Lojas de shoppings perdem R$ 20 bilhões de faturamento e pedem linha de crédito específica ao BNDES

ReutersBruno-Domingos
A Alshop afirmou que a maioria dos lojistas é de pequeno porte, sem capital de giro para enfrentar a crise

As lojas de shopping centers do país já deixaram de faturar mais de R$ 20 bilhões durante a pandemia de coronavírus e 10 mil estabelecimentos e 80 mil empregos do setor estão ameaçados por conta da paralisia dos negócios, disse o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun.

Segundo ele, apenas 62 dos 577 shoppings do Brasil estão abertos e o setor vem negociando com governos estaduais a possibilidade de retomada das atividades a partir da adoção de protocolos de saúde e segurança sanitária como uso de máscaras, controle de acesso e circulação, distribuição de álcool em gel entre outras medidas. “Estamos com tudo pronto para abrir assim que houver a autorização dos governos”, disse Sahyoun à Reuters.

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A posição é semelhante à informada mais cedo pelo presidente-executivo da Multiplan, José Isaac Peres, que administra 18 shopping centers de alto padrão no país. A empresa citou dados do setor comentando que até a próxima segunda-feira o número de empreendimentos em operação deve subir para 73.

Sahyoun afirmou que a média de faturamento dos lojistas de shoppings é de R$ 16 bilhões por mês e que a maioria deles é de pequeno porte, sem capital de giro para enfrentar a crise. O setor emprega 1,5 milhão de pessoas e tem pouco mais de 105 mil lojas. “Quanto mais tempo ficar fechado maiores serão as perdas; mais lojas fechadas e mais empregos perdidos. Se não abrirmos até 10 de maio teremos 10 mil lojas fechadas e mais de 80 mil empregos ameaçados”, afirmou.

Mais cedo, em entrevista a jornalistas, o governador de São Paulo, João Doria, citou índice de 48% de adesão da população do Estado ao isolamento social, calculado pelo próprio governo a partir de informações recolhidas junto a operadoras de telefonia celular. “Com uma taxa de isolamento de 48%, não há a menor condição de flexibilização de isolamento”, disse Doria.

Já a prefeitura de São Paulo afirmou que se for mantida a taxa de isolamento atual abaixo de 50% “é remota a possibilidade de afrouxamento das regras atuais no curto prazo e existe a possibilidade de tornar as restrições ainda mais rígidas” a partir do próximo dia 4.

O próprio governador paulista havia dito na semana passada, em meio a fortes queixas do empresariado do paulista, que a economia de São Paulo seria reaberta a partir de 11 de maio, levando em conta a situação da epidemia de coronavírus em cada uma das regiões do Estado.

Segundo o presidente da Alshop, apesar dos descontos em alugueis e outras taxas cobradas dos lojistas pelos shopping centers do país, as medidas não são suficientes para garantir a sobrevivência das empresas.

O setor tem, segundo Sahyoun, dificuldades para acessar uma linha de crédito de R$ 5 bilhões oferecida pelo BNDES para micro, pequenas e médias empresas. Empecilhos para liberação dos recursos e crédito caro por parte dos bancos comerciais estão entre os problemas enfrentados pelos lojistas.

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Apesar disso, ele afirmou que o setor de shoppings pediu ao BNDES uma linha de crédito especial de R$ 10 bilhões, a ser liberada pelos bancos públicos, com garantia do Tesouro, e juros de até 5% ao ano. Os bancos estariam cobrando atualmente uma taxa de aproximadamente 1,7% ao mês, disse Sahyoun. “Pedimos uma linha especial, com carência de 6 meses a 1 ano, e mais 5 anos pagar, o empresário pequeno de shoppings vai ter chance de respirar e sobreviver. O governo federal tem sido receptivo”, disse o presidente da Alshop.

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, nesta quinta-feira que o governo federal provavelmente vai ajustar a linha de crédito criada para ajudar empresas a honrarem compromissos com folha de pagamento durante a pandemia uma vez que a demanda está sendo menor que a esperada. (Com Reuters)

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