Rodrigo Galvão fala sobre a transformação cultural da Oracle

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Rodrigo Galvão, presidente da Oracle Brasil: “Tecnologias digitais com pensamentos analógicos não adianta nada”

Com 18 anos de casa e três no comando, Rodrigo Galvão, presidente da Oracle Brasil, sente-se muito à vontade em sua função: tanto nos palcos, como frontman da banda da empresa, quanto na discussão sobre como tratar os desafios relacionados à maior dor atual de seus clientes – a transformação digital.

Para Galvão, que lidera um dos maiores mercados da gigante de tecnologia, a condição essencial para executar a reinvenção que empresas tanto almejam é a transformação cultural. Tratar os aspectos dessa mudança de paradigma é, segundo ele, o que pauta a estratégia da Oracle.

“Ter tecnologias extremamente digitais com pensamentos analógicos não adianta nada”, argumenta. Por outro lado, o executivo aponta que, por mais que a promessa da transformação seja sedutora, nem todas as empresas conseguem colocar a teoria em prática tão rápido quanto gostariam.

“O ideal seria ouvir um monte de coisas interessantes, em lugares como a Singularity University, e dar um ‘cavalo de pau’ dentro das empresas, mas obviamente, isso é não possível, pois existe a base de clientes, formas de pensar distintas [a considerar]”, aponta. “Cada empresa tem uma velocidade [para se transformar]. O grande desafio hoje é conseguir ler o mercado e entender que existem formas de transição e culturas diferentes.”

COMPRANDO VALORES

As adaptações necessárias para conduzir clientes para a era digital estão no cerne da gestão do executivo, que acredita que o processo deve ocorrer “de dentro para fora”, ou seja, ser protagonizado pela própria Oracle.

“O que nos diferencia não é necessariamente o produto, mas sim a forma como a gente se expõe para o mercado”, aponta. “Pessoas compram de pessoas e compram também valores e maneiras de atuação de empresas – isso é algo que a cultura digital trouxe.”

Uma das frentes dessa estratégia da empresa – que tem entre seus objetivos aumentar a receita de ofertas baseadas em nuvem com tecnologias embarcadas como inteligência artificial – é endereçar as mudanças na base fornecedora de serviços de tecnologia: “Nosso concorrente hoje é completamente diferente do que tínhamos no passado, é uma startup que nasceu no Vale do Silício há um ano”, ressalta. “Não existe mais aquele papo de que estamos deitados em berço esplêndido e todo mundo vai querer a nossa tecnologia. Muito pelo contrário.”

Para estar próxima da ação de novas e pequenas empresas, a multinacional tem reforçado o investimento na aproximação com o ecossistema de inovação e empreendedorismo brasileiro, com iniciativas como a Casa Oracle, inaugurada em São Paulo em novembro do ano passado.

Os frutos destes esforços já começam a despontar: além dos projetos em áreas como inteligência artificial, Internet das Coisas e blockchain que a empresa executa com clientes no espaço em parceria com startups, Galvão diz que 20% da receita de produtos de nuvem da empresa atualmente vem dessas pequenas e médias empresas.

Outras frentes da transformação interna promovida na Oracle incluem diversos programas de capacitação técnica. Um deles está treinando mais de 3.000 alunos em competências para o mercado digital que serão posteriormente absorvidos por clientes parceiros do programa como Gerdau, Bayer e Via Varejo.

FAZENDO ESCOLA

A empresa, que faturou US$ 39,5 bilhões em seu último ano fiscal, não divulga números específicos da operação no Brasil. Mas, segundo Galvão, a receita local da Oracle em ofertas como ERP na nuvem tem tido crescimento consistente e já ultrapassou o crescimento da base instalada, também chamada de on-premise. Vendas do portfólio de suítes de software como serviço (SaaS, na sigla em inglês) também tem aumentado, porém a empresa recentemente precisou tratar a complexidade relacionada às diversas estruturas de SaaS, anteriormente segregadas.

Essa era uma das tarefas de Maurício Prado, ex-presidente no Brasil da Salesforce que passou dois anos na Oracle para ajudar na consolidação das áreas de aplicações corporativas e saiu da empresa no mês passado. Ontem (19), o executivo anunciou que assumiu a liderança da América Latina na empresa de software Pegasystems.

Quando Prado deixou a Oracle, descreveu o ambiente da empresa: “A Oracle é uma empresa com líderes apaixonados, intensos, muito competitivos e com uma energia brutal! Isto tudo cria um ambiente único de superação e conquistas. Tem uma pegada esportiva que nunca vi em empresa nenhuma. Com certeza, [a Oracle é] a principal escola de vendas da indústria de tecnologia”, disse o executivo em um post no LinkedIn, na época.

Galvão argumenta que a competitividade é uma das características do mercado de tecnologia em geral, com metas de vendas que podem ser estressantes, mas reforça o ponto de Prado de que a Oracle é, de fato, um ambiente de formação profissional. Por outro lado, o executivo aponta que a recente “reviravolta” interna tem contribuído para endereçar os aspectos desafiadores disso.

“Não temos mais aquele ritmo de vender receita upfront – agora [o foco] é cloud, receita mensal. A cultura mudou completamente, e não só por isso: os tempos mudaram, e muita coisa está acontecendo diferente”, aponta. O executivo também se orgulha do fato de a Oracle estar entre os 50 melhores locais de trabalho no Brasil no último ranking do site de avaliação de empregadores Glassdoor e figurar entre as 10 melhores empresas de tecnologia para se trabalhar segundo a mais recente lista do instituto Great Place To Work.

