Como DJ Khaled superou o medo de avião para faturar US$ 67 milhões em dois anos

DJKhaled/ DimitriosKambourisGettyImages
O DJ Khaled encontrou no nascimento do filho Asahd o incentivo que faltava para vencer o trauma de viagens aéreas

Resumo:

  • Uma experiência de turbulência ainda nos anos 2000 fez Khaled desistir de usar aviões como meio de transporte para a carreira;
  • Ele se acostumou a viajar com um ônibus de tour e passar dias nas estradas dos Estados Unidos;
  • O nascimento do filho Asahd foi o que motivou o rapper a enfrentar os traumas para conciliar carreira e família;
  • O artista planeja viajar para a Europa e outros países para estar em contato com os fãs que não assistem suas apresentações há mais de dez anos;
  • O novo mercado de shows e contratos internacionais pode fazer com que Khaled se torne um bilionário.

Essa é uma manhã típica de Los Angeles na vida de DJ Khaled: depois de se levantar em sua casa de Beverly Hills e tomar um café da manhã de latte de abóbora com leite de amêndoa, preparado por seu chef pessoal, Khaled caminha lentamente para os fundos da casa para fazer telefonemas à beira da piscina. “Meu quintal é o meu escritório”, diz. “Eu consigo resolver muita coisa por aqui”.

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Dois anos depois de superar um medo de voar que durou uma década, dias assim têm acontecido mais vezes. A frequência de oportunidades lucrativas também aumentou, especialmente shows lucrativos, agora que ele não está mais limitado a localizações alcançáveis pelas estradas saindo de Miami.

“Eu me perguntava: ‘se meu filho viaja de avião, por que eu não posso fazer isso também?’” explica Khaled, que começou a voar de novo há dois anos, depois que seu único filho, Asahd, nasceu: “Eu me tornei alguém sem medo instantaneamente”.

Como é possível ver, muitas riquezas estavam esperando por ele naqueles céus hostis. Em dois anos depois de voltar a botar os pés em aviões, Khaled faturou US$ 67 milhões, quase o dobro dos US$ 39 milhões que conseguiu juntar nos dois anos anteriores a esses. A maioria do dinheiro veio por um grande aumento em shows. Em 2018, o primeiro ano cheio depois da grande mudança, ele se apresentou 50 vezes, incluindo uma abertura em um show da turnê “On The Run II Tour”, de Beyoncé e Jay-Z. De acordo com o aplicativo Pollstar Pro, foram mais shows do que os anos de 2011 até 2016 combinados.

Ter contato com públicos de Boston até San Diego resultou em um faturamento de US$ 40 milhões para Khaled em 2018, um recorde de sua carreira que o colocou como sétimo na lista Forbes de artistas de hip-hop mais bem pagos do ano. Khaled ficou logo atrás de Eminem (sexto lugar com US$ 50 milhões) e à frente de estrelas como Kendrick Lamar (oitavo lugar com US$ 38,5 milhões), J. Cole (décimo primeiro lugar com US$ 31 milhões) e Nicki Minaj (décimo segundo lugar com US$ 29 milhões).

“Em termos de ganhos, é óbvio que poder voar abre muitas oportunidades”, afirma Zach Ruben, cofundador e presidente da promotora de shows Prime Social Group: “Viajar apenas de ônibus torna a situação extremamente restritiva”.

Mas Khaled não teve esse medo desde sempre. Khaled Mohamed Khaled nasceu em 1975 e cresceu na Flórida, onde começou carreira como produtor e DJ. No começo, ele conquistou fãs internacionalmente em países como a Jamaica. Costumava viajar de jatinho de Miami para Kingston aos fins de semana.

Mas no final dos anos 2000, Khaled passou por uma experiência perigosa. Em entrevista para a Forbes em 2017, antes de começar a voar de novo, ele contou: “Foi realmente terrível. Eu só sentia turbulência, então, o avião começou a balançar. Eu não gosto de estar em um lugar por tanto tempo sem poder sair”.

Na década que passou em terra firme, Khaled acumulou uma frota respeitável de Rolls Royces para viagens entre suas casas na Flórida e na Califórnia. Para ir de uma para a outra, ele atravessava os Estados Unidos em um ônibus de tour. O artista se acostumou a passar 17 horas indo de Miami para Nova York, mas achava difícil o percurso Miami-Los Angeles. Ele conta: “Algumas vezes o ar-condicionado pode quebrar, você sente vontade de tomar um banho de verdade. Você só quer sair do ônibus”.

O rapper se manteve muito produtivo nesse período, em parte pelo tempo no estúdio do ônibus e também pela ética de trabalho incrível: em seu exílio dos céus que durou dez anos, ele lançou nove álbuns, todos alcançaram as quinze melhores posições nos rankings da Billboard. Dois álbuns chegaram ao primeiro lugar, “Major Key” (2016) e “Grateful” (2017).

Apesar disso, um artista que não está diretamente conectado aos fãs sempre corre o risco de perder o carinho das massas. Então, Khaled compensou seus seguidores via mídias sociais, especialmente por Snapchat, plataforma onde se tornou uma das celebridades mais amadas. Isso chamou a atenção de Jay-Z, que assinou um contrato para administrar a carreira de Khaled em 2016.

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No livro de Khaled “The Keys”, o magnata falou: “O que estamos vendo do Khaled é quem ele realmente é. As câmeras estão capturando o estado natural dele”.

Os fãs também o ajudaram a ganhar milhões de dólares em contratos de patrocínio com empresas do nível Apple e Ciroc. Apesar disso, Khaled tinha consciência que estava perdendo muitas oportunidades.

As necessidades opostas do rapper (viajar entre as costas norte-americanas e ter tempo para o filho Asahd e a mãe) eventualmente convenceram Khaled a enfrentar seus medos, resultando em um voo em agosto de 2017 acompanhado do filho: “eu não conseguia manter a rotina de dirigir de Los Angeles até Miami, não posso ficar sem meu filho”.

Khaled passou a se movimentar bastante pelo ar desde que voltou a voar há dois anos. Em 2018, apresentou shows em Toronto e Montreal e voltou para a Jamaica no inverno para terminar seu álbum mais recente, “Father of Asahd”, em parceria com a lenda do país Buju Banton. É claro que, atualmente, o rapper viaja em uma aeronave particular, ele prefere a frota da Bombardier Global, e remarca compromissos quando as condições climáticas parecem inseguras.

Agora ele está começando a pensar em shows na Europa e outros continentes, lugares onde sua ausência de dez anos pode começar a render bons frutos. Enquanto o artista cobra cachês na casa das centenas de milhares de dólares nos Estados Unidos, a demanda maior para performances internacionais pode ajudar a faturar mais.

“Eles têm me procurado por tantos anos”, afirma. “Dubai, Londres, Paris. E você não acreditaria nas ofertas que me fazem. Eu tenho recusado todas elas por muitos anos, mas estou prestes a ir lá buscar tudo isso… milhões de dólares”.

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Adicione aos shows alguns contratos de patrocínio que incluem marcas como Air Jordan e Luc Belaire, tudo isso deve fazer com que Khaled continue subindo nos rankings de rappers que mais faturam. Ele já está mirando na posição de Jay-Z, a primeira estrela do hip hop a entrar no quadro de bilionários.

“Eu sempre agradeço a ele pela inspiração, pela amizade e por me ensinar os caminhos”, afirma Khaled. “Eu agradeço porque vou virar um bilionário”.

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