Estamos no Novembro Azul, mês de conscientização sobre o câncer de próstata. Falar sobre este tema – ainda tabu para muitos homens, infelizmente – é tratar de cuidado, do tempo que queremos viver e da qualidade de vida que desejamos ter.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata continua sendo o tipo mais incidente entre os homens no Brasil (excluídos os tumores de pele não melanoma), com mais de 71 mil novos casos por ano.Esses números reforçam a importância de olhar com atenção para a prevenção e para os avanços que têm transformado o cuidado com a saúde masculina. A ciência tem avançado de forma impressionante, oferecendo novas possibilidades de tratamento e mais esperança para quem enfrenta a doença.
Entre as novidades mais recentes, duas novas drogas se destacam. Uma delas é um medicamento radioativo, uma terapia que usa lutécio-177 (um radioisótopo) para tratar o câncer de próstata metastático resistente à castração. A substância se liga diretamente ao tumor e libera uma dose letal de radioterapia. Em um estudo com quase 600 homens, o tratamento reduziu em 60% o risco de progressão da doença em comparação com as terapias hormonais tradicionais, mostrando alta eficácia inclusive em fases mais precoces da doença.
Outro avanço vem de uma droga inteligente, chamada talazoparibe, desenvolvida para impedir que o tumor se recupere após o tratamento com quimioterapia e hormonioterapia. Essa nova classe de medicamentos vem apresentando resultados muito significativos em pacientes com doença avançada, ampliando as perspectivas de controle e sobrevida.
Esses progressos representam um passo importante no enfrentamento do câncer de próstata, mas também reforçam uma mensagem fundamental: o diagnóstico precoce ainda é a melhor estratégia de sucesso. Exames como o PSA e o toque retal, indicados a partir dos 50 anos (ou antes, em casos de histórico familiar, por exemplo), continuam essenciais para identificar alterações antes que a doença avance.
Por outro lado, o acesso a esses exames e aos tratamentos mais modernos ainda é desigual no país. Por isso, é urgente que sociedade, profissionais e gestores caminhem juntos para garantir que todos os homens tenham acesso à informação, ao diagnóstico em tempo oportuno e aos melhores tratamentos disponíveis para que possamos vencer o câncer de próstata.
*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.
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