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Pesquisa Clínica: o Caminho entre a Descoberta e a Cura

Inovações como imunoterapias e terapias-alvo mostram como a pesquisa tem revolucionado o tratamento do câncer

4 min

No dia 20 de maio, celebramos o Dia Internacional da Pesquisa Clínica, uma data que nos convida a refletir sobre a importância de um processo essencial para o avanço da medicina e da saúde pública.

Pouca gente se dá conta, mas todo medicamento que utilizamos hoje — desde um simples analgésico a terapias avançadas contra o câncer — só chegou até nós porque passou por um rigoroso processo de pesquisa. São estudos fundamentais para investigar novas formas de prevenir, diagnosticar e tratar doenças, e garantem que qualquer nova intervenção seja, antes de tudo, segura e eficaz.

É um trabalho que começa a partir das necessidades da população e de possibilidades levantadas por pesquisadores. Mas, para que aconteça de forma eficiente, é preciso estrutura, apoio, financiamento e, acima de tudo, conscientização da sociedade sobre seu valor. Sem pesquisa clínica, simplesmente não teríamos novas vacinas, medicamentos, exames ou terapias.

Pesquisa para evitar, tratar e curar

Um dos melhores exemplos do impacto da pesquisa na prevenção do câncer é a vacina contra o HPV, que previne contra tumores do colo do útero, canal anal, pênis, vagina, vulva e orofaringe.

Antes de estar disponível para a população, ela passou por diversas fases de testes com voluntários. Foi somente após os resultados positivos em três etapas que o imunizante pode ser aprovado e disponibilizado à população.

Para os tratamentos oncológicos, os avanços também têm sido notáveis. Exames de biópsia líquida, que permitem detectar alterações genéticas do tumor a partir de uma simples amostra de sangue, são resultado direto da pesquisa clínica e estão revolucionando o diagnóstico e o acompanhamento do câncer. Assim como os painéis genômicos, que identificam mutações específicas nos tumores e orientam a escolha de terapias personalizadas.

Também é graças à pesquisa que hoje temos acesso a imunoterapias, tratamentos que utilizam o próprio sistema imunológico para combater o câncer, e a terapias-alvo, que atacam diretamente as alterações moleculares das células tumorais, com maior precisão e menos efeitos colaterais. Em tipos de câncer como melanoma, câncer de pulmão e certos tipos de leucemia, esses tratamentos têm mudado a história natural da doença, oferecendo mais tempo e qualidade de vida aos pacientes.

No Brasil, enfrentamos desafios importantes para ampliar o desenvolvimento de pesquisa: ainda existem uma série de burocracias e entraves, baixo investimento e desconhecimento da população e até de profissionais de saúde sobre o papel da pesquisa clínica. Discutir a mudança deste cenário é urgente, e passa também por valorizarmos centros de excelência e as boas práticas e a capacitação do setor de saúde.

Nesse sentido, destaco com orgulho o trabalho da Rede Vencer o Câncer de Pesquisa Clínica, uma iniciativa do Instituto Vencer o Câncer, dedicada a expandir o acesso à pesquisa oncológica de qualidade em todas as regiões do país. Formada por 20 centros de pesquisa instalados em hospitais públicos e filantrópicos que atendem pacientes do SUS, promove inovação, capacitação de equipes locais e, principalmente, oportunidade de acesso gratuito a tratamentos de ponta para quem mais precisa.

A Rede atua para fortalecer a infraestrutura hospitalar, qualificar profissionais e reduzir barreiras de entrada para a pesquisa clínica em regiões historicamente menos contempladas. É um programa que traduz, na prática, a crença de que a ciência de excelência e a inovação em saúde precisam alcançar toda a população brasileira, não apenas os grandes centros urbanos ou a rede privada.

Hoje, mais do que nunca, precisamos falar sobre pesquisa clínica como um investimento estratégico em vida.

Celebrar essa data é reconhecer os milhares de profissionais e voluntários que tornam possível o progresso da medicina — e lembrar que todo avanço começa com uma pergunta, um estudo, profissionais envolvidos e um paciente disposto a contribuir para um bem maior.

Fernando Maluf é cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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