Eu acredito muito no poder do exemplo. Sou entusiasta da prática de atividades físicas, sempre compartilho, com satisfação, estudos que mostram os benefícios do exercício para a saúde e, vez ou outra, compartilho nas redes sociais uma foto de uma corrida. Se uma imagem vale mais do que mil palavras, talvez o meu movimento pessoal possa inspirar alguém a dar o primeiro passo em busca de mais qualidade de vida.
É esta reflexão que ganha ainda mais força no Dia Mundial da Atividade Física, celebrado no próximo dia 6 de abril. A ciência já demonstrou, de forma consistente, que se movimentar regularmente não apenas contribui para o bem-estar, mas também desempenha um papel importante na prevenção e no tratamento de diversas doenças, incluindo o câncer.
Hoje sabemos que a prática de atividade física ajuda a reduzir o risco de pelo menos 13 tipos de câncer, entre eles os de mama, próstata e do aparelho digestivo. Mas os benefícios não param por aí. Estudos mais recentes mostram que pacientes oncológicos que se mantêm ativos durante e após o tratamento apresentam melhor evolução clínica.
Mulheres com câncer de mama, homens com câncer de próstata e pacientes com tumores do trato digestivo, por exemplo, podem se beneficiar significativamente da prática regular de exercícios. Entre os ganhos observados estão a melhora do bem-estar, a redução da fadiga, o aumento da disposição, maior adesão ao tratamento e até a diminuição do risco de recidiva da doença, além de menos complicações cardiovasculares. É um cuidado que atua de forma integrada, olhando para o paciente como um todo.
Diante dessas evidências, a atividade física deixa de ser apenas uma recomendação complementar e passa a ser reconhecida como parte integrante do tratamento oncológico. Ao lado de terapias como quimioterapia, cirurgia, radioterapia e outros medicamentos, o exercício se consolida como uma ferramenta terapêutica capaz de contribuir para melhores resultados.
Na minha rotina, mesmo nos raros dias de descanso, faço questão de me manter em movimento. Não se trata de intensidade, mas de constância. O mais importante é começar no seu ritmo, respeitando seus limites, e escolher uma atividade que faça sentido para você.
Porque, no fim das contas, incorporar o movimento no dia a dia é uma das formas mais acessíveis e eficazes de cuidar da saúde. E, cada vez mais, a ciência mostra que esse cuidado pode fazer toda a diferença na prevenção, no tratamento de doenças e na vida.
*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.
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