No mercado de edifícios comerciais da cidade de Nova York, o tradicional e rígido contrato de locação de longo prazo tem cedido espaço cada vez mais para alternativas flexíveis. Em um esforço para atender a empresas em fase de crescimento, os proprietários de imóveis estão buscando incorporar “minissuítes” totalmente mobiliadas em seu portfólio.
Esses ambientes compactos proporcionam a startups e outros pequenos empregadores a oportunidade de garantir um ponto de entrada em prédios de alto padrão por meio de espaços acessíveis, na modalidade “chave na mão” e prontos para ocupação imediata.
A capacidade de escalabilidade é um dos principais atrativos dessas unidades menores. Os donos dos ativos conseguem permitir que organizações de menor porte comecem com as instalações reduzidas e, posteriormente, façam a transição para lajes mais amplas. No entanto, grandes corporações também podem se beneficiar do produto.
Os locais podem ser utilizados como áreas de transição quando as mudanças de andar ou obras de adequação exigirem metragem adicional; como escritórios de apoio caso companhias sediadas em outras metrópoles busquem estabelecer uma filial nova-iorquina; ou ainda como polos de trabalho híbrido nos momentos em que equipes remotas precisarem estar presencialmente para fins de colaboração ou integração.
“Esse modelo confere aos empreendimentos uma vantagem competitiva e à prova de obsolescência em um cenário onde a agilidade e o custo-benefício direcionam as decisões de aluguel”, afirma Scott Spector, sócio-diretor do Spectorgroup, escritório internacional de arquitetura, design de interiores e planejamento urbano com sede em Nova York.
Segundo ele, as evidências são claras. De 2024 a 2025, a expansão das áreas flexíveis atingiu quase 7% na metrópole norte-americana, superando o ritmo dos arrendamentos convencionais.
Serviços de alto padrão
Além de fornecer infraestrutura para firmas que necessitam de versatilidade sem o compromisso dos contratos longos, as minissuítes dão aos locadores a chance de moldar uma identidade distinta daquela de seus concorrentes, destaca Joshua Vizzi, diretor associado, arquiteto sênior de projetos e diretor de entregas da HLW, empresa global de arquitetura, planejamento e interiores.
“Esses ambientes permitem que os proprietários criem uma experiência de marca que diferencia suas propriedades de outras opções disponíveis no mercado”, explica Vizzi.
“O desenvolvimento de uma tipologia de layout para essas unidades junto a um parceiro especializado pode ajudar a implementar rapidamente conceitos de design sofisticados que normalmente não estariam acessíveis para áreas que exigem rápida rotatividade.”
Trata-se de uma resposta perfeitamente adaptada a esta era específica, na qual o segmento corporativo é cada vez mais caracterizado pelo anseio por maleabilidade entre os inquilinos.
“As corporações estão se expandindo e retraindo com maior velocidade e buscam ambientes do tipo ‘plug-and-play‘ que consigam suportar essas necessidades dinâmicas”, relata o especialista.
Prontos para mudança
Quem concorda que a minissuítes se tornou uma força expressiva nas locações comerciais de Nova York é Doug West, associado executivo e diretor criativo de estúdio da TPG Architecture.
Baseada na cidade, a companhia é especialista em interiores corporativos, design de varejo e arquitetura de infraestrutura de edifícios. A organização tem observado um interesse contínuo por parte dos clientes em suítes de andar parcial, inteiramente mobiliadas e que ofereçam prazos maleáveis.
Segundo West, alguns locatários firmaram acordos de dois a três anos para utilizar os espaços no estado em que se encontram (as-is) ou já prontos para a mudança.
“Geralmente, esses arranjos exigem o mínimo de trabalho de projeto, às vezes apenas pequenos ajustes, como a realocação de uma ou duas paredes. Gosto da ideia de os prédios incorporarem duas ou três dessas unidades em sua estratégia global de locação para servirem como área de transição aos atuais inquilinos, espaço provisório destinado a novos locatários, ou como ambiente ‘incubador’ voltado a negócios em expansão que precisam de dinamismo enquanto ganham escala e não podem assumir compromissos duradouros.”
A TPG Architecture também conduziu projetos de uma seguradora e de uma gestora de patrimônio que demandavam escritórios com mesas rotativas (hot desking), comenta o executivo.
O objetivo das instalações era fornecer um local para a colaboração entre os membros do time e para reuniões com a clientela.
Essa tendência resume-se à inclinação dos empregadores de ampliar e reduzir seus quadros em um ritmo rápido e sem precedentes, de acordo com Suzette Subance, diretora executiva e diretora criativa de estúdio da TPG Architecture.
Com o objetivo de se adequar a essa demanda de mercado em célere evolução, um número crescente de proprietários está pré-construindo e equipando espaços que variam de 185 a 1.300 metros quadrados de tamanho.
“Isso teria sido algo impensável há cinco anos”, conclui ela.
Reportagem originalmente publicada em Forbes.com