Os dias são longos, os anos são curtos

Em uma reflexão sobre a maternidade, a colunista Paula Drumond Setubal relembra as madrugadas difíceis que passou após o nascimento dos filhos com saudosismo .

Paula Drumond Setubal
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Guido Mieth/Getty Images
Guido Mieth/Getty Images

Na contramão do que dizem as consultoras de maternidade, dê colo, beije, abrace, nine seus filhos, sim. As madrugadas não serão eternamente difíceis, cedo demais eles andarão com os próprios pés

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Essa semana, separando algumas coisas antigas dos meus filhos, me lembrei de uma frase que li uma vez e no quanto ela faz sentido: “os dias são longos, os anos são curtos”.

Desde que Dudu e Helena nasceram, vivi alguns dias que pareciam não ter fim. Me lembro de acordar, passar o dia e dormir com o mesmo pijama.

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Meus filhos choraram ininterruptamente durante três meses. Não é exagero. Eles estavam dormindo ou estavam chorando. Os resquícios da prematuridade nos acompanharam por um tempo quando saímos do hospital.

Em alguns dias eu chorava junto, em outros rezava por uma solução mágica, ou então me descabelava. Cada dia parecia ser infinito. Sentia culpa por reclamar quando tínhamos o principal: saúde.

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Lembro da angústia de não saber se era refluxo, cólica, fome, frio ou calor. Daquele medo de tudo que acompanha uma mãe assim que ela nasce e que ao longo do tempo aprendi a conviver melhor. As noites intermináveis em claro, infinitas fraldas na madrugada, a aflição de pensar que o leite não era suficiente, a cobrança interna de dar o meu melhor, a saudade que eu sentia de mim mesma da forma que eu costumava ser.

No olho do furacão, parecia que não passaria. Passou.

A verdade é que a maternidade é feita de despedidas. Todos os dias estamos nos despedindo de alguma coisa que não voltará – e certamente da qual lembraremos com saudade. No meio da correria do dia a dia fica fácil não notá-las. Eu mesma, na minha ansiedade de viver a próxima fase – que na minha cabeça certamente seria mais fácil do que a anterior -, muitas vezes perdi momentos. Pulei etapas.

Acontece sem aviso prévio: sem que a gente perceba, um dia acordamos e temos mini pessoas em casa: cheias de personalidade, que escolhem as próprias roupas, que já sabem o que querem e o que não querem. Tudo fica mais fácil, mais simples. Já não sabemos onde ficaram aqueles bebezinhos. E sentimos saudade.

Então, na contramão do que dizem as consultoras, dê colo, beije, abrace, pode ninar, sim. As madrugadas não serão eternamente difíceis, cedo demais eles andarão com os próprios pés.

Tudo passará, mas o carinho, o afeto, amor e as lembranças sempre ficarão.

Paula Drumond Setubal é advogada, mãe de gêmeos e produtora de conteúdo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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