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Mercado Global Da Cerveja Caminha Para US$ 1,2 Trilhão

No Dia Internacional da Cerveja, setor destaca cadeia que movimenta até US$ 916 bilhões, gera milhões de empregos e impulsiona a economia brasileira

7 min

Criado em 2007, na cidade de Santa Cruz, na Califórnia, nos Estados Unidos, o Dia Internacional da Cerveja nasceu com três objetivos: reunir pessoas para apreciar a bebida, homenagear quem a produz e quem a serve e celebrar a diversidade cervejeira existente no mundo.

O que começou como uma iniciativa local rapidamente ganhou alcance internacional e hoje é comemorado em dezenas de países, entre eles o Brasil. Na celebração de hoje, comemora-se também uma cadeia produtiva que nasceu junto com a agricultura e continua fortemente ligada ao campo. Água, cevada, milho, arroz, lúpulo, embalagens, transporte e distribuição formam uma engrenagem que conecta produtores rurais, indústrias, comerciantes e consumidores em todo o mundo.

“O mercado cervejeiro industrial no Brasil terá um crescimento mais moderado, embora continue sendo uma indústria gigantesca, responsável por cerca de 2% do PIB e por mais de R$ 50 bilhões em impostos anuais”, destaca o presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Márcio Maciel.

Mundialmente, a celebração acompanha um mercado que está entre os maiores da indústria de alimentos e bebidas. Segundo levantamentos de consultorias como Grand View Research, Fortune Business Insights e Statista, a receita global do setor já está entre US$ 898 bilhões e US$ 916 bilhões, com projeções que apontam para um mercado superior a US$ 1,2 trilhão até o início da próxima década.

As cervejas do tipo lager concentram cerca de 76% da receita mundial, enquanto o segmento artesanal já movimenta mais de US$ 94 bilhões por ano.

No Brasil, a data vai além do simbolismo. A cerveja se consolidou como um dos segmentos mais relevantes da indústria de alimentos e bebidas, conectando o agronegócio, a indústria, a logística, o comércio e os serviços em uma cadeia que ainda gera mais de 2,5 milhões de empregos, segundo Maciel.

Um gigante na produção e no consumo

Divulgação/SindicervMárcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv

O Brasil ocupa posição de destaque no mercado global de cerveja. Segundo o mais recente relatório Global Beer Consumption (com dados de 2024), da Kirin Holdings, gigante corporativa japonesa do setor de bebidas, alimentos e saúde, o país figura entre os maiores consumidores do planeta e foi um dos responsáveis pelo crescimento registrado na América Central e do Sul em 2024, região que avançou 1,6% no consumo da bebida em relação ao ano anterior.

Enquanto a China segue na liderança mundial em volume consumido pelo 22º ano consecutivo, a Ásia permanece como a principal região consumidora, concentrando cerca de um terço de toda a cerveja consumida no planeta. Já a República Tcheca continua líder mundial em consumo per capita há 32 anos. Confira abaixo quem são os 10 maiores nos quesitos consumo e consumo per capita.

Consumo global de cerveja por país em 2024

  1. China, 40,5 bilhões de litros
  2. Estados Unidos, 22,3 bilhões de litros
  3. Brasil, 15,3 bilhões de litros
  4. México, 10,8 bilhões de litros
  5. Rússia, 9,5 bilhões de litros
  6. Alemanha, 7,2 bilhões de litros
  7. África do Sul, 4,6 bilhões de litros
  8. Vietnã, 4,6 bilhões de litros
  9. Reino Unido, 4,5 bilhões de litros
  10. Espanha, 4,4 bilhões de litros

Consumo per capita de cerveja por país em 2024

  1. República Tcheca, 148,8 litros
  2. Lituânia, 110,6 litros
  3. Áustria, 104,6 litros
  4. Irlanda, 99,0 litros
  5. Croácia, 95,1 litros
  6. Estônia, 93,2 litros
  7. Espanha, 91,8 litros
  8. Eslovênia, 88,4 litros
  9. Romênia, 87,4 litros
  10. Alemanha, 86,9 litros

Apesar da força do mercado, o perfil do consumidor está mudando. Para Maciel, isso não representa uma perda de espaço da bebida, mas uma ampliação das opções disponíveis ao consumidor.

