A Rússia e os Estados Unidos mantêm conversações para concluir um contrato de fornecimento de diesel que prevê um mecanismo específico para assegurar as entregas globais do combustível. A iniciativa visa contornar eventuais travares operacionais provocados pelas sanções econômicas impostas pelos países ocidentais a empresas russas. O anúncio ocorreu nesta quarta-feira pelo vice-primeiro-ministro da Rússia, Alexander Novak.
O óleo diesel é o principal combustível da agricultura mecanizada no Brasil, por exemplo, e é responsável por cerca de 73% de toda a energia usada na agropecuária nacional. O combustível figura entre os maiores custos operacionais das lavouras, especialmente em culturas intensivas em maquinário como soja, milho e algodão.
A negociação ganha relevância em razão das restrições internacionais ao comércio de derivados de petróleo de origem russa. Questionado se o governo russo havia solicitado a flexibilização formal das sanções norte-americanas para viabilizar os embarques do combustível, a autoridade russa preferiu não detalhar pedidos diretos de isenção, mas garantiu a efetividade da solução em construção.
Garantia de fluxo ao mercado
“Será encontrado um mecanismo que possibilite garantir o abastecimento”, afirmou Alexander Novak ao responder sobre o andamento das tratativas entre Washington e Moscou. O formato final do arranjo operacional deve priorizar a continuidade do fluxo comercial sem que as companhias envolvidas descumpram os parâmetros regulatórios e de compliance estabelecidos pelas sanções internacionais.
As negociações entre as duas potências seguem em fase final de ajustes. A expectativa dos agentes de mercado permanece centrada no anúncio dos termos técnicos que definirão o modelo de liquidação financeira e a logística de transporte das cargas de diesel nos próximos meses.