A intrínseca relação entre celebração e champanhe

O marketing funciona, mas como a bebida se encaixa na sua vida é algo muito pessoal, unicamente seu.

Carolina Schoof Centola
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Ira Heuvelman-Dobrolyubova/Getty Images
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O marketing funciona, mas como o champanhe se encaixa na sua vida é algo muito pessoal, unicamente seu

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De um vinho medíocre oferecido como brinde aos compradores de lã na região de Champanhe ao suprassumo da celebração de praticamente todos os eventos históricos. Esse é o champanhe, um caso tão bem-sucedido de marketing que já não é possível separar a forte conexão que existe entre esta bebida e ocasiões festivas.

O primeiro grande fato que desencadeou esta tradição foi o batizado do Rei dos Francos, Clóvis, em 496 d.C., num berço cheio de champanhe. A partir daí, criou-se o hábito de que todo rei da França deveria ser coroado na catedral de Reims, em Champanhe. Estava criado o link entre a bebida sagrada e festiva e os eventos luxuosos e de pompa de uma minoria privilegiada.

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E o legado ganhou força. Outro momento de frisson envolvendo a bebida foi quando Luís 14, o Rei Sol, degustou pela primeira vez o vinho na catedral de Reims, com apenas 16 anos. Foi ele o responsável pela associação do champanhe à moda, prestígio e luxo, suas obsessões.

Luís 15, bisneto de Luís 14, foi quem autorizou o transporte do champanhe em garrafas – até então, a permissão era apenas em barricas. A mudança significou uma grande ajuda para a retenção de gás carbônico e para o impulso de marketing e comunicação. Personagens como Maria Antonieta, Joana d’Arc, oficiais militares, nobres e artistas viraram etiquetas de champanhe.

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Com a revolução francesa, a associação da bebida à aristocracia não era muito bem vista e a atenção se voltou à Voltaire quando o filósofo citou o champanhe como a imagem brilhante da nação. “A expressão mais gloriosa da civilização francesa”, disse ele. Agora já não era só uma questão de luxo e riqueza, mas também um patrimônio nacional.

Napoleão Bonaparte, Titanic, Exposição Universal de Paris em 1889, inauguração da Torre Eiffel, batizados de navios, James Bond, Audrey Hepburn, Beyoncé e Jay Z, Brad Pitt e Angelina Jolie são apenas alguns dos inúmeros exemplos de celebrações, momentos, pessoas e personagens associados à bebida. Sempre que a situação é positiva, pra cima, sinônimo de começo, recomeço, vitória, nascimento e reconhecimento, ela está lá.

Apesar dessa conexão com a celebração, o champanhe vem sendo, lentamente, introduzido na vida cotidiana das pessoas. Um dos motivos é a elevada qualidade que estes vinhos adquiriram com o passar do tempo, transformando-os em uma bebida que harmoniza gloriosamente com refeições e aperitivos. Outra questão que contribuiu é o fato de trazermos a celebração para o hoje – e não somente para um evento específico.
Mas, tem para todo mundo? Não!

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Mas tudo bem, pois a variedade de vinhos tranquilos e espumantes é tanta, assim como o paladar das pessoas, que o sol brilha para todos. Quem quiser priorizar isso na sua vida faça, quem não achar interessante, não faça.

A questão de ser associada à celebração também faz com que a bebida viva seus momentos de crise, afinal, quem vai comemorar a distância entre as pessoas, pandemia, mortes, privações, falências e um momento econômico desfavorável? Ninguém, ou quase ninguém. Por isso, as vendas deste vinho caíram tanto no mercado interno francês e no volume exportado para o mundo.

Eu sou uma pessoa champanhe, mas, a minha associação pessoal é não apenas com a celebração, mas também com momentos de reflexão, luta, gratidão, memórias, superação, saudade, otimismo e consciência do nosso processo de evolução.

O marketing é maravilhoso e funciona, mas como o champanhe se encaixa na sua vida é algo muito pessoal, unicamente seu.

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O ano de 2020 foi um dos mais difíceis da nossa humanidade. Apesar do grande sofrimento, a lição e a superação, em diversos aspectos, estão gravadas em nós. Assim, a celebração não pode cessar, jamais. Cada vitória e cada derrota tem sua importância em nossas vidas. Viva-as com presença de espírito e, se possível, com uma taça de champanhe para relembrar o quanto temos para celebrar – do ar que podemos respirar às grandes conquistas intelectuais e físicas.

Tchin tchin, com segurança nas festas de final de ano!

Carolina Schoof Centola é fundadora da TriWine Investimentos e sommelière formada pela ABS, especializada na região de Champagne. Em Milão, foi a primeira mulher a participar do primeiro grupo de PRs do Armani Privé.

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