Estudos apresentados no Congresso Anual do ASCO 2025 – Sociedade Americana de Oncologia Clínica (da sigla em inglês ASCO: American Society of Clinical Oncology) acenam com esperança para os pacientes de tumores cerebrais malignos. Os resultados, ainda preliminares, são promissores e podem representar uma nova forma de tratar esses tumores.
As novidades devem provocar um importante impacto nos prognósticos. O câncer do Sistema Nervoso Central (SNC), que inclui o cérebro e a medula espinhal, representa de 1,4% a 1,8% de todos os tumores malignos no mundo. Desses, 88% correspondem aos tumores no cérebro. Pesquisa realizada na Universidade de Harvard apontou que os tumores do SNC são os mais frequentes dos cânceres sólidos em crianças com menos de 15 anos e a principal causa de morte na faixa etária.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de que surjam cerca de 11 mil novos casos de câncer do SNC por ano no Brasil – aproximadamente 6 mil em homens e 5 mil em mulheres.
Vacina reforça sistema imunológico de pacientes.
Um dos estudos aponta um novo potencial tratamento para o câncer cerebral, com uma vacina desenvolvida por pesquisadores de Cleveland, nos Estados Unidos. O levantamento avaliou 23 pacientes com tumores bastante agressivos chamados glioblastoma.
A vacina visa estimular o sistema imune a atacar pontos específicos presentes no tumor e que não são encontrados nas células normais do organismo. Os resultados foram bastante promissores, já que para os pacientes que tiveram uma resposta imunológica acentuada a sobrevida mais do que dobrou, se comparado com os pacientes tratados convencionalmente.
Terapia usada em tumores hematológicos tem bons resultados nesse tipo de câncer
O outro estudo apresentado no congresso americano, realizado pela Universidade de Harvard e que traz potencial esperança para pacientes com tumores cerebrais, foi feito com CAR-T Cell, a inovadora terapia já bastante estudada em tumores hematológicos (linfomas, leucemias e mielomas). Atua com a construção de um receptor, que é colocado dentro do linfócito – a célula de defesa do organismo que combate os tumores – para causar um impacto muito importante contra a doença, ou seja, utiliza células de defesa do paciente para combater o câncer.
O estudo avaliou sua aplicação nos tumores cerebrais malignos em que já haviam falhado outros tratamentos e cujo prognóstico era muito reservado. Os dez pacientes analisados nesse trabalho receberam a terapia CAR-T Cell para construir no linfócito o receptor para atacar especificamente uma alteração que é do tumor, e não do organismo.
Os resultados preliminares foram positivos, com respostas imunológicas bastante substanciais nos pacientes que participaram do estudo. Com essas respostas positivas, o CAR-T Cell está sendo estudado em vários tumores e representa uma potencial nova alternativa no futuro para os tumores cerebrais malignos. Essa perspectiva do uso da terapia nos tratamentos desses pacientes é algo que esperamos com muita ansiedade.
De forma geral, os tratamentos dos tumores do SNC são complexos e multidisciplinares. Por isso esses resultados foram recebidos com otimismo pelos especialistas que participaram do ASCO 2025, realizado de 30 de maio a 3 de junho de 2025 em Chicago, nos Estados Unidos. Ainda que preliminares, ajudam a trazer mais esperança para os pacientes, familiares e para todos nós que atuamos para melhorar as perspectivas dos tratamentos oncológicos.
*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.