Fatia do PIB Agro no PIB Brasil é a maior desde 2004

Setor cresceu 8,3% em 2021 e foi uma das grandes âncoras da economia.

Lygia Pimentel
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Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

O PIB do agro participação alcançou uma participação de 27,4% sobre o PIB brasileiro em 2021

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O PIB do agronegócio brasileiro cresceu 8,3% enquanto o PIB brasileiro teve um desempenho de 4,6% em 2021, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em parceria com a CNA (Confederação Nacional de Agricultura). Essa informação reforça muito a influência do bom resultado do agronegócio dentro da composição da situação econômica nacional como um todo. Mas um destaque importante desse resultado do PIB do agro é que no último trimestre do ano passado, ele chegou a cair 2%, influenciado, sobretudo, por uma piora dos preços do setor.

Diante do bom desempenho do PIB agregado do agronegócio no ano passado, o setor alcançou uma participação incrível de 27,4% sobre o PIB brasileiro — o resultado é o maior desde 2004, quando chegou a 27,5%.

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Segundo o Cepea, os destaques ficaram por conta do segmento primário, que cresceu 17,5% com o aumento dos preços das commodities, e também dos insumos, com uma alta exuberante de 52,6%. Esse resultado deixa claro o viés de pressão sobre as margens que os custos produtivos exerceram ao longo do ano passado para os produtores.

 

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E dentre os ramos, enquanto o PIB agrícola avançou quase 16% de 2020 para 2021, o PIB pecuário recuou 9%. O destaque positivo ficou, portanto, por conta do ramo agrícola, como resultado do aumento real dos preços, tendo em vista as expressivas quebras de produção para importantes culturas pelo clima adverso. Apesar disso, fertilizantes e maquinários são destaque de aumento de custo produtivo.

Já quando a gente fala do ramo pecuário, houve desempenho mais fraco pela própria alta dos custos produtivos, que pressionou as margens, e menor produção de boi gordo, já que o abate registrado no ano passado foi o menor desde 2004. Na indústria processadora, a relação entre insumos e custos ficou negativa, especialmente diante das dificuldades de repasse da alta de preço do boi gordo, que é a matéria-prima da carne, para o consumidor, dada a fragilizada economia doméstica, exacerbada pelo desemprego e inflação, historicamente aceleradas. 

Por fim, a queda do preço do boi gordo em decorrência da suspensão temporária das exportações de carne bovina, em especial para a China que leva metade de tudo que a gente exporta, também influenciou o valor da produção negativamente. Com isso, portanto, o PIB pecuário recuou nessa ordem de 9%.

Esses são os destaques do resultado do PIB do agronegócio no ano passado, números muito importantes e interessantes de acompanhar, principalmente para entendermos a magnitude e importância do que acontece no agro para o que acontece no Brasil. Quando o agro cresce, o Brasil cresce sob grande influência.

Lygia Pimentel é médica veterinária, economista e consultora para o mercado de commodities. Atualmente é CEO da AgriFatto. Desde 2007 atua no setor do agronegócio ocupando cargos como analista de mercado na Scot Consultoria, gerente de operação de commodities na XP Investimentos e chefe de análise de mercado de gado de corte na INTL FCStone.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores

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