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Couro é sustentável do campo às passarelas

Será que é bom para o meio ambiente desperdiçar o couro já disponível e substituí-lo por um tipo de plástico de baixa durabilidade?

3 min
Divulgação
DivulgaçãoO Brasil possui 244 plantas curtidoras, exporta 80% do couro produzido, o que o posiciona como o terceiro maior exportador de couro do mundo.

Você já deve ter comprado uma bolsa do chamado couro ecológico, mas será que é realmente bom para o meio ambiente desperdiçar o couro que já temos disponível e ainda substituí-lo por um tipo de plástico de baixa durabilidade como vemos por aí, com bolsas e cintos que esfarelam?

A indústria da moda está muito atenta a isso e já houve marcas que voltaram atrás no uso do couro ecológico pela baixa qualidade do produto final. Ao mesmo tempo, não há interesse em compactuar com o sofrimento animal e com práticas lesivas ao meio ambiente.

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Algumas iniciativas têm conseguido, como a parceria entre a Textile Exchange e a Produzindo Certo com pecuaristas brasileiros, que oferecem ao mercado da moda a possibilidade de incentivar e premiar a produção sustentável de couro, através da compra de créditos deste produto. Nesse ano de 2023, segundo ano do programa, é esperada a comercialização de quase 120 mil créditos de couro sustentável, gerados em apenas doze fazendas distribuídas em três estados brasileiros.

O couro é um subproduto da indústria da produção animal. Ao abater animal para produção de carne, existe uma infinidade de couro disponível que pode ser aproveitado pela moda. O couro é uma matéria-prima super resistente, que carrega muita tradição.

Dentro da cadeia produtiva também existe a conscientização do cuidado com o couro. Defendo campanhas para redução da marca a fogo nos animais, como forma de evitar o sofrimento e também a valorização do uso do couro.

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O Brasil possui 244 plantas curtidoras, exporta 80% do couro produzido, o que o posiciona como o terceiro maior exportador de couro do mundo. Porém, mesmo com o cenário de expansão da produção pecuária no Brasil, as exportações do couro brasileiro caíram de 220 milhões de metros quadrados no ano de 2014, para 140 milhões de metros quadrados em 2022.

Hoje, com os compromissos que as marcas da moda têm feito com o setor produtivo, é possível, sim, usar uma peça de couro que é fruto de boas práticas desde a fazenda até as passarelas.

*Carmen Perez é pecuarista e entusiasta das práticas do bem-estar animal na produção animal. Há 14 anos, trabalha intensivamente a pesquisa na fazenda Orvalho das Flores, no centro-oeste do Brasil, juntamente com o Grupo Etco, da Unesp de Jaboticabal e universidades internacionais. Foi presidente do Núcleo Feminino do Agronegócio (NFA) em 2017/2018.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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