“A gente tem uma mudança de comportamento, mas não necessariamente é uma mudança de comportamento no sentido das pessoas pararem de beber. Elas têm mais categorias hoje em dia”, afirma.

No mercado interno, os números reforçam a dimensão da cadeia. O Anuário da Cerveja 2026, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mostra que o país encerrou 2025 com 1.954 cervejarias registradas, distribuídas por 794 municípios. São Paulo lidera em número de fábricas, enquanto o Sudeste concentra quase metade das cervejarias brasileiras.

A produção nacional alcançou 15,68 bilhões de litros em 2025. O setor reúne mais de 44 mil produtos registrados e ultrapassa 56 mil marcas comerciais. Embora as cervejas do tipo lager continuem predominando, cresce a participação de categorias como puro malte, sem álcool e sem glúten. Esta última registrou a maior expansão do setor, com crescimento superior a 417% no volume produzido em apenas um ano.

Para Maciel, essa diversificação acompanha a evolução do consumidor. “Essa nova versão de cerveja zero chegou ao Brasil em 2019 para arrebentar. Veio um mega sucesso. Em todo lugar agora você vê cerveja zero”, destaca. Segundo ele, a indústria também tem ampliado investimentos em produtos com menor teor alcoólico e em cervejas sem glúten, acompanhando novos hábitos de consumo.

No comércio exterior, a cadeia também segue fortalecida. Em 2025, a balança comercial brasileira de cerveja registrou superávit recorde de US$ 195 milhões. O Paraguai permaneceu como principal destino das exportações nacionais, enquanto os Estados Unidos passaram a liderar o fornecimento de cerveja importada em volume.

Um dos principais desafios para o setor agora está na regulamentação da reforma tributária. O Sindicerv defende que o futuro Imposto Seletivo siga o modelo internacional, com tributação proporcional ao teor alcoólico das bebidas.

“Hoje, a média de impostos no preço final da cerveja ao consumidor brasileiro é de 56%. Não estamos solicitando redução, mas sim que essa carga não aumente”, afirma Maciel.

Uma história que começou antes das cidades

Muito antes de existir como produto industrial, a cerveja já fazia parte da alimentação humana. As evidências arqueológicas mais antigas indicam que bebidas fermentadas à base de cereais eram produzidas há cerca de 11 mil anos, quando os primeiros grupos humanos começaram a cultivar grãos e abandonar o nomadismo.

Os sumérios, na antiga Mesopotâmia, foram os primeiros a organizar sua produção. Há registros em tabletes de argila mostrando receitas, formas de preparo e até pagamentos realizados em cerveja. O Código de Hamurábi, elaborado aproximadamente em 1.750 a.C., já estabelecia normas para comercialização da bebida, uma das primeiras regulamentações conhecidas sobre alimentos e bebidas.

No Egito Antigo, a cerveja passou a integrar a alimentação cotidiana e era utilizada até como forma de remuneração de trabalhadores responsáveis pela construção de grandes monumentos. Séculos depois, os mosteiros europeus aperfeiçoaram as técnicas de fabricação, introduziram padrões de higiene e difundiram o uso do lúpulo, ingrediente que trouxe maior estabilidade e capacidade de conservação ao produto.

Em 1516, a Baviera instituiu a Reinheitsgebot, conhecida como Lei da Pureza da Cerveja, determinando que a bebida deveria ser produzida apenas com água, cevada e lúpulo. Já durante a Revolução Industrial, avanços como a refrigeração artificial, instrumentos de controle de temperatura e os estudos de Louis Pasteur sobre fermentação permitiram o surgimento da cerveja produzida em larga escala, nos moldes conhecidos atualmente.

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