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Adeus Balada? Como as Coffee Raves Reposicionam o Café na Cultura da Nova Geração

Entre DJs, matcha e banhos gelados, eventos diurnos centrados no café se espalham por cidades como Nova York e Miami e indicam novas forma de consumo

8 min

O café é a escolha preferida para começar o dia de muita gente. Uma xícara de café também costuma estar associada a afundar em poltronas confortáveis, com um bom livro, enquanto um jazz suave ou outra boa música toca nos alto-falantes. Nos dias atuais há uma febre de “coffee rave” em Nova York, como o recém-inaugurado Ruhani Cafe, no Brooklyn, onde é possível nas manhãs ensolarada encontrar um empolgado DJ tocando ao vivo do outro lado da rua. Mas o que é exatamente esse movimento, o que ele diz ao mercado e como entender melhor o que está ocorrendo nos EUA e que pode escalar em outros locais?

A Datassential, um importante banco de dados de alimentos e bebidas, informou em janeiro deste ano que cerca de um terço dos consumidores acredita que poderia moderar melhor o consumo de álcool, e 6% já reduziram a ingestão ou pararam de beber completamente. Faz sentido que as pessoas estejam procurando alternativas fora do cenário típico da vida noturna para se conectar, e essas festas de café parecem oferecer um espaço para socializar com pessoas de interesses semelhantes, ouvindo a música de que gostam sem que o álcool seja o foco principal.

No entanto, como acontece com todas as tendências, é difícil não se perguntar se essas festas diurnas pulsantes terão longevidade ou se são apenas uma moda passageira. A Forbes EUA foi procurar alguns especialistas do setor para explicar do que se trata essa mais recente tendência de balada em cafés e como eles veem seu futuro.

Qual é o clima em uma coffee rave?

Em vez de se voltarem para a agitação da vida noturna, esses participantes das coffee raves buscam encontros durante o dia que ainda proporcionem uma experiência coletiva com música animada e alta energia. Mas como é exatamente o clima em um desses eventos?

Will Shurtz, coproprietário da Methodical Coffee em Greenville, na Carolina do Sul, diz que a proposta é oferecer a mesma música de clube encontrada em uma rave tradicional, mas com um ambiente de café. “Há café e produtos de padaria”, diz ele. “E essas festas geralmente acontecem pela manhã.”

Quando questionado se teria interesse em realizar algo assim em uma de suas quatro cafeterias, Shurtz diz que o assunto ainda não foi discutido, mas afirma estar aberto à ideia.

“A geração mais jovem não está consumindo tanto álcool, mas ainda quer se divertir”, afirma. “Ninguém em Greenville está fazendo esse tipo de festa, então poderia ser uma experiência nova e interessante por aqui.”

O Kimpton Canary Hotel, em Santa Barbara, em breve começará a oferecer sua própria série de festas de café nas manhãs de sábado, realizadas no terraço do hotel com DJ ao vivo, além de café fornecido pelo café móvel local Considered Coffee.

“As pessoas estão novamente buscando conexão, só que nem sempre no ambiente tradicional da vida noturna”, diz Charles Gardner, diretor de vendas e marketing do Kimpton Canary Hotel, em Santa Barbara, na costa da Califórnia. “Não se trata de recriar um ambiente de clube durante o dia, mas de oferecer um encontro social diurno baseado em café, música, sol e conversa.”

O que é oferecido em uma coffee rave?

A tendência das coffee raves ainda é relativamente nova, mas continua evoluindo, assim como suas ofertas. Café e doces continuam no cardápio e, certamente, há um DJ ao vivo, mas muitos dos encontros maiores oferecem desde massagens até aulas de atividade física.

O grupo de eventos sociais voltados ao bem-estar Coffee & Chill organiza eventos regulares com ingressos em grandes cidades, incluindo Nova York, Miami, Los Angeles e Austin, ocupando coberturas e terraços e atraindo entre 300 e 600 pessoas em cada edição. O grupo também faz parcerias com marcas locais de café, como Jack’s Stir Brew Coffee em Nova York e Raccoon Coffee em Miami.

1 Hotel South Beach/RoamwithivanLocais se preparam para festas com mais frequência

“Em qualquer evento Coffee & Chill você encontra banhos de imersão em água fria, DJ, café e matcha”, explica Liz Lindenmeier, cofundadora da Coffee & Chill. “Todo mundo está curtindo a música do DJ, segurando café, tomando shots de bem-estar, recebendo massagens e fazendo terapia de luz vermelha, então ainda é muito um ambiente de cena social.”

