PIB brasileiro cresce 1,1% em 2019, em linha com projeções do mercado

Nelson Ishikawa/GettyImages
Economia do Brasil mostrou estagnação no primeiro trimestre de 2019 e avançou 0,5% no segundo trimestre

A economia brasileira registrou em 2019 o desempenho mais fraco em três anos ao crescer 1,1%, terminando o ano com fortes perdas de investimento e levantando dúvidas sobre a atividade em 2020 em meio a potenciais danos provocados pelo coronavírus.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil mostrou desaceleração em relação à taxa de expansão de 1,3% em 2018 e 2017, de acordo com os dados divulgados hoje (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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O ano passado foi marcado por um ritmo fraco da atividade. A economia cresceu 1,7% no quarto trimestre sobre um ano antes. Mas frente aos três trimestres imediatamente anteriores o PIB desacelerou a alta para 0,5%, igualando expectativa em pesquisa da Reuters.

Esse resultado representou piora na comparação com o terceiro trimestre, quando o PIB cresceu 0,6%. Mas logo no início do ano o crescimento já havia tropeçado, em meio ao rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), o que gerou temores de recessão técnica.

A economia do Brasil mostrou estagnação no primeiro trimestre de 2019 (depois de também variação zero no último trimestre de 2018) e avançou 0,5% no segundo trimestre.

“No fechamento do ano o PIB perdeu força, e isso tem a ver com a composição da indústria. Tivemos perda de exportação em 2019 diferente de 2018, e ainda o impacto da extrativa (com Brumadinho)”, resumiu a economista do IBGE Rebeca Palis.

O ano passado também deixou como assinatura a aprovação da reforma da Previdência, considerada crucial para organizar as contas públicas, mas terminou deixando dúvidas sobre o avanço de outras, como a tributária e a administrativa. Esta última, inclusive, teve seu envio prometido ainda no ano passado, mas não foi apresentada ao Congresso até o momento.

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Por outro lado, a inflação fraca e a queda da taxa de juros ajudaram nos gastos dos consumidores e devem continuar assim em 2020.

INVESTIMENTOS

O IBGE mostrou que, do lado das despesas, o que sustentou o crescimento em 2019 foi a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida de investimento, e as despesas das famílias, com crescimentos de 2,2% e 1,8%, respectivamente.

“O consumo das famílias cresceu pelo terceiro ano seguido, puxado por crédito, Selic menor e liberação do FGTS. Mas é importante destacar que a inserção no mercado se deu majoritariamente por informais e o câmbio desvalorizando afeta o consumo das famílias, além das incertezas locais e mundiais”, completou Rebeca.

Entretanto, somente no quarto trimestre a FBCF apresentou recuo de 3,3% sobre os três meses anteriores, mostrando uma virada nos investimento após resultados positivos nos dois trimestres anteriores.

As despesas das famílias tiveram aumento de 0,5% no quarto trimestre, abaixo da taxa de 0,7% entre julho e setembro.

SERVIÇOS

Do lado da produção, Agropecuária e Serviços cresceram cada um 1,3% no ano, enquanto a indústria expandiu apenas 0,5%, igualando o desempenho de 2018.

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“Quem puxou o PIB foi agro e serviços, sendo que serviços cresceu menos, de 1,5% em 2018 para agora 1,3%, e isso explica o crescimento menor do PIB esse ano”, afirmou Rebeca.

Na indústria, o setor de construção se destacou no ano passado com aumento de 1,6%, primeiro resultado positivo após cinco anos. Por outro lado, o incidente da Vale em Brumadinho levou a indústria extrativa a uma contração de 1,1% em 2019.

A indústria desacelerou o crescimento no quarto trimestre para 0,2% (ante os três meses anteriores), contra 0,8% antes, e a agropecuária apresentando contração de 0,4%, depois de ter crescido 1,4% no período anterior.

O destaque positivo foi o aumento de 0,6% em serviços, melhor resultado no ano na base de comparação trimestral. Os serviços respondem pela maior parte do PIB.

EXPORTAÇÕES

Depois da perda de vigor no final de 2019, o que estimula cautela, 2020 começa com fortes incertezas sobre os impactos do coronavírus na economia mundial e da China, com o comércio sob os holofotes, já que o país asiático é a maior parceira comercial do Brasil.

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No ano passado, as exportações de bens e serviços do Brasil encolheram 2,5%, enquanto as importações tiveram aumento de 1,1%.

O cenário também traz dúvidas no âmbito nacional com as reformas e o câmbio, após o dólar bater sucessivos recordes.

As edições mais recentes da pesquisa Focus realizada pelo Banco Central vêm mostrando sucessivas revisões para baixo na expectativa para o PIB este ano. O mercado vê agora crescimento de 2,17% na atividade econômica em 2020.

Já a equipe econômica irá revisar a projeção de crescimento do PIB deste ano para baixo, mas a taxa não ficará abaixo de 2%, ante expectativa de 2,4% hoje, segundo o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida.

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