O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou nesta segunda-feira (27) a abertura sanitária de três mercados: China, Paraguai e Palau, este último um arquipélago com mais de 500 ilhas, parte da região da Micronésia no oeste do Oceano Pacífico. As autoridades dos três países confirmaram acesso para produtos brasileiros, combinando alto valor agregado, integração regional e presença simbólica no Pacífico.
O protocolo sanitário assinado com a China autoriza, pela primeira vez, a exportação direta do cálculo biliar bovino ao mercado chinês continental. Até então, apenas Argentina e Uruguai tinham essa autorização; o Brasil dependia de Hong Kong como porta de entrada na Ásia.
O item se soma a uma lógica já consolidada na pecuária brasileira: extrair valor de cada coproduto do abate (couro, sebo, ossos, colágeno, gelatina) e agora também esse insumo farmacêutico de altíssimo valor.
Fronteira aberta para o Paraguai e Palau
O governo paraguaio aprovou o modelo de Certificado Sanitário Internacional (CSI) que permite a exportação de suínos vivos brasileiros destinados ao abate. A abertura tem caráter regional e tende a beneficiar frigoríficos e produtores de fronteira, reforçando a integração comercial dentro do bloco sul-americano.
Palau, nação insular do Oceano Pacífico, aprovou os modelos de CSI para receber carnes bovina, ovina, caprina e suína do Brasil. O volume de comércio com o país é pequeno, mas o anúncio amplia a presença global da proteína animal brasileira e reduz a dependência de poucos parceiros tradicionais.
Mais mercado para o mundo
Desde o início de 2023, quando começou a contagem oficial, o Mapa registrou a seguinte evolução: 507 mercados abertos até o fim de 2025, sendo 211 apenas naquele ano, o maior avanço já registrado em um único ciclo de gestão, segundo o ministério.
Em meados de abril de 2026, o total acumulado chegou a 594 mercados, impulsionado por uma rodada que somou 29 produtos liberados em 9 países só na primeira quinzena do mês. Em 8 de junho de 2026, o número subiu para 616 mercados abertos desde 2023, com o ministro André de Paula reafirmando a meta de chegar a 700 até o fim do mandato.
Os números permitem estimar cerca de 109 novos mercados abertos em 2026 até o início de junho, e aproximadamente 538 novos mercados desde 2024, somando 2024, 2025 e o início de 2026.
Um estudo da ApexBrasil em parceria com o Mapa estimou que os mais de 500 mercados abertos desde 2023 já geraram US$ 3,4 bilhões em exportações adicionais, com impacto distribuído por todas as regiões do país. Cerca de 60% das aberturas ocorreram em países onde o Brasil mantém adidos agrícolas, o que reforça o papel dessa rede diplomática técnica na identificação de oportunidades e na negociação de exigências sanitárias.