Esses eventos atraem uma mistura de pessoas entre 25 e 45 anos, com divisão quase igual entre homens e mulheres, algo que Lindenmeier considera um ponto positivo.

“Acaba se tornando quase mais uma oportunidade para as pessoas se conhecerem caso estejam solteiras e procurando um relacionamento”, afirma Lindenmeier. “Há muitos jovens profissionais que claramente estão priorizando a saúde enquanto também fazem networking.”

Realmente não há álcool?

Enquanto algumas dessas festas de café são rigorosas em excluir bebidas alcoólicas, atendendo a públicos curiosos pela sobriedade e consumidores que preferem beber de forma mais consciente, outras adotam uma abordagem mais flexível, o que pode ampliar a inclusão à medida que a tendência cresce e alcança um público mais amplo.

“As raves diurnas com café apresentam café de qualidade, mas gradualmente também passaram a incluir ótimos coquetéis”, afirma Olivia Kupfer, diretora global e dos Estados Unidos de negócios da Mr Black, licor de café.

“Vimos raves diurnas em cafeterias, padarias e até delicatessens, mas, à medida que a popularidade cresceu, também aumentou o desejo de participar, o que levou as raves a novos espaços e trouxe consumidores que querem coquetéis durante experiências de alta energia” diz ela.

As raves que servem álcool podem oferecer desde o clássico espresso martini até coquetéis simples de dois ingredientes, típicos de boates, como rum com cola. Coquetéis refrescantes, como spritz e bebidas tipo raspadinha alcoólica, também podem aparecer, especialmente em eventos realizados em clima mais quente, além de vinhos gelados como rosé.

Quando Ben Potts, sócio da Unfiltered Hospitality e coproprietário do The Sylvester, participou do evento Daybreaker no Miami Ironside no ano passado durante a Miami Music Week, ele percebeu que café, chá e água eram servidos, mas os participantes também bebiam outras coisas.

“Muita gente bebendo álcool de verdade, o que não foi problema para mim”, conta Potts. “Embora o álcool não fosse vendido ali, parecia que as pessoas tinham levado suas próprias bebidas.”

Por que as coffee raves e festas estão populares agora?

As coffee raves estão em ascensão por um bom motivo. Os consumidores querem conexão presencial com pessoas de mentalidade semelhante que valorizam o bem-estar tanto quanto eles.

“O café e os banhos de água fria oferecidos em nossos eventos são um grande atrativo”, diz Lindenmeier, “mas a comunidade está realmente no centro de tudo. Grandes conversas e networking acontecem quando você tem uma xícara de café na mão.”

O 1 Hotel South Beach, em Miami Beach, fez parceria com o grupo The Coffee Party, de Toronto, para realizar sua primeira festa de café durante a Art Week no ano passado em seu restaurante Tala Beach. Durante a festa, além da dança, algo interessante também aconteceu: as pessoas não estavam usando seus celulares.

“Não parecia um evento de influenciadores em que as pessoas correm para tirar fotos e postar nas redes sociais”, disse Tatiana Meira, diretora de marketing do 1 Hotel South Beach. “Era muito mais sobre estar presente no momento, conectar-se com as pessoas e simplesmente aproveitar a música.”

Essas festas de café vieram para ficar?

Não há dúvida de que essas festas de café têm surgido com mais frequência recentemente, mas a pergunta permanece: essa tendência vai durar? Neste momento, o setor parece ter opiniões divergentes.

Embora Shurtz diga que apoia essa nova tendência divertida, ele admite que não acredita que seja sustentável o suficiente para permanecer por muito tempo. “A cafeteria é um lugar para a rotina da manhã”, afirma. “Não necessariamente um lugar para festas.”

Meira, por outro lado, acredita que as festas de café continuarão por algum tempo. “O bem-estar é prioridade para todo mundo agora”, diz ela. “Além disso, as pessoas querem dançar durante o dia.”

Quanto a Potts, ele não sabe se gastaria dinheiro novamente com um ingresso para um desses eventos, mas isso não o impede de acreditar que eles continuarão existindo no futuro. “Gosto do conceito e adoro música de qualidade”, afirma. “Festas durante o dia certamente têm seu espaço.”

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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