O Novembro Azul se encerrou recentemente, mas a conversa sobre a saúde do homem e sobre a importância de romper tabus precisa seguir durante todo o ano. Entre os temas que ainda recebem pouca atenção está o câncer de testículo, que corresponde a cerca de 5% dos tumores masculinos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Embora seja raro quando comparado a outras neoplasias, sua incidência vem crescendo no Brasil, e o diagnóstico precoce continua sendo o principal aliado para altas taxas de cura.
Para ampliar essa discussão, o Instituto Vencer o Câncer lançou a campanha “Ovos do Peçanha: os ovos que realmente importam”, estrelada pelo ator e roteirista Antonio Tabet. Com humor e irreverência, o personagem Peçanha apresenta seus “ovos” como se fossem itens de luxo, ajudando a demonstrar, de maneira simples e didática, como o autoexame testicular pode ser feito e por que ele é tão importante.
A proposta é falar diretamente com os homens, sobretudo os mais jovens, que muitas vezes evitam temas relacionados à prevenção.
O sintoma mais comum do câncer de testículo é o crescimento progressivo de um dos testículos, percebido ao longo de semanas ou meses. Pode haver dor, endurecimento ou apenas aumento de volume. E qualquer alteração deve motivar avaliação médica.
Entre os fatores de risco conhecidos está a atrofia testicular causada por falhas na migração dos testículos durante a vida fetal. Eles se formam no abdômen e deveriam descer para a bolsa testicular antes do nascimento. Quando esse processo não ocorre adequadamente, o risco de câncer aumenta.
Há muitos mitos associados à doença, como a ideia de que traumas ou o hábito de pedalar poderiam causar o tumor. Mas, é importante ressaltar, uma pancada pode até chamar atenção para um aumento já existente, mas não é a causa da doença.
O diagnóstico precoce é determinante para bons resultados. O câncer de testículo é tratável com cirurgia e quimioterapia, e grande parte dos efeitos colaterais do tratamento é reversível. Em situações com risco de infertilidade, pode ser recomendado o congelamento de espermatozoides antes da quimioterapia. Após a remoção do testículo, alguns pacientes podem necessitar de reposição hormonal, algo que deve ser acompanhado por especialistas.
Por que falar sobre isso?
Entre 2012 e 2021, mais de 3,7 mil homens morreram por câncer de testículo no Brasil, e 60% estavam entre 20 e 39 anos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Os números reforçam a urgência de abordar o tema com seriedade, naturalidade e linguagem acessível.
A baixa procura por cuidados também preocupa. Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia mostra que 46% dos homens acima de 40 anos só vão ao médico quando têm sintomas; um hábito que dificulta a prevenção e o diagnóstico precoce.
Depois de um mês inteiro lembrando a importância do autocuidado e da saúde integral do homem, é fundamental ampliar o olhar para além da próstata. O câncer de testículo é menos frequente, mas afeta homens jovens, tem cura na imensa maioria dos casos e pode ser identificado cedo com atenção ao próprio corpo.
Com humor inteligente e foco em educação, a campanha do Instituto Vencer o Câncer reforça esse convite: olhar para a saúde sem vergonha, sem tabu e com responsabilidade. Porque informação salva vidas! E isso vale em novembro e em todos os meses do ano.
*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.
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