Falar palavrão faz bem para a saúde

Xingar é uma ferramenta efetiva para a liberação da raiva e da frustração, segundo estudos.

Arthur Guerra
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yacobchuk/Getty Images
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Soltar um palavrão pode melhorar o desempenho nos treinos

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Podemos até controlar a boca no ambiente de trabalho, mas é praticamente impossível fugir dos palavrões no dia a dia. Eles estão tão incorporados à língua portuguesa – em expressões -, que deixaram de representar apenas situações ruins, tensas, assustadoras e angustiantes, para se tornarem uma expressão exclamativa também de situações boas e felizes.

Falar palavrões, de acordo com o que têm mostrado diversos estudos, pode ser muito bom para a saúde mental. Xingar é uma ferramenta efetiva para a liberação da raiva e da frustração.

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Pesquisadores já haviam observado que engolir emoções pode fazer, por exemplo, com que a frequência cardíaca aumente. Ao contrário, xingar mobiliza o nosso corpo e funciona como uma espécie de válvula de escape para sentimentos que acumulamos ao longo do dia. Daí o alívio do estresse.

Também já se havia verificado que gritar palavrões (falar alto mesmo) altera a percepção de dor. Não por acaso, a maioria das pessoas vira “boca suja” quando prende o dedo na porta ou dá uma topada com o dedo do pé em algum lugar.

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Mais recentemente, um estudo publicado na revista Psychology of Sport and Exercise (2018) revelou que soltar um palavrão pode melhorar o desempenho nos treinos.

Os pesquisadores responsáveis pelo estudo constataram que dizer palavrões chega a aumentar o desempenho entre 2% e 4%, o que não é pouco, especialmente se o atleta é profissional. Mas não só. Ao pedirem a voluntários que apertassem um tipo de dinamômetro, que mede força aplicada pelas mãos, eles verificaram que as pessoas conseguiam apertá-lo por mais tempo e mais fortemente (8% mais) quando falavam palavrões.

Os cientistas têm uma hipótese para o aumento de força. Segundo eles, o xingamento também distrai do movimento que está sendo executado e que, quase sempre, num treino, motiva reclamação ou desistência. Distraídos, nos esforçamos mais do que conscientemente o faríamos. Quem nunca ouviu de seus treinadores: “Eu sei que você deve estar me xingando mentalmente?”

Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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