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Carreira

Nova diretora da Bayer diz o que é preciso para ser profissional de ESG

Para Carolina Graça, quem quer trilhar carreira na área, que já aparece no top 10 de cargos com melhor remuneração, não necessariamente precisa ter formação específica

5 min
Carolina Graça, nova diretora da área de ESG da divisão agrícola da Bayer para América Latina
Carolina Graça, nova diretora de sustentabilidade da Bayer, que trabalha com a agenda ESG globalmente

Com o avanço da agenda ESG, sigla que defende compromissos ambientais, sociais e de governança, as empresas começam a se movimentar para estabelecer e cumprir metas, e surgem profissionais específicos para essas funções. Carolina Graça, nova diretora de sustentabilidade da divisão agrícola da Bayer para América Latina, é uma engenheira agrônoma que começou a carreira na área comercial e fez essa transição. “Essas ações têm sido vistas como prioritárias nas organizações, que estão entendendo que o ESG não pode ficar de fora de nenhum planejamento corporativo.” 

O novo profissional de ESG aparece na recente Pesquisa de Remuneração Total da consultoria Mercer com carreira gerencial e chega no top 10 de cargos com melhor remuneração. Quem quer trilhar carreira na área não necessariamente precisa ter formação direcionada a ESG, como a de Carolina. “Meu primeiro conselho é olhar para o escopo de trabalho atual e identificar como ele poderia se conectar à sustentabilidade.” 

>> Leia também: Advogados têm que entender de finanças, diz nova líder jurídica da TIM

O C-Suite desta semana também traz movimentações nos setores de moda, bebidas e cosméticos. Daniel Levy é o novo CFO da Amaro e Luciana Costa assume a direção de finanças da fabricante de bebidas Diageo. Renata Gomide, atual diretora de comunicação do Grupo Boticário, foi promovida a vice-presidente de consumer da empresa.

Forbes: O que é necessário, em termos de formação e experiência, para assumir esse cargo? 

Carolina Graça: Vejo dois fatores fundamentais: a experiência em campo e uma sensibilidade e empatia para entender as pessoas. Para construir uma jornada de sustentabilidade legítima, verdadeira e transformadora, precisamos ter uma visão ampla do que se deseja alcançar e estar com as pessoas que são impactadas, entender o que pensam e como podem fazer parte da solução. 

F: Com a importância que a agenda ESG vem ganhando, quais as oportunidades para trabalhar nesse campo? 

CG: O tema sustentabilidade vem ganhando grande relevância nas discussões globais nos últimos anos e, desde o Pacto Global no início dos anos 2000, as empresas foram chamadas a fazer parte de um esforço coordenado em desenvolvimento sustentável. Empresas como a Bayer possuem diretrizes globais estratégicas para cumprir uma agenda ESG, que são adaptadas à realidade de cada país. Uma das missões desse cargo é construir uma jornada de cooperação e inovação. 

F: O que você indica para alguém que queira ser profissional de ESG, uma área que começa a crescer nas empresas agora? 

CG: Para profissionais que desejam atuar com ESG, recomendo que busquem ganhar experiência com sustentabilidade dentro do seu conteúdo de trabalho e certamente oportunidades de adentrar cada vez na área desejada serão construídas. Esse caminho os conectará a outros profissionais envolvidos com o tema e a transição será natural.  

F: Como as experiências em vendas e marketing e o empreendedorismo contribuíram para a sua carreira? 

CG: Já fui executiva, empreendedora e profissional do terceiro setor. Isso me permite falar diversas linguagens e ter empatia com muitos públicos. Toda essa experiência diversificada me qualifica para estabelecer processos de diálogo. O profissional de sustentabilidade constrói pontes, é um facilitador de processos. Essa jornada me permitiu ir, aos poucos, construindo uma bagagem para ser uma melhor facilitadora.  

F: Quais qualidades você busca em um profissional para a sua equipe hoje? 

CG: Um profissional que tenha paixão pelo tema, mas que carregue alguma experiência e principalmente a capacidade de implementação, que vá além do sonho. O valor da sustentabilidade está em promover uma transformação que seja boa para todas as partes envolvidas. É preciso ter a capacidade de mudar a situação e para isso é fundamental ter um drive muito forte para colocar a mão na massa, pensar novos caminhos, falar com muitas pessoas e até mesmo ouvir muitos “nãos” para construir novas soluções. Eu diria que é saber encontrar caminhos entre as pedras e um impulso de realização.  

F: O que você gostaria de ter ouvido no início da carreira que poderia ter feito a diferença? 

CG: Tem aprendizados que só vêm com a experiência e vivência de campo. Um profissional de sustentabilidade precisa dessas “horas de voo” para ter empatia, falar diferentes linguagens. Algo que seria bacana ter aprendido no início da carreira a importância do autoconhecimento para lidar com situações novas, nem sempre favoráveis ao profissional e até mesmo conflituosas. Um profissional de sustentabilidade e ESG vive com frequência situações de desconforto ao fazer interface dentro e fora da organização. Serenidade e confiança são importantes nessas situações e essas características estão intimamente ligadas ao autoconhecimento.   

Por quais empresas já passou

Grupo Orsa, Stora Enso, Earthworm Foundation, Concertação Amazônia e agora Bayer, além da minha própria empresa de consultoria

Formação

Graduação em Engenharia Agronômica pela Esalq (USP), mestrado e PHD em Administração pela USP (Universidade de São Paulo)

Primeiro emprego

Auditora de cadeia de fornecimento de soja – Guiomarch Nutricion Animale 

Pesquisadora no Pensa – Centro de Conhecimento em Agronegócios 

Primeiro cargo de liderança 

Gerente de marketing e vendas da Orsa Florestal (atual Grupo Jari) 

Tempo de carreira

22 anos 

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