonaro.

“Daqui algumas semanas, se tudo der certo, com um pouco de sorte nós vamos conseguir responder se funciona primeiro, para quem funciona depois, e em que condições funciona”, declarou. “Eu torço muito que funcione, e em todo mundo.”

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A linha do tempo de Rizzo parece contradizer Bolsonaro, que disse no Twitter ontem (25) que os resultados poderiam ser divulgados nos próximos dias.

“O tratamento … mostrou-se eficaz em pacientes que agora estão sendo tratados. Nos próximos dias, esses resultados podem ser apresentados ao público, trazendo a atmosfera necessária de tranquilidade e serenidade para o Brasil e o mundo”, afirmou.

Ontem, o Ministério da Saúde informou que passará a utilizar a cloroquina no tratamento de casos graves de infecção pelo novo coronavírus, acrescentando que o medicamento não deve ser usado fora de ambientes hospitalares.

Trump foi criticado por alguns cientistas por apoiar o uso ainda não comprovado da droga. Um médico sênior da força-tarefa da Casa Branca contra o coronavírus, Anthony Fauci, disse que embora Trump tivesse um “sentimento” de que seria eficaz, são necessários mais dados.

Os perigos de tal promoção ficaram claros no início desta semana, quando um homem no Arizona morreu após ingerir fosfato de cloroquina – um produto de limpeza de aquário semelhante ao medicamento nomeado por Trump.

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