Na noite da última quarta-feira (8), Bal Harbour Shops se tornou, por algumas horas, uma extensão do universo de Victoria Beckham. Sob o calor ainda presente do fim de tarde de Miami, a estilista reuniu a família e amigos da House of Victoria Beckham para celebrar a abertura do primeiro pop-up da marca nos Estados Unidos, um capítulo que confirma a cidade como porta de entrada natural para as grandes casas de moda internacionais.
A celebração começou dentro da loja, com mini martinis e taças de champagne “à la piscine” circulando entre as peças da nova coleção. De lá, o grupo seguiu para o pátio de Bal Harbour Shops, onde os aguardava um jantar íntimo à luz de velas, assinado pelo Makoto. Avocado robata, sashimis, o branzino ao wasabi chimichurri e taças de saquê conduziram a noite dentro do espírito da culinária japonesa contemporânea, discreta, precisa, sem excessos.
À mesa, a presença do marido David Beckham, dos filhos Harper, Romeo Beckham (com a namorada Kim Turnbull) e Cruz Beckham (com a namorada brasileira Jackie Apostel), ao lado de amigos como Marc Anthony, Nadia Ferreira, Antonela Roccuzzo, Ronaldo Nazário, Celina Locks, Zulay Pogba, Karolina Kurkova, o casal Isabela e David Grutman e a modelo Carolina Mendes, confirmou o tom do encontro: mais reunião de família estendida do que evento de lançamento, exatamente como Victoria Beckham costuma desenhar os grandes momentos de sua marca.

Aberto ao público até 30 de setembro, o pop-up marca a primeira operação de varejo própria da Victoria Beckham em solo americano, um passo relevante na expansão global da casa. “Receber o primeiro conceito de varejo da Victoria Beckham nos Estados Unidos em Bal Harbour Shops é um momento empolgante para nós e para nossos clientes”, afirma Carolyn Travis, diretora de marketing de Bal Harbour Shops. “Esse pop-up reflete o tipo de expansão de marca cuidadosa e globalmente relevante que temos orgulho de apoiar, trazendo novas perspectivas para o luxo e criando um destino de descoberta ao longo da temporada.”
Inspirado no flagship da marca em Dover Street, em Londres, o espaço reproduz a atmosfera residencial que se tornou assinatura da casa: tons de verde profundo, madeira em acabamentos táteis e uma ambientação que convida o cliente a atravessar a porta como quem entra em uma casa, não em uma loja. Ali, peças icônicas do prêt-à-porter dividem espaço com uma seleção de acessórios pensada para o público de Bal Harbour Shops e com uma colorway bronze exclusiva de Miami.

É também a primeira vez fora de Londres que a moda de Victoria Beckham convive, sob o mesmo teto, com a Victoria Beckham Beauty, extensão natural de um universo construído com precisão desde 2008, quando a marca nasceu de uma coleção de vestidos e hoje soma mais de 230 pontos de venda ao redor do mundo, além do flagship em Mayfair.
Quem viu o documentário “Victoria Beckham”, da Netflix, sabe o quanto essa trajetória custou para ser levada a sério. Foram 15 anos de balanço no vermelho: ela e David, sócios na aposta, seguiram bancando a marca temporada após temporada, numa teimosia que hoje se traduz em números concretos. Em 2023, puxada pela linha de beleza, a Victoria Beckham teve seu primeiro ano de lucro; em 2024, o faturamento saltou 26%, para £112,7 milhões, e em 2025 as vendas já superavam os $170 milhões. Hoje, estimativas de mercado avaliam a House of Victoria Beckham entre £375 milhões e $700 milhões, a depender da métrica.
Um mercado que, por muito tempo, insistiu em enxergá-la apenas como uma pop star tentando se reinventar de estilista ignorava o argumento que ela mesma levanta no documentário: dos seus 52 anos, apenas quatro foram vividos como Posh Spice; da moda, já são 18. A House of Victoria Beckham não nasceu de um capricho passageiro. Foi construída, temporada após temporada, com a certeza de quem sempre soube exatamente onde queria chegar.
A escolha de Bal Harbour Shops também não é casual. Aberto em 1965 pelo visionário Stanley Whitman, o centro de compras a céu aberto foi o primeiro dos Estados Unidos dedicado inteiramente ao luxo, e segue até hoje como referência, entre lagos com carpas, palmeiras e a vista direta para o Atlântico, na recepção de marcas internacionais que desembarcam pela primeira vez no país. Depois de Miami, o próximo endereço da expansão americana já está definido: Nova York, ainda neste outono.
Entre martinis, sashimi e a discrição de quem construiu, em quase duas décadas, uma das casas de moda mais consistentes do momento, ficou um recado nas entrelinhas da noite: mais do que abrir uma loja em Miami, Victoria Beckham está expandindo, com naturalidade, o footprint de uma marca que soube construir seu próprio valor.