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Como a Ioga Pode Melhorar a Qualidade de Vida de Pacientes com Câncer

Estudo mostra que uma prática simples e acessível pode reduzir fadiga, ansiedade, alterações de humor e insônia

3 min

Todos os anos, o Congresso Americano de Oncologia (ASCO) apresenta avanços que ajudam a redefinir a forma como tratamos o câncer. Novos medicamentos, terapias cada vez mais precisas, estratégias inovadoras de diagnóstico e resultados que ampliam as chances de cura e controle da doença costumam ocupar o centro das atenções.

Mas uma das pesquisas que mais me chamou a atenção na edição deste ano não envolveu uma nova droga, um equipamento sofisticado ou uma tecnologia revolucionária. O estudo avaliou algo muito mais simples: a prática de ioga.

Muitos pacientes convivem com sintomas que persistem mesmo após o término do tratamento. Cansaço intenso, alterações do sono, ansiedade, medo, insegurança e mudanças no humor fazem parte da realidade de milhares de pessoas. Às vezes, esses sintomas comprometem a qualidade de vida tanto quanto os efeitos físicos da própria doença.

Foi justamente esse aspecto que motivou um estudo que acompanhou 410 pessoas que haviam recebido diagnóstico de câncer e comparou dois grupos: um recebeu os cuidados habituais de acompanhamento, enquanto o outro participou de um programa estruturado de ioga, com exercícios suaves, técnicas de respiração e práticas de atenção plena.

Os resultados foram bastante consistentes. Os participantes que praticaram ioga apresentaram melhora significativa da fadiga, da ansiedade, das alterações de humor e dos distúrbios do sono em comparação com aqueles que não participaram do programa.

O que torna esse resultado particularmente interessante é que estamos falando de uma intervenção não medicamentosa. Não se trata de substituir tratamentos oncológicos, mas de reconhecer que existem estratégias complementares capazes de reduzir o sofrimento e melhorar o bem-estar de quem enfrenta ou enfrentou o câncer.

Ao longo da minha trajetória como oncologista, aprendi que tratar um paciente é muito mais do que combater um tumor. É cuidar de uma pessoa que continua tendo preocupações, responsabilidades, medos e sonhos. É olhar para alguém que deseja voltar a dormir melhor, recuperar energia para trabalhar, brincar com os filhos, caminhar ou simplesmente retomar atividades que antes faziam parte da rotina.

Nem sempre as respostas para esses desafios estarão em uma nova medicação. Às vezes, elas podem estar em abordagens que ajudam a fortalecer a conexão entre corpo e mente, promovendo bem-estar físico e emocional.

Talvez essa seja uma das lições mais importantes desse estudo. Em uma era marcada por avanços extraordinários da medicina, não podemos perder de vista que qualidade de vida também é um desfecho relevante. E quando uma intervenção simples, acessível e segura consegue aliviar sintomas que afetam profundamente a vida dos pacientes, ela merece nossa atenção.

*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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