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Diagnóstico Precoce e Novos Tratamentos Mudam a Perspectiva do Câncer de Estômago

Avanços em imunoterapia, terapias-alvo e estratégias de tratamento vêm ampliando as possibilidades de controle da doença e melhorando os resultados para os pacientes

3 min

O câncer de estômago, especialmente o adenocarcinoma gástrico, continua sendo um importante desafio de saúde pública no Brasil e no mundo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados para 2026 cerca de 22,5 mil novos casos da doença no país, sendo aproximadamente 13.830 em homens e 8.700 em mulheres. Entre os homens, o tumor de estômago é o quarto tipo de câncer mais frequente, o que reforça sua relevância epidemiológica no Brasil.

Embora possa acometer homens e mulheres, a doença ainda é diagnosticada, na maior parte das vezes, em fases mais avançadas. Isso é especialmente preocupante porque, quando identificada precocemente, as chances de cura podem ultrapassar 90% a 95%. Nos casos em que o tumor é muito superficial, o tratamento pode, inclusive, ser realizado por via endoscópica, com a remoção completa da lesão sem necessidade de cirurgia mais extensa.

Infelizmente, essa ainda é uma realidade pouco comum. Na maioria dos pacientes, o tratamento envolve cirurgia para retirada total ou parcial do estômago, além dos linfonodos ao redor do órgão, que são estruturas importantes para avaliar a extensão da doença.
A boa notícia é que houve avanços muito significativos no tratamento do câncer gástrico nos últimos anos.

Nos tumores localmente avançados, ou seja, aqueles que ainda não se espalharam para outros órgãos, tornou-se cada vez mais frequente o uso de tratamentos antes da cirurgia. Inicialmente, essa estratégia baseava-se principalmente na quimioterapia. Mais recentemente, a associação entre quimioterapia e imunoterapia passou a representar uma importante evolução, estimulando o sistema imunológico a atuar de forma complementar ao tratamento convencional.

Nos casos metastáticos, em que a doença já atingiu outros órgãos, também houve progressos importantes. Além da imunoterapia, cerca de 10% dos pacientes apresentam superexpressão da proteína HER2 e podem se beneficiar de terapias-alvo específicas contra esse marcador.

Outro avanço recente é o desenvolvimento de medicamentos direcionados à proteína Claudina 18.2, presente em uma parcela dos tumores gástricos e que vem abrindo novas possibilidades terapêuticas para pacientes com doença avançada.

Além das novas medicações, também houve aprimoramento nas técnicas cirúrgicas, no manejo multidisciplinar e nos cuidados de suporte, o que tem contribuído para melhores resultados e maior qualidade de vida.

Tanto para pacientes com doença localmente avançada quanto para aqueles com doença metastática, o tratamento do câncer de estômago evoluiu de maneira muito expressiva. Embora o diagnóstico precoce continue sendo um dos fatores mais importantes para aumentar as chances de cura, os avanços da ciência têm ampliado de forma concreta as possibilidades de controle da doença e de melhores desfechos para os pacientes.

*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus e ão refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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