Como alguém que acompanha o universo da alimentação há anos, confesso que estou fascinada com o que estamos vivendo. Trata-se de uma mudança cultural profunda na nossa relação com a comida, onde a pergunta “o que tem para comer?” foi substituída por “quanta proteína tem nisso?”. E essa busca frenética por proteína se manifesta de duas formas que, à primeira vista, parecem opostas, mas que na verdade são dois lados da mesma moeda: a reinvenção da carne bovina e a explosão de produtos proteicos inovadores.
De um lado, temos a carne bovina, que vive uma espécie de renascimento. Se antes o foco era a suculência e o sabor, hoje a narrativa é sobre saúde, bem-estar e sustentabilidade. O consumidor moderno, mais informado e exigente, não quer apenas um bife saboroso; ele quer saber a procedência, o tipo de criação do gado e se a produção é sustentável.
Cortes mais magros, como patinho e alcatra, ganham destaque, e a carne é cada vez mais apresentada como uma fonte “limpa” e poderosa de nutrientes essenciais, como ferro, zinco e vitaminas do complexo B. É a tradição se adaptando aos novos tempos, mostrando que a carne pode, sim, fazer parte de um estilo de vida saudável e consciente.
Consumidores buscam mais do que nunca opções que ofereçam benefícios funcionais, como o fortalecimento da imunidade, e que se encaixem em dietas específicas, como as ricas em proteínas para ganho de massa muscular ou controle de peso.
A carne bovina é mundialmente reconhecida como uma excelente fonte de proteínas de alto valor biológico, o que significa que ela contém todos os aminoácidos essenciais que o corpo humano não consegue produzir e que são cruciais para a construção e reparação de tecidos, incluindo músculos, pele e cartilagens.
A riqueza nutricional das carnes
Além das proteínas, a carne bovina é rica em micronutrientes vitais, como ferro heme (altamente biodisponível e crucial para prevenir a anemia), zinco (importante para a imunidade) e vitaminas do complexo B (essenciais para o metabolismo energético e a saúde do sistema nervoso). Esses nutrientes são fundamentais para o bom funcionamento do organismo e para a manutenção da vitalidade, aspectos centrais do conceito de bem-estar.
O mais interessante é que o futuro não parece ser uma batalha entre o bife e as alternativas. O consumidor, especialmente o flexitariano (que já representa quase metade do mercado global), não quer escolher um lado; ele quer transitar entre eles.
A tendência aponta para um futuro híbrido, onde o mesmo consumidor que aprecia um bife de produção sustentável no jantar pode optar por um iogurte com proteína vegetal no café da manhã. A variedade de fontes, combinando proteínas de origem animal, vegetal e até mesmo as obtidas por fermentação, é vista como o caminho mais saudável.
Carne bovina, a ferramenta para otimizar a saúde
Essa nova era da proteína está redefinindo não apenas o que comemos, mas como pensamos sobre comida. Deixamos de contar apenas calorias para contar gramas de proteína.
A comida não é mais só prazer ou sustento; é uma ferramenta para otimizar nossa saúde, nosso corpo e nosso bem-estar. E nessa busca incessante pela proteína perfeita, a indústria de alimentos se reinventa, mostrando que, seja no açougue ou na gôndola de cereais, a estrela do momento é uma só.
*Amália Sechis é bacharel em direito pela Fundação Armando Álvares Penteado, empresária e criadora da marca BeefPassion, produtora de carne bovina brasileira que em 2015 a recebeu o certificado internacional da Rainforest Alliance, tornando-se a primeira empresa produtora de carne brasileira a alcançar a certificação de agricultura sustentável.
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