A jornada de transformação da Oracle continua e ainda existem percalços como a diversidade da força de trabalho, com mais mulheres e negros em posições de destaque, que a empresa busca resolver com métodos como uma ferramenta de recrutamento às cegas, da Jobecam. Apesar de ainda ter diversas frentes a tratar, Galvão acredita no poder transformador de uma gestão focada em pessoas e, sobretudo, consistente: “Quando comecei [como presidente] há três anos, estava claro que não seria uma questão de liga e desliga: é um trabalho que depende de muita, muita paciência e sequência”, aponta. “O que é possível ser feito, qualquer um faz. Eu quero fazer aquilo que é impossível.”

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Randon lança braço de investimento em startups

A empresa gaúcha de transportes Randon lançou uma empresa para investimentos em startups. A Randon Ventures reservará um capital inicial de R$ 3 milhões para apoiar novas empresas atuantes nos segmentos de logística, serviços financeiros, seguros e mobilidade. O primeiro investimento já saiu: o fundo fez um aporte na TruckHelp, plataforma de soluções e serviços para caminhoneiros e transportadoras.

Segundo um post do presidente e CEO da empresa, Daniel Randon, no LinkedIn, a criação do braço de VC faz parte de um “grande movimento de transformação” que está em curso na organização. “Estamos muito empolgadas por nos conectarmos ainda ao ambiente de inovação, buscando sempre o protagonismo nos mercados em que atuamos,” aponta.

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McDonald’s fecha parceria com dona do PokemonGo

A Arcos Dorados, franqueadora dos restaurantes McDonald’s no Brasil, fechou uma parceria com a Niantic, dona do jogo PokemonGo, que transformou os restaurantes da rede em pontos de torneios do jogo, ou onde os participantes ganham itens para jogar. O anúncio foi feito ontem (19).

A rede de fast-food tem investido pesado em formas digitais de conhecer, aumentar e satisfazer sua clientela. Em entrevista à FORBES no ano passado, o chief marketing officer da divisão Brasil da Arcos Dorados, João Branco, disse que a empresa caminha ä passos largos” em sua estratégia digital. Um dos instrumentos para isso é o aplicativo da rede de fast-food, já instalado em larga escala, com mais de 14 milhões de downloads.

LEIA MAIS: João Branco: McDonald’s está a um passo de ser todo personalizado

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Riachuelo quer mais parcerias com startups

A Riachuelo abriu inscrições para startups que queiram se envolver nos trabalhos de seu hub de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia. O Riachuelo Lab quer iniciativas para otimizar a experiência dos clientes, colaboradores e parceiros em todas as vertentes do Grupo Guararapes. Todas as áreas da companhia poderão se beneficiar dos projetos das novas empresas, como comunicação e moda, operações de varejo, digital e outros como arquitetura, engenharia, RH, jurídico e segurança da informação, além de soluções para a Midway, braço financeiro da marca.

A Riachuelo tem investido em conectar seus negócios ao mundo digital, conhecer produtos e entender propostas de novos negócios e empreendedores. Na semana passada, a empresa esteve entre as organizações que celebrou a conclusão do Summer Job, programa de experiência profissional para estudantes do braço de educação do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), que aconteceu no Porto Digital. No grupo patrocinado pela varejista, estudantes apresentaram o Riachuelo XP, uma solução de realidade aumentada que propõe resolver processos como a busca de clientes por produtos dentro da loja, um processo de normalmente dura mais de quatro minutos.

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Governo paga extra para servidores que trabalharem em transformação digital

A Secretaria de Governo Digital (SGD) do Ministério da Economia distribuiu 58 gratificações que pagarão um salário adicional de R$ 4.491 por servidor público que trabalhar em projetos de transformação digital. O objetivo do incentivo, que será distribuído em 17 órgãos do executivo, é acelerar a digitalização de serviços públicos.

Um edital foi publicado nesta terça (17) com os critérios para o processo seletivo simplificado para as 58 vagas disponíveis e currículos serão recebidos até 4 de março. A maioria das vagas está na própria SGD. Atualmente, 1.807 serviços oferecidos em âmbito federal à população já são digitais, o correspondente a 54% dos serviços ofertados pelo governo.

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Mulheres se reúnem em SP para discutir ciência de dados

O Grupo Mulheres do Brasil realizará um evento sobre ciência de dados em parceria com a Universidade de Stanford. O evento Women in Data Science em São Paulo (WIDS São Paulo) quer incentivar mulheres atuantes no setor ou em transição de carreira a fazer a migração para a área de ciências de dados. A programação inclui um ciclo de palestras e workshops sobre temas como cidades inteligentes e sustentabilidade, educação e futuro do trabalho e saúde.

Palestrantes incluem Luiza Helena Trajano (foto), a advogada e professora de blockchain da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP), Emília Malgueiro Campos, e Alessandra Montini, consultora em Big Data e inteligência artificial e professora diretora do Labdata, laboratório de ciências de dados da Fundação Instituto de Administração. O evento acontece no dia 2 de março, na sede do grupo Mulheres do Brasil, em São Paulo.

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UFRJ oferece especialização para empreendedores de tecnologia

O Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Coppead) e a Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) lançaram uma especialização para empreendedores de negócios de base tecnológica. A universidade carioca vai focar nos aspectos práticos da gestão destes negócios, e ensinará conhecimentos em decisões de investimento e gerenciais, comunicação e marketing, negociação, gestão de projetos, inovação social, design thinking, além de tecnologias aplicadas aos negócios. O curso começa no dia 25 de março.

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Angelica Mari é jornalista especializada em inovação há 18 anos, com uma década de experiência em redações no Reino Unido e Estados Unidos. Colabora em inglês e português para publicações incluindo a FORBES (Estados Unidos e Brasil), BBC, The Guardian e outros.

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