Por que o Facebook sobrevive apesar de tantas violações

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No último ano, a rede social enfrentou uma avalanche interminável de escândalos relacionados à privacidade e segurança

Resumo:

  • Facebook exige acesso às senhas de e-mail para coletar base de contatos dos usuários e compartilhá-los;
  • Plataforma não sofreu danos consideráveis diante dos já conhecidos escândalos de violação de privacidade e segurança;
  • Rede social não sofre deserção de usuários e anunciantes;
  • Empresa estabeleceu novos recordes de lucro e crescimento;
  • Facebook tornou-se essencial e intrínseco à vida moderna ou os usuários realmente não se preocupam o suficiente com sua segurança online?

Ao refletir sobre a notoriedade da mais recente violação de segurança do Facebook – a exigência de que os usuários entreguem suas senhas de e-mail para coletar silenciosamente suas listas de contatos sem a permissão deles ou a possibilidade de recusar tal concessão – a pergunta que surge é: se isso fosse praticado por qualquer outra empresa, ela ainda estaria funcionando?

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A rede social enfrentou uma avalanche interminável de escândalos relacionados à privacidade e segurança no último ano – e a única constante foi a falta de consequências. Até agora, a empresa não sofreu multas pesadas, nenhum novo problema sério com legislação e, mais importante, nenhuma deserção em massa de seus usuários ou anunciantes. Na verdade, o Facebook estabeleceu novos recordes de lucro e crescimento em meio a todos os escândalos.

Será que uma empresa menor teria enfrentado mais desdobramentos por violações notórias da segurança e privacidade de seus usuários?

Talvez a maior questão levantada pela falta de consequências para o Facebook ao longo do ano passado é se a empresa escapou do dano porque é simplesmente tão grande e intrínseca à vida moderna que não podemos viver sem ela ou se nós, como sociedade, nos tornamos tão insensíveis à privacidade e às violações que, simplesmente, não nos importamos mais com nossa segurança digital?

O Facebook tornou-se uma parte tão crítica da vida moderna que é quase impossível imaginar um mundo sem ele.

Os governos comunicam propostas de políticas e novas leis por meio das plataformas da rede social e as usam para pesar a opinião do seu eleitorado. As eleições são cada vez mais supostamente decididas com base no candidato que tem a melhor estratégia de mídia social para alavancar o poder da comunicação.

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Os veículos de imprensa contam com o Facebook para direcionar o tráfego para seus sites, enquanto as empresas usam a rede social cada vez mais para se comunicar, o que faz com que seus endereços na web, antes dinâmicos, passem a meros santuários estáticos.

Será que o Facebook agora é tão poderoso que não nos atrevemos a deixá-lo?

Como a empresa que amamos odiar, mas não podemos viver sem, o relacionamento abusivo do Facebook com seus 2 bilhões de usuários piora a cada dia porque a empresa percebeu que eles simplesmente não têm escolha senão aceitar qualquer dano.

Alternativamente, será que estamos tão insensíveis às violações de privacidade e segurança hoje que simplesmente não nos importamos mais?

O que aconteceria se uma pequena startup com algumas centenas de milhares de usuários exigisse as senhas de e-mail deles e compartilhasse em massa seus dados pessoais? Ela sobreviveria ao escândalo que se seguiu ou seus usuários desertariam em massa para a concorrência?

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A resposta deprimente é que, em 2019, é inteiramente possível imaginar uma startup passar por tal escândalo sem perder nenhum de seus clientes.

Na verdade, o “efeito de rede” significa que, uma vez que a página atinja um certo número de usuários, é difícil ser negativamente afetada – especialmente à medida que os sites tentam lidar com as limitações que fizeram o MySpace entrar em colapso.

Até mesmo a primeira rede social de relacionamento, Ashley Madison, parece ter se recuperado completamente de sua infame violação de 2015, uma vez que registrou um crescimento impressionante nos anos seguintes. A empresa observou que toda a cobertura da mídia sobre sua violação foi, na verdade, uma enorme vantagem para a expansão de seus negócios.

Juntando isso, a falta de consequências do Facebook para suas violações nos deixa apenas duas possibilidades desconfortáveis: ou a empresa simplesmente se tornou grande demais para sofrer regulamentações ou o público realmente não se preocupa mais com sua segurança ou privacidade online.

Todas as evidências apontam para o segundo ponto.

No final, o fato de outras redes sociais que sofreram violações também terem crescido consideravelmente aponta para a mesma triste conclusão: nós realmente não nos importamos com nossa segurança ou privacidade digital.

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