Para dar conta da incerteza que nos cerca, viva um dia após o outro

 Justin Paget/GettyImages
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A atenção ao aqui e ao agora já é um santo remédio para a ansiedade que nos tem acometido

Quando e como sairemos desta? Estas são as questões que provavelmente o mundo inteiro se faz neste momento. Quem tem filhos em idade escolar ou na universidade se pergunta quando as aulas de fato retornarão – e como. Quem tem negócios, tem lutado com a insegurança de se haverá condições de reabrir totalmente escritórios este ano. Quem tem lojas físicas, tem ficado à mercê do vai-vem das políticas públicas que, como todos nós sabemos, poderão tomar novos rumos caso o número de casos aumente em níveis perigosos.

Vivemos tempos de incerteza. Nada mais é o que costumava ser. Quem sabe o que a semana que vem nos trará, se sequer a ciência compreendeu totalmente o coronavírus, se sequer a medicina entendeu completamente a Covid-19 e se todo dia lemos notícias que parecem contradizer o que havia sido dito na semana anterior?

A insegurança e a falta de previsibilidade sobre os acontecimentos futuros têm um grande impacto na nossa saúde mental, pois alimentam a ansiedade, os distúrbios do sono, os ataques de pânico e de preocupação. Também aumentam as chances de reagirmos emocional e negativamente a situações da vida.

É bem verdade que há pessoas que têm maior capacidade de lidar com cenários de incerteza. São mais resilientes e conseguem administrar melhor as suas vidas frente ao que não é previsível.

A maioria de nós, porém, não lida bem com isso. Eu sou psiquiatra e me especializei no acompanhamento de pessoas reféns do álcool e de drogas. É dos Alcoólicos Anônimos que eu tiro uma lição para esses nossos tempos: procure viver um dia após o outro.

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Forbes Saúde, com o dr, Arthur Guerra, que fala sobre o pós-pandemia

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Ao limitar o nosso horizonte, focamos nossa atenção no momento presente, aquele que conseguimos controlar. Esse é, inclusive, o princípio do mindfulness: a atenção ao aqui e ao agora. Só isso já é um santo remédio para a ansiedade que nos tem acometido. Mas significa também que, por mais que desejássemos o contrário, seremos forçados a aceitar que é impossível controlar o futuro.

Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

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