A micareta escolar

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O carnaval fora de época contra o ataque do governo à educação foi organizado a partir de uma notícia falsa

A greve contra o corte de verbas públicas para a educação teve a adesão de escolas particulares. Isto seria um desafio à lógica orçamentária se não estivéssemos em outro ramo do conhecimento – a ciência do proselitismo inexato.

Como se sabe, o carnaval fora de época – também chamado de tsunami Lula Livre – contra o ataque do governo à educação foi organizado a partir de uma notícia falsa. Até aí, tudo certo: as fake news servem mesmo para embasar causas de mentira. O que aconteceu de fato foi um contingenciamento (congelamento) de recursos para várias áreas – como quase todo governo faz em início de gestão – mas isso não tem a menor importância. Se você quiser, você transforma contingenciamento de 3% em corte de 30% numa boa, porque a narrativa é sua e ninguém tem nada com isso.

O que impressionou mesmo foi a entrada de escolas particulares na micareta. Como a paralisação de uma instituição privada por uma questão de orçamento público não pegaria muito bem, o pessoal deu aquela perfumada “em defesa da educação” – os milagres da ciência do proselitismo inexato – e ainda encaixou um repúdio à reforma da Previdência.

Você não leu errado: instituições de ensino protestando contra uma reforma que todos os países mais escolarizados já fizeram e cuja finalidade é combater privilégios para que não falte dinheiro, inclusive, para a educação. Nota 10 para o samba-enredo.

E foi assim que surgiu o grande feriado sindical de 15 de maio, mostrando que a educação brasileira não está ameaçada por uma tragédia – ela já se consumou: é a partidarização ampla, geral e quase irrestrita do sistema de ensino, chegando ao ponto de sujeitar pais e alunos de escolas privadas ao seu calendário demagógico. Doravante, crianças e adolescentes estarão autorizados a estudar quando o PSOL, o PT e seus genéricos não tiverem nenhuma panfletagem para fazer.

Agora teste seus conhecimentos, assinalando a resposta correta.

Quem deixa de trabalhar ou estudar para ficar na rua protestando contra um ataque fictício à educação é:

Gênio incompreendido;

Pós-graduado em Mortadela Quântica;

PhD em Vagabundagem Comparada;

Bacharel em Ladroagem Honesta;

Lula Livre.

O gabarito será divulgado no próximo feriado sindical.

 

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