Após 300 “nãos”, empreendedor lança startup de US$ 1 bi

Reprodução/Forbes
Depois de falhar, Henry Ward aprendeu os segredos do bom empreendedorismo

Resumo:

  • Henry Ward é o CEO e fundador da Carta, uma startup de grande sucesso que arrecadou centenas de milhões de dólares dos principais capitalistas de risco;
  • Depois de falhar, Henry aprendeu os segredos do bom empreendedorismo;
  • Atualmente, a startup conta com escritórios em sete cidades ao redor do mundo, incluindo o Rio de Janeiro.

A jornada do empreendedorismo pode ser mais do que uma maratona. Saber quando desistir ou quando persistir é uma arte. Definir quando aumentar o financiamento é praticamente um jogo. Henry Ward é um empresário que sabe muito sobre tudo isso.

LEIA MAIS: 9 famosos que faliram antes de ficar milionários

Em sua entrevista exclusiva para o “DealMakers Podcast”, ele descreve como lançou mais de uma empresa, levantou US$ 147,8 milhões de investidores e oferece a sua visão sobre a arte do empreendedorismo.

Henry Ward é o CEO e fundador da Carta, uma startup de grande sucesso que arrecadou centenas de milhões de dólares das principais empresas de capital de risco. Mas nada disso foi fácil e o caminho foi longo.

Como um ciclista apaixonado, Ward mudou-se para Paris para andar de bicicleta e fazer seu mestrado em financiamento do mercado de capitais. Logo foi recrutado por empresas nos Estados Unidos, onde trabalhou para várias desenvolvedoras de software por quase oito anos, incluindo a Trilogy e a SAP. Depois disso, tomou finalmente seu caminho rumo à área da baía de São Francisco, na Califórnia.

O empreendedor começou então sua própria empresa, a Secondsight, um conjunto de ferramentas para banqueiros de investimento e investidores de varejo que tentavam descobrir o que fazer com o dinheiro da aposentadoria.

VEJA TAMBÉM: 7 empreendedores dão dicas para gerenciar o estresse

Apesar de todo o esforço dedicado ao negócio, Ward fracassou, mesmo depois de conseguir um financiamento de US$ 500 mil. Esse termo de compromisso dependia do levantamento de outros US$ 250 mil, para fechar a rodada. Mas esse valor nunca apareceu. Ward estabeleceu um prazo difícil e, caso não conseguisse clientes ou levantasse o restante do dinheiro, desistiria. Ele acabou desistindo.

O grande problema era que, depois de ter sentido o gostinho do empreendedorismo, ele já não conseguia mais se imaginar fazendo outra coisa. Mas tinha certeza de que não queria voltar a trabalhar para outra pessoa. Hoje, Ward é extremamente grato por aquele fracasso, pois, sem ele, jamais estaria dirigindo sua startup hoje.

Depois de passar vários meses em busca de novas ideias, Ward perdeu a empolgação. Foi então que um investidor, que havia se oferecido para apoiar seu empreendimento anterior, trouxe a ideia do que viria a se transformar na eShares e, em seguida, na Carta.

Três segredos para o sucesso inicial

Nós aprendemos tanto com o fracasso que ele pode nos ajudar a seguir em frente e atingir o próximo patamar. Após sua primeira tentativa de startup, Ward sabia o que não fazer nos primeiros 18 meses da nova empresa. Contudo, tinha certeza do que era essencial: estar rodeado de engenheiros de produto competentes, saber lidar com os ajustes do mercado e aprender a falar com os investidores.

Se tivesse que recomeçar, Ward afirma que passaria muito mais tempo pensando e analisando uma ideia antes de investir nela. Segundo ele, deve-se gastar muito tempo conversando com clientes em potencial, mas também com investidores, para definir e refinar o modelo de negócios, a estratégia de conquista dos consumidores e a defesa da empresa.

E AINDA: Conheça a empreendedora que deixa influenciadores ricos

Ainda assim, com todo o planejamento, a forma com a qual você vai do ponto A ao Z pode ser, muita das vezes, algo desconhecido. Descobrir isso é uma das partes mais empolgantes de ser um empreendedor.

Captação de recursos

Henry descreve o processo de captação de recursos como um desafio para os empresários. Um campo de treinamento ou de fogo que você tem que atravessar sozinho.

O investimento inicial da Carta foi de US$ 1,8 milhão. A Série D, por sua vez, foi de US$ 80 milhões. Um total de US$ 147,8 milhões já foram levantados até o momento. Os investidores incluem a Meritech, a Tribe Capital, a Union Square Ventures, a Spark Capital e a Menlo Ventures.

Hoje, a Carta conta com 500 funcionários em sete escritórios nas cidades de São Francisco, Palo Alto, Seattle, Salt Lake, Nova York, Nova Jersey e Rio de Janeiro.

LEIA TAMBÉM: 14 erros cometidos por empreendedores iniciantes

No entanto, Ward diz que houve muitos dias difíceis e muitos “nãos”. Talvez umas 70 desistências de investidores anjos só na Série A. Ele falou com mais de 30 fundos antes de obter um único termo de compromisso. E tudo isso apenas nessa startup. Na anterior, ele conta que passou por cerca de 200 abandonos de investimento.

Mas, então, o que mudou? Como deixar para trás uma série de recusas e conquistar investidores?

Ward teve que mudar sua área de captação de recursos da Califórnia para Nova York, onde estavam os investidores. Ele aprendeu que o segredo não está em convencer os donos do dinheiro, mas sim em encontrar investidores que amem sua ideia. Entendeu que precisa haver um investidor líder que divulgue o acordo para outros possíveis investidores. E aprendeu mais sobre o processo de vendas.

Mas a persistência também ajuda, claro. A arte é saber exatamente quando e como continuar ou quando e por que desistir.

Você não pode se perder em sua função atual. Como diz Reid Hoffman, cofundador do Linkedin, sempre que você está levantando dinheiro, é preciso se concentrar em como será seu próximo passo.

VEJA MAIS: A empreendedora que quase morreu e hoje faz história

Ainda assim, com todos esses milhões, pode-se dizer que um dos dias mais importantes para Henry Ward foi quando ele conseguiu poucos dólares de seu primeiro cliente. Ele diz que esse primeiro pagamento demorou um mês, logo depois do lançamento do API (interface de programação de aplicações) do Stripe. A equipe estava trabalhando no Natal, apenas para fazê-lo funcionar, para que assim pudessem receber os primeiros pagamentos com cartão de crédito.

Em 10 de janeiro, uma empresa em Austin, Texas, pagou US$ 120 para emitir seus primeiros cinco ou seis certificados de ações. A equipe ainda estava cruzando os dedos, observando o registro de saída do Stripe para ver se eles recebiam ou não. A Carta alavancou a partir daí.


Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube

Copyright Forbes Brasil. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, total ou parcial, do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, impresso ou digital, sem prévia autorização, por escrito, da Forbes Brasil ([email protected]).