Conheça a história da BlaBlaCar, plataforma de caronas de US$ 1 bilhão

Reprodução/Forbes
Frédéric Mazzela tinha um amor inicial por música e física, mas foi nos negócios que encontrou seu legado

Resumo:

  • Frédéric Mazzella trilhou um caminho entre a música, a matemática, e a física até finalmente chegar no empreendedorismo, semente que gerou a BlaBlaCar; 
  • O empreendedor teve muitas ideias no campo empresarial, mas apenas uma o cativou a ponto de levar em frente o projeto; 
  • Além de contar sua história, Frédéric dá algumas valiosas dicas de como lidar com as ideias nos negócios.

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Frédéric Mazzella levantou centenas de milhões de dólares para construir uma startup de mobilidade de bilhões de dólares, a BlaBlaCar, que carrega mais passageiros que companhias aéreas internacionais e grandes serviços ferroviários.

O fundador não apenas construiu uma empresa incrível por conta própria, mas também investiu em dezenas de outras startups e no ecossistema empreendedor.

Ele recentemente apareceu como convidado no podcast Dealmakers. Durante a entrevista exclusiva, Mazzella compartilhou suas ideias sobre negócios, criação de startups, captação de recursos e outros assuntos.

Arte e ciência por trás dos negócios

Frédéric Mazzela nasceu e cresceu no centro da costa atlântica da França.

O país, como grande parte da Europa, não tem sido tradicionalmente tão empreendedora quanto os EUA. Apesar de isso estar mudando. Recursos investidos em startups aumentaram quase 100% entre 2018 e 2019, de € 3,5 bilhões para € 6 bilhões.

Mazzela não teve a vantagem desse campo crescente quando começou, mas tinha o amor pela música e pela física.

Para ele, tudo começou tocando piano (embora também saiba manejar violino, violão e bateria). Foi a paixão pela música que o levou a se mudar para Paris e frequentar um conservatório enquanto ainda estudava matemática e física.

Ele descobriu que tocar música é um recurso incrível no meio empreendedor. Como Mazzela pontuou, quando se está tocando profissionalmente para uma audiência, a reação e a resposta do público são instantâneas. Se você erra uma nota, isso fica muito alto e claro. Você não pode se dar ao luxo de cometer erros.

No entanto, o empresário focou nos estudos de exatas porque achou que sempre seria fácil voltar para a música se precisasse. Ele amava o mundo analítico e teórico da matemática como uma forma de entender, a partir de fórmulas, o mundo real. Uma visão que se mostrou fundamental ao lançar sua primeira startup.

A possibilidade de empreendedorismo

O mundo de Mazzela mudou quando ele foi para os EUA estudar na universidade de Stanford. Ele ficou genuinamente impressionado com o ambiente de empreendedorismo na Califórnia. Uma diferença gritante em comparação ao que estava acostumado na França.

Ele acordou para o fato de que o empreendedorismo era um caminho possível. Antes disso, mesmo em escolas internacionais ótimas, ele achava que as pessoas só eram moldadas para se juntarem a um projeto existente ou a uma grande companhia.

Durante seu tempo de estudo em Stanford, Larry Page e Sergey Brin estavam deixando o campus para começar o Google. Muitos outros estudantes da Stanford de uniram ao Google e a outras startups, sem nem sequer terminarem seus mestrados ou doutorados.

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Era uma nova era, quando estudantes muito inteligentes começaram a perceber que não precisavam ter um diploma em mãos para conseguir empregos interessantes em startups e fazer as coisas acontecerem.

Após completar seus estudos em Stanford, Mazzela se tornou assistente de pesquisa na Nasa.

O nascimento da BlaBlaCar

Durante um feriado de Natal, tentando voltar para casa em Vendée, de Paris, Mazzela percebeu que estava muito atrasado para conseguir uma passagem de trem.

Ele, então, ligou para a sua irmã pedindo uma carona salvadora. O trem passou por eles no caminho, lotado de passageiros. Foi quando, ao olhar para os carros a sua volta, percebeu que os veículos estavam teoricamente vazios. Milhares, talvez milhões de lugares vazios.

Ele percebeu que ninguém havia classificado formalmente. Na época, não era possível procurar esses lugares vagos pelos mecanismos de busca da internet. O empresário se perguntou, então, por que não fazer de todos esses assentos disponíveis um banco de dados de fácil acesso? Ele passou as 72 horas seguintes tentando solucionar esse enigma. Por que isso não existe ainda?

Com o sentimento de que poderia usar mais de seu conhecimento empresarial para executar essa ideia, Mazzela entrou em uma das escolas de negócios mais respeitadas do mundo, o Instituto Europeu de Administração de Empresas, para fazer seu MBA e se preparar melhor para a jornada que tinha a seguir.

O caminho para o status de unicórnio

A visão continua a mesma, mas o modelo de negócios mudou um pouco. Hoje em dia, a BlaBlaCar é uma plataforma para compartilhar meios de transporte nas estradas. Além de ser um serviço de caronas que conecta motoristas com lugares vagos e passageiros para compartilharem seus custos de viagem, ele também oferece o BlaBlaBuses, serviço de viagens de ônibus em longas distâncias ao redor da Europa

A partir de 2019, a penetração da BlaBlaCar chegou a mais de 50% em Paris, França. São 80 milhões de usuários em 22 países, e 450 pessoas no quadro de colaboradores.

Neste ano, até agora, 50 milhões de pessoas já viajaram com a BlaBlaCar ou o BlaBlaBus. Para colocar em perspectiva, isso é dez vezes o número de passageiros da linha ferroviária Eurostar e 2,5 vezes a quantidade de clientes da British Airways.

Só em 2018, eles economizaram 1,6 milhões de toneladas de gás carbônico mais do que todas as emissões de todo o tráfego rodoviário em uma cidade do tamanho de Paris.

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Mazzela e seus co-fundadores, Nicolas Brusson e Francis Nappez, levantaram mais de US$ 400 milhões para expandir sua empresa. Investidores como Accel, Index Ventures, Insight Partners, Cabiedes & Partners, ISAI, Grape Arbor, VC, Vostok New Ventures e Lead Edge Capital são apenas alguns dos nomes inclusos no negócio.

A BlaBlaCar vale hoje mais de US$ 1 bilhão. No caminho dessa conquista, o storytelling teve papel de grande importância. É possível capturar a essência do negócio em 15 a 20 slides. Tome o modelo de apresentação de Peter Thiel, lenda do Vale do Silício. Thiel foi o primeiro investidor anjo no Facebook com um cheque de US$ 500 mil, que se transformou em mais de US$ 1 bilhão em dinheiro.

Ideias de negócio poderosas

Antes da BlaBlaCar, Mazzela tinha outras 25 ideias de negócios. Nenhuma delas o cativou o bastante para que ele realmente lutasse. A ideia da BlaBlaCar era tão poderosa que causava até insônia em seu criador. E seu cérebro não o permitiu dormir um pouco até ele realmente começar a codificar a solução.

Hoje, seu conselho para os aspirantes \no mundo dos negócios é não hesitar em falar sobre a sua ideia para alguém que esteja disposto a ouvir e para quem você acredita que pode oferecer uma boa opinião. Ele diz que empreendedores tendem a ser um pouco paranoicos com ideias novas. Dizem: “Essa é uma ideia boa. Não quero que ninguém saiba sobre isso.”

Mas 90% ou 99% do valor que criado com uma startup está na execução da ideia. Não importa se alguém quer copiar você. Essas pessoas ainda precisam de tempo, pesquisas e energia e ainda fazer melhor.

 

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