1. Início
  2. /
  3. Carreira
  4. /
  5. “O Brasil É Magnífico no Agro, Mas Também Poderia Ser no Turismo”, Diz CEO da Latam
Carreira

“O Brasil É Magnífico no Agro, Mas Também Poderia Ser no Turismo”, Diz CEO da Latam

Durante o Forbes Power Lunch Melhores CEOs 2026, Jerome Cadier falou sobre os desafios da liderança da companhia aérea, a virada após o processo de recuperação judicial e o cenário econômico no Brasil

4 min

Há 13 anos na Latam, e quase uma década como CEO da operação brasileira, Jerome Cadier acompanhou profundas transformações no setor aéreo e na liderança, mas ainda não viu o turismo no país alcançar o seu potencial. “O Brasil é magnífico no agro, mas também poderia ser no turismo. Infelizmente, não é. Precisamos de infraestrutura para conectar cidades menores e de segurança regulatória para atrair empresas estrangeiras”, afirmou o executivo, capa da edição da Forbes que traz a lista dos Melhores CEOs de 2026, durante evento em homenagem aos líderes.

Em painel mediado por Katarina Camarotti, diretora executiva da Forbes Brasil, na última segunda-feira (19), Cadier discutiu os desafios à frente da empresa e analisou o cenário econômico brasileiro. “A Latam está forte, competitiva e conseguindo crescer de maneira sustentável. Mas não sabemos o que vem pela frente, porque muita coisa ainda vai mudar no país.”

Depois do baque da pandemia de covid-19, o que levou a companhia ao processo de recuperação judicial, concluído em 2022, o CEO colheu bons frutos: o número de reclamações dos passageiros despencou, o número de destinos vem subindo consistentemente, os lucros voltaram e a Latam está investindo em uma nova frota, com aviões um pouco menores, para ampliar ainda mais seu alcance.

Os desafios da aviação

Apesar dos resultados positivos, os obstáculos persistem. Entre as variáveis que desafiam o setor aéreo, o custo do combustível é uma das principais preocupações de Cadier. No Brasil, o preço está entre os mais altos do mundo, pressionado tanto pelos custos de refino no cenário pós-pandemia quanto pela elevada carga tributária. “O combustível que utilizo para voos internacionais é mais barato do que para voos domésticos”, afirma o CEO.

Além dos impostos, Cadier aponta a judicialização como outro fator de pressão sobre a companhia. Apesar de a Latam figurar entre as aéreas mais pontuais do mundo, segundo ranking da Cirium — líder mundial em análises de aviação —, a empresa enfrenta despesas elevadas com ações judiciais movidas por passageiros. “Vamos gastar este ano mais de R$ 500 milhões em processos de passageiros.”

O Brasil concentra 98,5% das ações cíveis globais contra empresas aéreas, segundo um levantamento da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas). “Esse ambiente não incita concorrência, preços mais baixos ou mais investimentos”, diz Cadier.

O peso desses custos ajuda a explicar por que o brasileiro ainda voa pouco. No país, a média é de apenas 0,5 passagem por habitante ao ano, menos da metade do registrado em países vizinhos como Colômbia e Chile, segundo a fabricante europeia Airbus. “Não estamos indo na direção de fazer o brasileiro voar mais, infelizmente. E isso vai prejudicar não só o setor aéreo, mas também a hotelaria, o comércio e todo o turismo.” O executivo ainda lembrou que, nos últimos 22 anos, o Brasil teve 23 ministros do turismo, o que impossibilita o planejamento a longo prazo.

Liderança na Latam

Relembrando o período crítico da pandemia, quando os voos diários da companhia caíram de 700 para zero em apenas um mês, Cadier explicou que a entrada em recuperação judicial foi uma decisão estratégica para reconstruir a empresa. “Tomamos a decisão de não apressar o processo, mas de fazê-lo de forma profunda para sair mais fortes. Aceleramos muito mais rápido depois, justamente porque passamos por uma transformação estrutural.”

Foi dessa visão que nasceu o conceito de “Meta-Mãe” na Latam: o foco absoluto no cliente. Em vez de áreas como manutenção, carga ou check-in buscarem bater suas metas individuais isoladamente, o objetivo passou a ser unificado. “O cliente quer que o voo saia na hora. Ele não está nem aí se a carga cumpriu a meta. Essa mudança de mentalidade é o que nos colocou entre as cinco companhias mais pontuais do mundo.”

Questionado sobre as reflexões que devem orientar os líderes de hoje, Cadier destacou a transformação digital e a inteligência artificial como fatores decisivos para o futuro dos negócios. “A pergunta não é ‘como melhorar minha eficiência em 10%?’, e sim ‘como melhorar em 10 vezes?’. Se não estiver avançando na transformação digital, eu não estarei mais liderando nenhuma empresa em cinco anos.”

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.