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Dia Mundial sem Tabaco: uma Conquista Histórica Que Precisa Sempre Ser Defendida

Mesmo após décadas de avanços no combate ao tabagismo, o crescimento do uso de cigarros eletrônicos reacende o alerta sobre os riscos da nicotina e a necessidade de proteger novas gerações

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Anualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) realiza, em 31 de maio, as mobilizações do Dia Mundial sem Tabaco. Em 2026, a mensagem da campanha é um alerta: é preciso expor os falsos atrativos utilizados pela indústria do cigarro para estimular o consumo e combater o vício em tabaco e nicotina.

Segundo a OMS, cerca de 15 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos usam cigarros eletrônicos em todo o mundo. Nos países com dados disponíveis, os adolescentes têm, em média, nove vezes mais probabilidade de utilizar esses dispositivos do que os adultos. Além disso, aproximadamente 40 milhões de jovens nessa faixa etária ainda consomem produtos de tabaco.

Esses dados mostram que a indústria do tabaco continua adotando estratégias sofisticadas para tornar seus produtos mais atraentes, especialmente para os jovens. Sabores adocicados, embalagens com visual moderno e mensagens que associam o consumo à liberdade, à inovação e a um determinado estilo de vida ajudam a criar uma falsa percepção de segurança e a estimular o início do uso.

E é exatamente aí que está o perigo e a notícia que há muito temíamos: números recentes do Ministério da Saúde indicam que, entre 2023 e 2024, o porcentual de fumantes voltou a crescer no país, passando de 9,3% para 11,6%. O aumento, acredita-se, estaria associado à popularização dos dispositivos eletrônicos para fumar, os chamados cigarros eletrônicos ou vapes, cujo comércio e propaganda seguem proibidos no país pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Brasil é reconhecido mundialmente como uma das nações que obtiveram os resultados mais expressivos no combate ao tabagismo. Há 30 anos, a promulgação da Lei nº 9.294, de 1996, foi um marco ao estabelecer restrições ao uso de produtos derivados do tabaco em ambientes coletivos e ao limitar a publicidade desses produtos. Cerca de 15 anos mais tarde, em 2011, a Lei nº 12.546 reforçou esse avanço ao extinguir os fumódromos e ampliar a proibição do fumo em todos os ambientes fechados de uso coletivo, incluindo bares e restaurantes.

Essas medidas ajudaram a transformar profundamente a cultura do país e tiveram impacto direto na saúde da população, com o apoio de políticas públicas consistentes, campanhas educativas, restrições à propaganda e ampliação do acesso ao tratamento para cessação do tabagismo.

Como resultado, de 1989 e 2023, o tabagismo no Brasil caiu de 35% para 9,3%, uma das reduções mais expressivas já observadas no mundo. No entanto, os avanços conquistados ao longo de décadas não podem ser considerados definitivos.

O cigarro continua sendo um dos principais fatores de risco para o câncer


Hoje existe um avanço significativo na compreensão de outros fatores de risco para o câncer, como obesidade, alimentação inadequada e sedentarismo. Ainda assim, o tabagismo permanece como um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento de diversos tipos de câncer, incluindo pulmão, boca, laringe, esôfago, bexiga, rim e pâncreas, além de doenças cardiovasculares e respiratórias.

O perigo continua presente, muitas vezes disfarçado em dispositivos eletrônicos vendidos como alternativas menos nocivas ou mais modernas. Mas a realidade é que a nicotina causa dependência e a exposição às substâncias presentes nesses produtos representa um risco concreto à saúde.

A orientação, então, continua a mesma. Se você não fuma, não comece. Se você fuma, procure ajuda para parar.

Parar de fumar é uma das decisões mais importantes para reduzir o risco de câncer e de inúmeras outras doenças. E nunca é tarde para colher benefícios. Em pouco tempo, o organismo começa a se recuperar e, ao longo dos anos, o risco de adoecimento diminui de forma significativa.

O Dia Mundial sem Tabaco é uma oportunidade para celebrar conquistas importantes, mas também para reforçar que a prevenção continua sendo uma das ferramentas mais poderosas da medicina.

*Dr. Fernando Maluf é médico oncologista, cofundador do Instituto Vencer o Câncer e professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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